Mostra traz a obra de um dos maiores nomes do documentário mundial

O deserto, as instituições, o mundo rural, a política, a justiça e a psiquiatria são alguns dos temas abordados pelo cineasta Raymond Depardon, de 75 anos, em sua vasta cinematografia. Oriundo da fotografia, já afirmou que suas obras trazem suas reflexões visuais. E são elas que o público poderá conhecer através dos 28 filmes, entre documentários e ficção, que integram a “Mostra Depardon Cinema”, que acontece no Centro Cultural do Banco do Brasil do Rio de Janeiro e de São Paulo, entre 3 a 28 de janeiro. Produzidas entre 1969 e 2017, na seleção, estão obras de destaque de sua carreira, entre elas, 12 Dias, seu último filme exibido no Festival de Cannes desse ano.

A mostra contará com a presença excepcional do Raymond Depardon no Brasil, de 16 a 22 de janeiro, para participar de debates e encontros com o público brasileiro.

A mostra é parte da retrospectiva em homenagem ao fotógrafo e cineasta francês que conta ainda com a exposição “Un moment si dou”, em cartaz no CCBB do Rio de Janeiro, até o dia 5 de fevereiro.

Curtas, médias e longas-metragens compõem a mostra. Entre os filmes sobre o universo psiquiátrico estão San Clemente, Urgences, e 12 Dias. O mundo camponês está presente em três longas da série Perfis Camponeses, entre 2000 e 2008; o Chade, em La Captive du Désert; o sistema judiciário, em Presos em Flagrante e Instantes de Audiência; o mundo político, em 1974, Um Presidente em Campanha, e a vida cotidiana francesa, em Jornal da França e Os Habitantes, sempre com um olhar humanista.

Além do olhar de Depardon para os diversos temas, o público poderá conhecer também um pouco de seu autor. No curta de 2005, Alguma Novidade em Garet, o diretor e seu irmão conversam sobre seus pais e seu trabalho na fazenda da família que é posta à venda. Já em Un moment si doux, de 2013, traz uma entrevista do cineasta sobre a exposição Un moment si doux.

Além da exibição dos longas-metragens, haverá uma palestra sobre a cinematografia de Raymond Depardon, em janeiro com data e horário a ser confirmado, tanto no CCBB do Rio de Janeiro quanto no de São Paulo. A entrada é gratuita com distribuição de senhas uma hora antes.

A exposição de fotografias, que faz parte da retrospectiva da carreira de Raymond Depardon, fica em cartaz no Rio de Janeiro até o dia 22 de janeiro, e traz 170 imagens em cores e dimensões variadas entre paisagens, autorretratos e personagens de diferentes países da Europa, África e América Latina, incluindo o Brasil. Produzidas entre 1950 e 2013, sendo a maior parte inédita, as imagens estiveram expostas entre 2014 e 2015 no imponente Le Grand Palais, em Paris, no museu MUCEM, em Marselha, e, recentemente, no Centro Cultural Recoletas, na Argentina. O trabalho do fotógrafo Raymond Depardon foi consagrado com inúmeros prêmios no mundo inteiro: Gran Premio Nacional da Fotografia, César do Melhor Documentário, Prêmio Louis Delluc, entre outros.

Fotógrafo e repórter, Raymond Depardon, filho de fazendeiros, nascido em 1942 na França, fez as suas primeiras fotos aos 12 anos na fazenda dos seus pais. Mudou-se para Paris em 1958 e entrou na Agência de imprensa Dalmas em 1960. Depois, viajou o mundo a partir da idade de 18 anos em busca de belos momentos fotográficos. A cada retorno, trazia na bagagem fotos impactantes que, muito rapidamente, foram reconhecidas por todos os profissionais e publicadas em jornais famosos.

No cinema, em mais de 30 anos, Raymond Depardon construiu uma obra maior, além de modismo, que explora incansavelmente o mundo, os homens e as grandes problemáticas do nosso tempo.

Ele foi um dos últimos documentaristas a defender o uso da lente de 35 mm, o que dá a sua obra uma qualidade e uma dimensão espetacular.

Pode-se dizer também que ele foi um dos únicos documentaristas franceses a ter o ambicioso projeto de mostrar o que é a França durante esses 30 últimos anos. Além de escolher temáticas do seu interesse pessoal e imediato, acompanhou a história do país com uma consciência aguda do papel do cineasta e de sua enorme responsabilidade social. Isso prova que ele tinha a convicção profunda de que o cinema não é uma arte fútil e que tem o dever de deixar marcas e testemunhas essenciais para entender o mundo.

Em toda sua obra cinematográfica, Depardon reivindicou a neutralidade. Filmou muitas pessoas desesperadas ou sofridas, em situações muito difíceis, mas em nenhum momento demostrou uma curiosidade perversa ou buscava comover o espectador. Ele filma os seres humanos, seu carácter único e opaco e, ao mesmo tempo, uma coisa mais ampla, mais inconsciente, que mistura sua liberdade e o que o determina. Depardon não busca uma comunicação imediata ilusória com as pessoas filmadas, não procura uma cumplicidade com o espectador. Cada sequência filmada adquire imediatamente a dignidade de um documento sobre um fragmento do “humano” em todo a sua complexidade, e torna-se uma captação de um pedaço da realidade, sobre a qual ele se proíbe ter qualquer preconceito ou ponto de vista ideológico.

 

Mostra Depardon Cinema
Data: 3 a 28 de janeiro
Locais: CCBB RJ – Rua Primeiro de Março, 66 – Centro – Rio de Janeiro
Horário: Quarta-feira a segunda-feira, a partir das 14h30 às 21h
CCBB SP –  Rua Álvares Penteado, 112 – Centro, São Paulo
Horário: Quarta-feira a segunda-feira, a partir das 15h30 às 21h
Entrada franca – Retirada de ingressos para a mostra 1 hora antes do início da sessão

Exposição de Fotografias – Um Moment Si Doux
Data: até 22 de janeiro
Local: CCBB RJ

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