O 3o Brasil CineMundi, encontro internacional de coprodução da Mostra CineBH, proporcionou mais de 120 encontros oficiais entre produtores e realizadores brasileiros e convidados internacionais. Foram 34 profissionais envolvidos, sendo 21 brasileiros e 13 internacionais, representando 12 países diferentes.

O júri, composto pelo cineasta Felipe Bragança e pelos produtores Luis Urbano (Portugal) e Diana Bustamente (Colômbia), avaliou dez projetos, selecionados entre mais de 50 inscritos para os encontros profissionais com os convidados internacionais do evento.

O projeto vencedor deste ano foi Domingo, de Fellipe Gamarano Barbosa, que terá direito a material e serviços audiovisuais oferecidos pelas empresas parceiras (CiaRio, Cinecolor Digital, CTAv, Labocine e Teleimage) com o objetivo de viabilizar a execução do projeto.

O júri ainda concedeu menções honrosas aos projetos Piedade, Claudio Assis, e Bacurau, de Juliano Dornelles e Kleber Mendonça Filho. Na última edição, o escolhido foi Éden, de Bruno Safadi, que estreou recentemente no Festival do Rio,de onde saiu com o prêmio de Melhor Atriz para Leandra Leal, e acaba de ser exibido dentro da programação da Mostra CineBH.

O Brasil CineMundi contou ainda com uma ampla programação de debates, aproveitando as diversas experiências de seus convidados para amplificar a discussão em torno da produção independente, sua viabilização e distribuição. Foram ao todo dez mesas, que discutiram temas como Fundos de Investimento, Estratégias de Vendas Internacionais e Promoção em Festivais, o Conteúdo Audiovisual para TV, o Desafio da Produção em Curtas e Médias, além dos Diálogos do Brasil com a América Latina e o Mundo.

Órgãos governamentais como a Ancine e o Ministério das Relações Exteriores apresentaram as principais ações implementadas para a internacionalização do cinema brasileiro – incluindo a retomada dos editais de coprodução com Portugal, Galícia e Itália – enquanto produtores celebravam o bom momento do cinema brasileiro. “Estamos vivendo atualmente um momento ótimo na relação com a TV paga no Brasil, em parte graças a ações do Governo”, ilustrou Clélia Bessa, conselheira da ABPITV. Coproduções de sucesso como Tabu, de Miguel Gomes, e Girimunho, de Helvécio Marins Jr. e Clarissa Campolina – que foram alvos de estudos de caso ao longo da programação – reforçaram a sensação de que muito avançou-se nos últimos anos.

Os encontros, porém, deixaram claras também as oportunidades que ainda existem para o cinema brasileiro aumentar sua visibilidade no exterior. “Temos recebido poucos projetos brasileiros nos fundos de financiamento europeus e, entre os enviados, o número de selecionados é muito baixo. Isso porque os projetos que temos recebido nos parecem pouco pessoais. Parecem apenas seguir regras pré-estabelecidas. Claro que há exceções, mas os projetos brasileiros que nos chegam parecem todos muito iguais em suas fórmulas”, alertou a produtora holandesa Ilse Hughan.

A demanda por mais recursos públicos também foi algo recorrente nos debates. “Os editais de distribuição estão sumindo, não há recursos para distribuir filmes brasileiros. Ao mesmo tempo, não há ações específicas para fomentar a distribuição de nossos filmes na América Latina. Nossos filmes estreiam na França e Alemanha, mas não na Argentina ou Chile. É preciso mudar esse cenário”, afirmou a distribuidora Silvia Cruz. Já Clélia Bessa forneceu um dado impressionante: segundo ela, dois meses da redução de IPI para a indústria automobilística equivaleu a 10 anos de incentivo fiscal para o cinema via Lei do Audiovisual.

A Mostra CineBH encerrou sua programação oficial nesta terça-feira, mas a exibição de filmes continua no Cine Belas Artes até terça-feira, com uma repescagem dos melhores títulos da programação. Foram seis dias de programação gratuita, mobilizando uma equipe de 66 profissionais e mais de 120 convidados, nacionais e internacionais.

Nesta sua sexta edição, a Mostra CineBH ampliou os espaços de exibição e ocupou o Circuito Cultural Praça da Liberdade e o Cine Belas Artes, além do Cine Humberto Mauro, o Sesc Palladium e o Instituto Inhotim. Em seis dias de programação intensa e gratuita, foram exibidos 126 filmes – 43 longas, 5 médias e 78 curtas –, divididos em nove mostras temáticas, incluindo retrospectivas inéditas do coletivo mineiro Teia, homenageado desta edição, do realizador francês Leos Carax, do diretor mexicano Nicolás Pereda e das produtoras Preta Portê (Brasil) e Les Films du Beliér (França).

A programação contou com filmes inéditos e premiados como Crazy Horse, de Frederick Wiseman, Holy Motors, de Leos Carax, e Tabu, de Miguel Gomes, além de estreias brasileiras como O que se Move, de Caetano Gotardo, e Éden, de Bruno Safadi. Na programação de curtas, foram apresentados filmes de 16 países diferentes, proporcionando ao público presente uma amostra das novas propostas e realizadores do cinema nacional e internacional. O Instituto Inhotim, em Brumadinho, também recebeu uma mostra especial, com curtas relacionados ao meio-ambiente e às artes plásticas, além de acolher uma visita de nossos convidados internacionais.

A 6a Mostra CineBH promoveu também o programa Cine-Expressão – A Escola Vai ao Cinema. Foram 39 sessões, que contaram com a presença de mais de 4 mil estudantes de 23 escolas da região. Já as tradicionais oficinas abordaram diversos aspectos da cadeia audiovisual em nove disciplinas oferecidas gratuitamente e que certificaram 215 alunos, em uma iniciativa que contribui para a formação de produtores, realizadores e novos profissionais para o setor audiovisual.

A oficina Análise dos Estilos Cinematográficos, centrada no cinema brasileiro de ontem e de hoje, foi desenvolvida por 14 horas, em três dias, durante a Mostra CineBH, com coordenação do professor Cléber Eduardo, curador da Mostra de Cinema de Tiradentes. Baseado nas participações na oficina e em textos de análise sobre filmes e trechos de filmes, o curador selecionou os cinco participantes para compor o Júri Jovem da Mostra Aurora de 2013, em Tiradentes.

Os alunos eleitos para o Júri Jovem da Mostra de Tiradentes 2013 foram Ana Clara Matta de Moraes Bethonico (22 anos, Belo Horizonte, Estudante de Comunicação Social na UFMG), David de Azevedo Miranda (21 anos, Juiz de Fora, Estudante de Comunicação Social na UFJF), Manuela Pereira Matias (20 anos, Belo Horizonte, Estudante de Cinema e Audiovisual na UNA), Marcela Tobal Secches (21 anos, Belo Horizonte, Estudante de Jornalismo na PUC-MG), Roberto Ribeiro Miranda Cota (25 anos, Belo Horizonte, Doutorando em Cinema na UFMG).

O júri terá de premiar um longa entre os sete concorrentes ainda a serem selecionados para a mostra Aurora, exclusiva para filmes de diretores com até três longas como diretor. Nas edições anteriores, o Júri Jovem premiou Sábado à Noite, do cearense Ivo Lopes Araújo; A Fuga da Mulher Gorila, do carioca Felipe Bragança; Estrada para Ythaca, do coletivo cearense Alumbramento; Os Residentes, do mineiro Tiago Mata Machado; e HU, do carioca Pedro Urano.

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