Livros, por Hermes Leal — 30 julho 2015
Retrato de um artista quando jovem

O cineasta Rodolfo Nanni, diretor do clássico filme “O Saci” (1953), primeiro longa infantil brasileiro, ao completar 90 anos, e ter o título de cineasta mais longevo do cinema brasileiro, lançou suas preciosas memórias, no livro “Quase um Século – Imagens da Memória” (Akron), onde relata momentos marcantes de sua vida na convivência com artistas de todas as áreas que marcaram as artes no século 20. Além de cineasta, Nanni é artista plástico, foi aluno de Anita Malfatti, tem como primo e padrinho nada menos que Victor Brecheret, viveu em Paris e Roma, e foi colega de juventude de Carlos Scliar e Mário Gruber. Acompanhar a trajetória de Nanni é mergulhar na memória vivenciada, dos acontecimentos e dos personagens que o rodeavam, das ruas de São Paulo dos anos 40, seus bares e sua juventude artística, trazendo uma enorme contribuição para a memória da nossa história.

As memórias de Nanni percorrem também a época em que estudou cinema no famoso IDHEC, escola de cinema na França, onde foi aluno de George Sadoul, os bastidores do cinema paulistano dos anos 60 e 70, e a sua batalha para continuar filmando. Em 1958, fez o documentário “O Drama das Secas”, inspirado no movimento neorrealista que explodia na Itália, e, em 2006, realizou novamente um filme nas mesmas locações, com o título de “O Retorno”. Realizou seu segundo filme de ficção, “Cordelia Brasil”, somente em 1971, baseado na peça de Antônio Bivar.

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