“Bingo” e “Como nossos Pais” triunfam na noite dos Otelos
“Bingo, o Rei das Manhãs”, de Daniel Rezende

“Bingo, o Rei das Manhãs”, de Daniel Rezende, foi o grande vencedor da Noite dos Otelos. Levou para casa sete dos troféus que homenageiam a memória do ator Grande Otelo (melhor filme, ator protagonista e coadjuvante e as principais categorias técnicas). Atribuído pela Academia Brasileira de Cinema, a cada nova edição do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, o Otelo reconheceu, também, “Como nossos Pais”, de Laís Bodanzky, eleita a melhor diretora, e sua protagonista, Maria Ribeiro, escolhida como melhor atriz.

Como o prêmio é muito pulverizado (dezenas de categorias, cada vez mais fragmentadas por gêneros e outras subdivisões), houve outros longas-metragens laureados como os melhores (em seus subgêneros): “Divórcio”, de Pedro Amorim, foi eleito a melhor comédia, “Divinas Damas”, de Leandra Leal, o melhor documentário, “Detetives do Prédio Azul”, o melhor infanto-juvenil, e “Historietas Assombradas”, de Victor Hugo Borges, a melhor animação.

Uma das incoerências do corpo de jurados (votam os associados da Academia, mais de 150 profissionais do audiovisual) salta aos olhos. Os dois filmes que conquistaram os principais “Otelos” — “Bingo” e “Como nossos Pais” — foram derrotados em categoria-chave: melhor roteiro. Na base dos dois encontra-se o mesmo nome: o do craque Luiz Bolognesi. Pois ele perdeu para a dupla Lusa Silvestre e Mikael de Albuquerque, responsáveis pelo roteiro original de “A Glória e a Graça”. E Mikael ainda foi premiado pelo melhor roteiro adaptado (“Real, o Plano por Trás da História”).

A se acreditar no duplo veredito da Academia, surgiu no horizonte do cinema brasileiro um profissional com méritos superiores aos de Bolognesi. Vai entender! Registre-se, porém, que o preterido vive o auge de sua criatividade não só como autor de roteiros, mas também como diretor de cinema. Depois de dirigir um longa de animação (“Uma História de Som e Fúria”), laureado com o prêmio máximo no Festival de Annecy, na França, meca do cinema animado, Bolognesi dirigiu o longa documental “Ex-Pajé”, que passou pelas telas do Festival de Berlim. De falta de reconhecimento internacional ele não padece. Já em casa! Afinal, aqui, a Academia preferiu ofuscar o autor do roteiro dos dois (dois!) grandes vencedores de sua tardia edição 2018.

O melhor filme estrangeiro foi o chileno “Uma Mulher Fantástica”, de Sebastián Lélio, que sete (sete!) meses atrás (a Noite dos Otelos é um dos raros prêmios a acontecer quando todos já estão se preparando para os festejos de fim de ano) conquistou o Oscar na mesma categoria. Jorge Peregrino, presidente da instituição brasileira promete ampliar o quadro de associados e trazer a cerimônia de entrega dos Otelos para o primeiro semestre. A homenageada deste ano foi a atriz Fernanda Montenegro, que ano que vem comemorará 90 anos.

Confira os premiados:

. Bingo: melhor filme, ator (Vladimir Brichta), coadjuvante (Augusto Madeira), montagem, direção de arte, figurino, maquiagem.
. Como nossos Pais: direção (Laís Bodanzky), atriz (Maria Ribeiro)
. Divinas Divas: melhor documentário, melhor montagem
. A Glória e a Graça: roteiro original, coadjuvante (Sandra Corveloni) e fotografia
. João, o Maestro: melhor trilha sonora, melhor som
. O Filme da minha Vida: melhor trilha sonora original
. Malasartes: melhor efeito visual

Melhores curtas-metragens

“Vênus Filó, a Fadinha Lésbica” (animação)
“A Passagem do Cometa (ficção)
“Ocupação do Hotel Cambridge” (documentário)

 

Por Maria do Rosário Caetano

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