A Princesa da Yakuza

Por Maria do Rosário Caetano

“Nosso lugar é o mundo. Tenho projetos para filmes e séries dentro do Brasil e fora dele. Vou aonde as histórias que me interessam me levarem”.

Esta parece ser a sina do cineasta carioca Vicente Amorim, nascido há 54 anos em Viena, na Áustria. Sina e projeto de vida por ele reafirmados nesse momento em que lança, nos cinemas brasileiros, seu décimo-longa-metragem, “A Princesa da Yakuza”.

O filme, produzido pela Tubaldini Shelling, em parceria com a Warner, reúne elenco internacional liderado por Masumi, atriz e cantora de origem japonesa (radicada nos EUA), Jonathan Rhys Meyers (do notável “Match Point”, de Woody Allen), Tsuyoshi Ihara, Toshiji Takeshima, Mariko Takai e Kenny Leu. Sob o comando de Vicente – filho do ex-presidente da Embrafilme e ex-ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim – os atores materializaram adaptação cinematográfica da graphic novel “Samurai Shirô”, do quadrinista brasileiro Danilo Beyruth.

O resultado é um filme de artes marciais e suspense, cuja trama segue a trajetória de Akemi (Masumi), jovem descendente de japoneses, radicada em São Paulo, que depara-se com rapaz estrangeiro e desmemoriado (Rhys Meyers), que carrega uma katana (espada usada por samurais). A partir de tal encontro, a jovem passará a ser perseguida por integrantes da Yakuza, a máfia nipônica. Para sobreviver, ela será obrigada a enfrentar seu passado e superar arriscados desafios por escuras ruas paulistanas.

O filme, uma produção que uniu Brasil, Japão e EUA, tem em seu elenco, no papel de Shirô, o grande ator japonês Tsuyoshi Ihara, de “Cartas de Iwo Jima” (Clint Eastwood, 2006). “A Princesa da Yakuza” marca o reencontro do diretor brasileiro com Ihara, que protagonizou “Corações Sujos” (2011) e visitou o Brasil (e o Festival de Paulínia) para apresentar esta adaptação de livro homônio de Fernando Morais, sobre a Shindo Renmei. Japoneses radicados no Brasil (na região da Saúde paulistana) – mostram livro e filme – continuavam fervorosos defensores do Imperador do Japão. Tanto que, mesmo vivendo em nosso território, negavam-se a aceitar a derrota japonesa na Segunda Guerra Mundial.

Vicente Amorim já dirigiu outros projetos internacionais, além de “Corações Sujos” e de “A Princesa da Yakuza”. Caso de “Rio, Eu te Amo” (filme em episódios), “Um Homem Bom”, com Viggo Mortensen, e o inédito “Duetto”, com o italiano Giancarlo Giannini. O cineasta lembra que, neste momento, está terminando uma série policial espanhola.

Diretor, também, de filmes 100% brasileiros como “2000 Nordestes”, “O Caminho das Nuvens” (embalado por canções de Roberto Carlos), a cinebiografia “Irmã Dulce” e o thriller “A Divisão”, Vicente constata que não está fácil produzir no Brasil.

“Realizar, aqui, um longa-metragem, nessa atual conjuntura” – diz, recorrendo a adjetivo eufemístico e diplomático – “tornou-se complicado”. Mesmo assim – garante – “tenho um projeto chamado ‘As Vitrines’, que vou dirigir junto com a Flávia Castro e que será produzido pelo Marcello Maia”. Vicente adianta que “o projeto está para entrar em produção a qualquer momento”. E mais: “tenho outros projetos ambientados no Brasil em desenvolvimento em outras produtoras”.

Depois do adrenalinado “Motorrad”, o cineasta realizou um de seus filmes mais bem-sucedidos, “A Divisão”, drama policial e social, protagonizado por Sílvio Guindane e Erom Cordeiro. O longa recebeu nove indicações ao Troféu Grande Otelo, distribuído anualmente pela Academia Brasileira de Cinema e Artes Visuais. Esse ano, o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro acontecerá no dia 28 de novembro, com transmissão ao vivo pela TV Cultura.

Vicente faz questão de deixar claro que “A Divisão” não é um filme derivado de série de TV. “Ele nasceu” – esclarece – “ como longa-metragem e no processo de produção resultou, também, em uma série”. O filme que agora disputa o GP Brasil “ficou pronto antes da série, mas por caprichos do destino e da distribuição nacional, foi lançado depois”. Por isso, disseminou-se a ideia de que ele seria uma derivação de obra feita para a TV.

O projeto “A Princesa da Yakuza” chegou a Vicente como convite, que ele aceitou de bom grado. “Tive a sorte” – conta – “de ser convidado pela produtora Tubaldini Shelling para dirigir uma adaptação de ‘Samurai Shirô’, de Danilo Beyruth, antes mesmo dessa HQ estar pronta”. Como “o próprio Danilo é um cinéfilo e, em sua graphic novel, as referências a Takashi Miike e Takeshi Kitano estão por todos os lados”, a afinidade veio na hora.

O brasileiro lembra que ao receber o convite para realizar “um filme de gênero nipo-americano-brasileiro com jeito samurai” fez uma única pergunta: “onde eu assino?”. Assinou o contrato e o filme, que já estreou internacionalmente, e chega finalmente ao público brasileiro. Primeiro nas salas de cinema. Depois no streaming.

 

A Princesa da Yakuza | Yakuza Princess
Brasil, EUA, Japão, 112 minutos, 2020
Direção: Vicente Amorim
Produção: LG Tubaldini e André Skaf
Elenco: Masumi, Jonathan Rhys Meyers, Tsuyoshi Ihara, Toshiji Takeshima, Mariko Takai, Kenny Leu e Lucas Oranmian
Em cartaz nos cinemas

 

FILMOGRAFIA
Vicente Amorim, realizador brasileiro nascido em Viena, na Áustria, em 17 de novembro de 1966

2021 – “A Princesa da Yakuza”
2020 – “Duetto” (inédito)
2019 – “A Divisão” (com oito indicações aos Troféus Grande Otelo)
2017 – “Motorrad”
2013 – “Irmã Dulce”
2013 – “Rio, Eu te Amo” (filme em episódios, de produção internacional)
2011 – “Corações Sujos” (produção internacional)
2008 – “Um Homem Bom” ( produção internacional)
2003 – “O Caminho das Nuvens”
2000 – “2000 Nordestes” (codireção de David França Mendes)

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