Silvio Tendler é o novo curador do Festival de Brasília
Silvio Tendler

Por Maria do Rosário Caetano

A quinquagésima-terceira edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro está confirmada e tem novo curador, o cineasta Silvio Tendler, diretor de “Anos JK”, “Jango” e “Utopia e Barbárie”.

Bartô Rodrigues, secretário de Cultura do Distrito Federal, além de anunciar o nome de Tendler, avisou que o mais tradicional festival do país acontecerá virtualmente, na telinha do Canal Brasil e do Canal Brasil Play, de 15 a 20 de dezembro. Portanto, durante seis dias, vésperas do Natal.

Para justificar a escolha do documentarista carioca de 70 anos, Bartô Rodrigues lembrou que “Silvio Tendler, além de autor de filmes da importância de ‘Anos JK’ , ‘Jango’, ‘Militares da Democracia’ e ‘Privatizações: A Distopia do Capital’, foi secretário de Cultura do DF e realizou, em 1996, edição histórica do festival”. Aquela que premiou o pernambucano “Baile Perfumado”, de Lírio Ferreira e Paulo Caldas, o paulistano “Um Céu de Estrelas”, de Tata Amaral, e cujo público ovacionou, de pé, o carioca “Como Nascem os Anjos”, de Murilo Salles.

A Secretaria de Cultura, que reassume o festival depois de décadas em que ele foi realizado em parceria com OSC (Organização da Sociedade Civil), não adotou o critério ortodoxo de curadoria. Ou seja, aquele profissional que escolhe sozinho os filmes da principal mostra competitiva. Por isso, e mesmo com a exiguidade do tempo, haverá processo de inscrições de curtas e longas-metragens para a competição nacional (Troféu Candango) e de produções locais para a Mostra Brasília. E tais inscrições já se encontram abertas e podem ser feitas até às 18h do dia 10 de novembro.

Silvio Tendler comandará as comissões que selecionarão os filmes. Serão 30 obras, no total, que disputarão R$400 mil em prêmios. Seis longas-metragens e doze curtas comporão a competição brasileira. A Mostra Brasília contará com quatro longas e oito curtas. Não está claro se a Câmara Legislativa do DF reassumirá o evento, criado por ela há várias décadas, nos mesmos moldes da pioneira Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul (em parceria com o Festival de Gramado). Ou se a Secretaria de Cultura garante sozinha, como ano passado, o comando da mostra-vitrine da produção local.

O secretário Bartô Rodrigues não descarta a possibilidade de que haja alguma atividade presencial no Cine Brasília, tradicional sala exibidora do festival, criado por Paulo Emílio Salles Gomes, em 1965 (portanto há exatos 55 anos). O número de edições resume-se a 53, porque o evento foi cancelado por problemas políticos e acirramento da Censura nos anos de 1972, 73 e 74. Retornou em 1975, para não sofrer mais solução de continuidade.

Sessões presenciais não estão, porém, no foco do secretário Bartô Rodrigues, presidente do festival. Por causa da pandemia da Covid-19, ele promete que “a edição de 2020 será a melhor possível dentro das atuais circunstâncias sanitárias”. O foco estará, portanto – como fez o Festival de Gramado – “nas sessões virtuais, tendo o Canal Brasil e Canal Brasil Play como vitrines”. E – como mostra a safra recente de festivais on-line – com capacidade de atingir espectadores de todo o território brasileiro.

Bartô Rodrigues avisa ao público candango que a Estação Cine Brasília do Metrô, situada na Super-Quadra 106 Sul, portanto no espaço físico do cinema pertencente ao Governo do Distrito Federal, poderá ser palco de grande mostra de cartazes (do próprio festival, ao longo de suas mais de 50 edições, e de filmes brasileiros premiados). Os cartazes do festival, pela vontade de Bartô, terão exposição permanente.

Se o curador Silvio Tendler quiser realizar edição com peso similar ao daquela que consagrou “Baile Perfumado”, “Um Céu de Estrelas” e “Como Nascem os Anjos”, terá que apostar em filmes 100% inéditos. Cosmopolita e frequentador de festivais internacionais, o autor de “Santiago de las Americas – Ou o Olho do Terceiro Mundo”, seu longa documental mais recente, sabe que festival com filme já exibido em outras (e midiáticas) vitrines não desperta interesse da imprensa, nem preserva status de festival de ponta.

Especula-se que “Candango – Memórias do Festival”, do jovem documentarista Lino Meireles – um dos 36 filmes brasileiros programados pela Mostra Internacional de Cinema de São Paulo – deve ser o filme inaugural da quinquagésima-terceira edição do Festival de Brasília. Até porque ele narra, com mais de 50 depoimentos e poderosas imagens de arquivo, a agitada história de um dos festivais mais antigos da América Latina (o segundo, já que o de Cartagena de Índias, na Colômbia, foi o primeiro e já realizou mais de 60 edições).

Uma pergunta se impõe, nessa altura do calendário festivaleiro: há longas-metragens 100% inéditos em território nacional para ocupar as seis vagas disponibilizadas na grade do Festival de Brasília?

A indagação procede, porque, temendo que a edição candanga de número 53 não acontecesse, muitos produtores e realizadores inscreveram-se na competição de Novos Diretores da enorme Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, cuja edição de número 44 realiza-se, até dia 4 de novembro. Mais de trinta títulos quebraram com o ineditismo desejado pela tradição brasiliense.

Por enquanto, dois títulos permanecem 100% inéditos e portanto qualificados para a competição aos troféus Candango: o documentário “Uma Baía”, de Murilo Salles, vencedor do Festival de Brasília em 1984 (com o ficcional “Nunca Fomos Tão Felizes”), e “Medida Provisória”, estreia solo do ator Lázaro Ramos na ficção (ele dirigiu longa documental sobre o Bando de Teatro Olodum, em parceria com Thiago Gomes). O filme que é uma recriação de peça teatral, “Namíbia, Não”, do ator e dramaturgo Aldri Assunção, representou o Brasil no recém-concluído Festival Internacional de Cinema de Moscou.

 

Festival de Brasília do Cinema Brasileiro
Edição número 53, virtual (no Canal Brasil e Canal Brasil Play)
Data: 15 a 20 de dezembro
Inscrições: até às 18h do dia 10 de novembro
Regulamento disponível na Coordenação Audiovisual da Secec (Secretária de Cultura e Economia Criativa do DF), pelo fone 61 99213-2016 (em horário comercial) ou pelo e-mail audiovisual@cultura.df.gov.br.

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