NordesteLab reforça sua missão de coprodução e integração
© Ton Shubber

A integração entre os produtores era uma das principais expectativas dos organizadores do NordesteLab 2018. Em quatro dias, essas conexões acabaram ultrapassando as fronteiras dos Estados do Nordeste e se projetaram até mesmo em futuras realizações com países vizinhos. Cerca de 800 delegados – 120 a mais do que no ano anterior – participaram das rodadas de negócios, mesas de debates e oficinas de atendimento personalizado, em Salvador, entre os dias 28 de junho e 1º de julho.

Com foco na internacionalização, André Araújo, um dos coordenadores do evento, destaca a assinatura de um termo de cooperação internacional entre o NordesteLab e o Instituto de Artes Audiovisuais de Misiones, da Argentina. A partir desse documento, ficou previsto o desenvolvimento de novos projetos, estimulando a coprodução cinematográfica e o intercâmbio cultural. Da mesma forma, foi acordado o apoio do NordesteLab ao mercado cinematográfico que será realizado naquela região argentina, em março de 2019.

Esse protocolo também dá sequência à aproximação iniciada durante o Ventana Sur, ocorrido em dezembro, em Buenos Aires, quando os brasileiros firmaram um convênio de colaboração com a Associação de Produtores Audiovisuais de Córdoba. Naquele momento, eles reiteraram o interesse em realizar atividades de capacitação e formação, bem como iniciativas de promoção e abertura de canais de circulação para as obras audiovisuais.

Nesta edição do NordesteLab, a vinda de Guillermina Villalba, da Secretaria Nacional de Cultura do Paraguai/RECAM, já está resultando em um projeto de coprodução entre Brasil e Paraguai. As negociações estão avançadas com uma produtora da Bahia e 70% das filmagens do longa-metragem deverão ocorrer no Paraguai.

Também durante o evento, o projeto brasileiro “Identidade”, da diretora Luciana Vieira, produzido pela Tardo Filmes, do Ceará, foi contemplado pelo DocMontevideo e será incluído nas sessões de pitching na próxima edição do evento uruguaio.

Com isso, Araújo comemora a sinergia dos produtores do nordeste com os colegas do Mercosul: “Essas ações demonstram que não estamos apenas no plano das intenções. A nossa proposta é estimular e construir de fato caminhos para a coprodução”, reforça ele.

Daniela Fernandes, uma das curadoras do NordesteLab, também informa que a África está no horizonte muito próximo das articulações. Uma das mesas realizadas durante o encontro debateu o cinema negro e as possibilidades de integração. O passo seguinte será tentar viabilizar essa ponte intercontinental.

A cooperação inter-regional igualmente marcou a quarta edição do evento. Produtores e realizadores de 14 Estados e do Distrito Federal fortaleceram as parcerias da Conexão Centro-Oeste, Norte e Nordeste (CONNE) e novas obras já devem ser finalizadas nos próximos meses. Ao todo, 668 projetos dessas regiões foram apresentados, debatidos e negociados.

A representação da Agência Nacional do Cinema (Ancine) no evento também foi maior em 2018. Logo na mesa de abertura, a diretora Débora Ivanov participou do NordesteLab apresentando dados e informações. Houve uma clínica de prestação de contas, na qual os produtores nordestinos puderam ter um atendimento personalizado para os seus projetos, além dos painéis e debates. Na opinião de Araújo, isso foi decisivo para aproximar a Ancine da realidade da região e reforçar o empenho dos produtores em colaborar com o fortalecimento da agência e os seus mecanismos de fomento e regulação.

Em um balanço geral, Daniela Fernandes e André Araújo consideram que esta edição do NordesteLab foi bastante desafiadora, mas estão satisfeitos com a ampliação e os resultados já demonstrados. Como uma plataforma de mercado, a intenção deles é não extrapolar demais o seu tamanho, mantendo um crescimento anual modesto. Com isso, pretendem conservar um ambiente acolhedor, onde exista a possibilidade de encontrar as pessoas e encorajar uma integração baseada “em relações duradouras” entre os produtores.

Por esse caminho, já existem novas ações previstas para os próximos meses. Em novembro, o NordesteLab vai apoiar a realização de um mercado dentro do Panorama Internacional Coisa de Cinema, um dos festivais mais importantes da Bahia. Também haverá atividades durante o Cine Ceará, Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, Mercado Audiovisual do Nordeste (MAN), dentre outros. Pelo braço de pesquisa da plataforma, está sendo desenvolvido um observatório que deverá reunir e analisar dados das produções nordestinas, em parceria com universidades da Bahia, Ceará, Pernambuco, Paraíba, e com a Ancine.

 

Por Belisa Figueiró

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