Documentário premiado no Festival do Rio, “Cheiro de Diesel”, entra em cartaz

Com distribuição da Descoloniza Filmes, “Cheiro de Diesel”, documentário dirigido por Natasha Neri e Gizele Martins, estreia nos cinemas nesta quinta-feira, 2 de abril, nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza, Brasília, Vitória e Caxias do Sul.

A semana escolhida é simbólica porque traz à memória duas feridas ainda abertas na história do país: o Golpe Militar, que deu início a uma ditadura de mais de três décadas no Brasil, e completou 62 anos no dia 1º de abril; e a invasão das Forças Armadas na Favela da Maré, no Rio de Janeiro, iniciada há 12 anos (5 de abril de 2014) sob o pretexto de “pacificar” a região.

O longa investiga os impactos das operações militares nas favelas do Rio de Janeiro, especialmente durante o período dos grandes eventos internacionais, como a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, quando diferentes territórios foram ocupados sob operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO).

A obra se constrói a partir de relatos de moradores de regiões como Maré, Penha e Morro do Salgueiro, que trazem em suas histórias as consequências diretas da presença militar no cotidiano dessas populações. A narrativa reúne denúncias de violações de direitos, incluindo invasões a casas, escolas e unidades de saúde, além de episódios de revistas constantes e assassinatos. Esses relatos também revelam como os efeitos dessas operações permanecem no tempo.

A diretora Gizele Martins, jornalista e comunicadora da Favela da Maré, premiada com o Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, aponta que a ocupação militar da Maré serviu como base para ações semelhantes em outras favelas do Rio.

Ao lado dela, Natasha Neri contribui com sua experiência na direção de documentários e pesquisas sobre justiça criminal. Diretora de “Auto da Resistência”, premiado no festival É Tudo Verdade, Neri desenvolveu “Cheiro de Diesel” a partir do acompanhamento direto de casos de violência de Estado e da relação com familiares de vítimas ao longo dos últimos anos.

A partir dessas histórias, o documentário também mostra quais são os obstáculos enfrentados na busca por justiça. Muitos dos casos retratados são conduzidos pela justiça militar, o que limita o acesso à informação e à responsabilização.

A partir de tudo isso, “Cheiro de Diesel” se constrói como um filme de denúncia e memória.

O filme é uma produção da Amana Cine e Baracoa Filmes, com coprodução do Canal Brasil, apoio da RioFilme, distribuição da Descoloniza Filmes com a parceria da RioFilme. O longa passou por alguns festivais, incluindo o Festival do Rio, onde recebeu o Prêmio Especial do Júri e o prêmio de Melhor Documentário pelo voto popular.

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