22ª Mostra de Cinema de Tiradentes divulga selecionados da Mostra Aurora
"Tremor Iê", de Elena Meirelles e Lívia de Paiva

A Mostra Aurora que integra programação da 22a Mostra de Cinema de Tiradentes, a ser realizada de 18 a 26 de janeiro, na histórica cidade mineira, exibirá sete longas-metragens em pré-estreia nacional, realizados por cineastas com no máximo três filmes no currículo. Os títulos, que serão apresentados no Cine-Tenda, se caracterizam por visões estéticas singulares, sempre em consonância com a vanguarda do audiovisual brasileiro e desafiando as formas tradicionais de linguagem. Os sete longas vão ser avaliados por um Júri da Crítica, formado por cinco profissionais da reflexão de cinema e que este ano contará com duas presenças internacionais. Além disso, debates na manhã seguinte às exibições, com presença da equipe de produção e de críticos convidados, aprofundam as ideias sobre os filmes.

A Aurora mantém o olhar para a produção independente das mais variadas regiões do país. Dos 72 inscritos este ano, e avaliados pela dupla Lila Foster e Victor Guimarães, com coordenação de Cleber Eduardo, a variedade de proposições estéticas segue como marca da produção contemporânea brasileira. Os 7 selecionados foram: A ROSA AZUL DE NOVALIS (SP), de Gustavo Vinagre e Rodrigo Carneiro; A RAINHA NZINGA CHEGOU (MG), de Junia Torres e Isabel Casimira Gasparino; TREMOR IÊ (CE), de Elena Meirelles e Lívia de Paiva; SEUS OSSOS E SEUS OLHOS (SP), de Caetano Gotardo; VERMELHA (GO), de Getúlio Ribeiro; DESVIO (PB), de Arthur Lins; e UM FILME DE VERÃO (RJ), de Jô Serfaty.

A Aurora 2019 traz filmes que forjam encontros, intensificam experiências e tensionam o lugar dos corpos e da imagem no mundo. A afirmação de identidades, culturas e histórias permeia a seleção, ao mesmo tempo em que cada trabalho inventa uma língua própria para expressar com liberdade os múltiplos conflitos que os atravessam.

Em termos regionais, a Aurora traz diretoras e diretores de 6 estados do país: Goiás, Paraíba, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Ceará e São Paulo. Pelo segundo ano consecutivo, diretores da Paraíba e de Goiás concorrem com longas de estreia e afirmam a vitalidade renovada das cenas estaduais, sempre com talentos maduros e novas inquietações: Desvio (PB) consolida a trajetória iniciada no curta-metragem do diretor Arthur Lins, enquanto Vermelha (GO), de Getúlio Ribeiro, centra-se numa narrativa construída de forma lacunar e misteriosa, com forte sentido de estranhamento.

A presença de dois representantes de São Paulo aponta uma mudança geracional e estética no cinema paulista prefigurada em Tiradentes e na Aurora nos últimos quatro anos. Um cinema feito de forma artesanal e independente, muito próximo do trabalho de grupos artísticos de outras áreas, mais marcadamente o teatro, como Seus Ossos e seus Olhos, de Caetano Gotardo, e sua encenação antinaturalista que coloca em cena uma investigação sobre o próprio corpo do ator. Por sua vez, Gustavo Vinagre retorna pelo segundo ano consecutivo à mostra com A Rosa Azul de Novalis, dirigido em conjunto com Rodrigo Carneiro, e confirma um estilo de cinema centrado na autoperformance confessional.

Mulheres na direção estão presentes em três longas-metragens na Aurora. Um Filme de Verão, de Jô Serfaty, retrata a efervescência de uma escola numa favela carioca com jovens que recriam o seu cotidiano e expectativas no jogo com o cinema e a cultura midiática contemporânea. A Rainha Nzinga Chegou, de Júnia Torres e Isabel Casimira Gasparino, catalisa o encontro entre a cultura negra dos reinados e congados de Minas Gerais. E Tremor Iê, de Elena Meirelles e Lívia de Paiva, faz do encontro entre um grupo de mulheres o espaço de formação de uma coletividade guerreira e antissistema.

Pela primeira vez desde a criação da Mostra Aurora, em 2008, o Júri da Crítica terá presenças internacionais. Entre os cinco integrantes do grupo que escolherão o melhor longa-metragem dentre os sete selecionados para a Aurora 2019, dois vêm de fora do Brasil. Um é o argentino Roger Koza, parceiro de outras edições da Mostra de Tiradentes, que é crítico, programador e curador, com vasta experiência em festivais de Locarno, Veneza, Hamburgo e Mar de Plata, entre outros. A outra é a francesa Claire Allouche, pesquisadora de cinema com formação na Universidade de Paris e colaboradora em publicações como Trafic CinétrENS.

O júri se completa com as presenças de Kênia Freitas, Doutora em Comunicação e Cultura pela UFRJ, redatora da revista eletrônica Multiplot e curadora das mostras “Afrofuturismo: cinema e música em uma diáspora intergaláctica”, “A Magia da Mulher Negra” e “Diretoras Negras no Cinema Brasileiro”; Juliano Gomes, crítico, professor e escritor, redator na revista Cinética; e Izabel de Fátima Cruz Melo, doutora em Meios e Processos Audiovisuais pela ECA/USP, pesquisadora associada da Filmografia Baiana, integrante do Grupo de Pesquisa “História e Audiovisual: circularidades e formas de comunicação” e do Fórum Itinerante de Curadoria (FIC) e autora do livro Cinema é Mais que Filme: uma história das Jornadas de Cinema da Bahia – 1972-1978 (2016).

Além de selecionar o Melhor Filme da Mostra Aurora, que será agraciado com o Troféu Barroco (oficial do evento) e premiações em produtos e serviços cinematográficos, o Júri da Crítica também será responsável por escolher o melhor curta-metragem da Mostra Foco e o destaque feminino (das Mostras Foco e Aurora) para receber o Prêmio Helena Ignez.

Relacionados

Compartilhe

(0) Comente

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>