Mostra Ecofalante exibe filmes de temática socioambiental durante 39 dias
"Acqua Movie", de Lírio Ferreira © Fred Jordão

Por Maria do Rosário Caetano

A Mostra Ecofalante de Cinema, que será aberta nessa quarta-feira, 12 de agosto, torna-se, com sua nona edição (gratuita e on-line), o festival mais longo da história brasileira. Vai durar 39 dias, ou seja, quase seis semanas.

Quem se interessar por filmes de temática socioambiental poderá escolher, até 20 de setembro, seus títulos preferidos em nutritivo cardápio, composto com 98 produções brasileiras e internacionais. A mostra poderá ser vista de qualquer ponto do território brasileiro. A cada novo dia serão oferecidas até onze sessões diferentes, compostas com ficções e documentários de curta, média ou longa-metragem.

Os defensores da preservação dos mares, ares, terras, animais – do ecossistema enfim – não terão do que reclamar. Afinal, não sobrará muito tempo para reclamar de tédio nesses difíceis meses de quarentena. Além dos quase cem filmes disponibilizados (por cinco dias, cada um), haverá debates, “lives”, entrevistas, masterclass e oficinas cinematográficas. Entre as produções brasileiras, há filmes de Daniela Thomaz (“Tuã Ingugu”), Lírio Ferreira (“Acqua Movie”), Wolney Oliveira (“Soldados da Borracha”), Estevão Ciavatta (“Amazônia S.A.”), Vellutini e Rodrigues (“Mitos Indígenas em Travessia”), Firmino Holanda e Petrus Cariry (“A Jangada de Welles”), Chevalier-Beaumel e Marcelo Barbosa (“Indianara”), Marcelo Gomes (“Estou me Guardando pra Quando o Carnaval Chegar”), Vincent Carelli (“Martírio” e “Corumbiara”), Jorge Bodanzky (presente com oito títulos), Hermano Penna (“Fronteira das Almas”), Silvio Tendler (“Dedo na Ferida”), Marcelo Pedroso (“Brasil S.A.”), Aurélio Michiles (“O Cineasta da Selva”) e Ricardo Dias (“No Rio das Amazonas”).

A curadoria, coordenada por Chico Guariba, diretor e criador do festival ecológico, selecionou – para o segmento Panorama Internacional Contemporâneo – produções oriundas de 16 países, todas com carreira de destaque em festivais como Cannes, Berlim, Sundance, Roterdã, Doc Amsterdã e Visions du Réel.

Três títulos se fazem cercar de curiosidade especial: o iraniano “Exodus”, por ser uma realização de Bahman Kiarostami (filho do diretor de “Através das Oliveiras”, Abbas Kiarostami), o grego “Tomates, Molho e Wagner”, de Marianna Economou (representante helênico na disputa por vaga no Oscar internacional), e o estadunidense “Dolores”, de Peter Bratt, produzido pelo guitarrista e compositor chicano Carlos Santana. Dolores Huerta, a personagem central desse ótimo documentário, trabalhadora rural de origem mexicana, ajudou a organizar camponeses, seus compatriotas, convocados a trabalhar nos EUA em condições precárias e sem garantias laborais. Dela, Barak Obama herdou o slogan “Yes, We Can” (Sim, Nós Podemos).

Os curadores do Ecofalante destacam, também, os filmes “Patrimônio”, de Lisa H. Jackson, vencedora do Emmy, e “Jawline: Ascensão e Queda de Austyn Tester”, de Liza Mandelup (ambos dos EUA), o canadense “Beleza Tóxica”, de Phyllis Ellis, o francês “Botando pra Quebrar”, de Lech Kowalski, selecionado para o Festival de Cannes, e o britânico “O Futuro do Trabalho e da Morte”, de Sean Blacknell e Wayne Walsh.

Além de apresentar quase uma centena de filmes, o Ecofalante exibirá dez entrevistas com diretores internacionais. Destaque para a grega Marianna Economou (“Tomates, Molho e Wagner”), as estadunidenses Cynthia Wade e Sasha Friedlander (“Vulcão de Lama”) e Lisa Jackson e Sarah Teale (“Patrimônio”), o sueco Fredrik Gertten (“Push: Ordem de Despejo”), o francês Jérôme Fritel (“Os Senhores da Água”), o alemão Marc Pierschel (“O Fim da Carne”) e Cosima Dannoritzer (“Ladrões do Tempo”, produção hispano-francesa).

Entre os debatedores brasileiros – note-se que a pauta aborda temas candantes e o mais instigante questiona a “real influência dos influencers” – estão a arquiteta Raquel Rolnik (USP), a ativista Preta Ferreira (MTST), o especialista no mundo do trabalho, Ricardo Antunes (Unicamp), o líder indígena Ailton Krenak, o ambientalista Ricardo Abramovay (USP), a especialista em mudanças climáticas Fabiana Alves (Greenpeace Brasil), Mário Mantovani (SOS Mata Atlântica) e o ativista vegano Eduardo Santos.

A montadora Cristina Amaral, parceira de Andrea Tonacci, Carlão Reichenbach e Edgard Navarro, comandará, em setembro, masterclass virtual. O cineasta e curador Francisco César Filho (“Augustas” e “Futuro do Pretérito – Tropicalismo Now!”) desenvolverá, on-line, atividade de formação profissional com jovens interessados (mais detalhes no site do festival, incluindo datas e procedimentos para inscrição gratuita).

Chico Guariba encontrou, na versão digital, uma generosa forma de democratizar a programação da Ecofalante, evento que nunca escondeu seu desejo de ampliar o alcance das lutas ambientais. Por isso, batizou o festival com o sugestivo nome de Eco (ecologia e ecoar/multiplicar) e Falante (o adjetivo usado para difundir a causa verde).

“Em junho deste ano, nossa data histórica” – lembra Guariba – “por causa da pandemia, tivemos a experiência de realizar um festival on-line, o ‘Especial Semana do Meio-Ambiente’, em parceria com a plataforma Videocamp. Mostramos cinco filmes e realizamos seis debates no Facebook e no YouTube”. Resultado: “Contamos com sessões em 490 cidades brasileiras e a participação de quase 30 mil pessoas”. Agora, “o Ecofalante nos permitirá levar nossa programação a três plataformas com o objetivo de democratizar ainda mais o acesso e atingir novos públicos”.

Uma das meninas dos olhos do festival é a mostra competitiva Curta Ecofalante, que tem apoio do WWF-Brasil. Jovens estudantes são convocados a realizar filmes com temáticas relacionadas a pelo menos um dos “Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)” propostos pela “Agenda 2030” da ONU. Esse documento reúne 17 objetivos voltados à erradicação da pobreza, defesa da saúde de qualidade, combate às mudanças climáticas e defesa da igualdade de gênero. A jovem mostra reuniu 24 títulos.

Competição Latino-Americana

Longa-metragem:

. “Acqua Movie”, de Lírio Ferreira (Brasil)
. “Amazônia S.A.”, de Estêvão Ciavatta (Brasil)
. “Soldados da Borracha, de Wolney Oliveira
. “A Jangada de Welles” , de Firmino Holanda e Petrus Cariry (Brasil)
. “Indianara”, de Aude Chevalier-Beaumel e Marcelo Barbosa
. “Suspensão”, de Simón Uribe (Colômbia)
. “Deus”, de Christopher Murray, Josefina Buschmann e Israel Pimentel (Chile)
. “Estou me Guardando para Quando o Carnaval Chegar”, de Marcelo Gomes (Brasil)

Curtas e médias-metragens:

. “Ruivaldo, o Homem que Salvou a Terra”, de Jorge Bodanzky (Brasil)
. “Tuã Ingugu”, de Daniela Thomas (Brasil)
. “O Deputado”, de Samuel Alvarez (Colômbia)
. “Suquía”, de Ezequiel Salinas (Argentina)
. ”C.I.T.A. (Cooperativa Industrial Têxtil Argentina)”, de Molina, Suarez e Pretti (Argentina)

Programação de Debates
(às quartas-feiras e sábados)

Dia 15/08 (sábado), às 19h00: “Economia - Financeirização da Mercado Imobiliário”
Dia 19/08 (quarta), às 19h00: “Economia -Privatização da água e interesses corporativos”
Dia 22/08 (sábado), às 17h00: “Emergência climática – Emergência climática e o Green Deal” (horário a confirmar)
Dia 26/08 (quarta), às 19h00: “Ativismo: Ativismo em tempos não-democráticos”
Dia 29/08 (sábado), às 19h00: “Trabalho: A aceleração da precarização e movimentos de resistência”
Dia 02/09 (quarta), às 19h00: “Povos e Lugares: Migrações no século 21”
Dia 05/09 (sábado), às 19h00: “Consumo: É possível mudar o paradigma do consumo no pós-pandemia?”
Dia 09/09 (quarta), às 19h00: “Tecnologia: Qual é a real influência dos influencers?”

IX Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental
On-line e gratuito
Data: 12 de agosto a 20 de setembro
A grade de programação trará novidades diárias, com até onze diferentes sessões/dia. Os títulos estarão disponíveis sempre às 15h, por períodos de 24 horas, com até cinco dias de exibições cada um. O cardápio oferta produções distribuídas em quatro segmentos: 1. Panorama Internacional Contemporâneo, 2. Competição Latino-Americana (com prêmios aos melhores filmes de temática socioambiental), 3. Competição Curta Ecofalante (filmes produzidos por estudantes), e 4. Clássicos e Premiados (novidade deste ano, com destaques brasileiros de temática socioambiental, realizados entre 1974 e 2018).
Acesso pela plataforma Ecofalante: www.ecofalante.org.br. Os filmes também poderão ser acessados pela Videocamp e pela Spcine Play
Debates serão transmitidos ao vivo pelo Facebook (facebook.com/mostraecofalante) e Youtube (youtube.com/mostraecofalante)

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