Mostra Internacional de Cinema em São Paulo anuncia seleção de filmes de sua 50ª edição

Foto: “Tigre de Papel”, de James Gray, filme de abertura da mostra

A Mostra Internacional de Cinema em São Paulo chega aos seus 50 anos. A edição histórica ocorre entre os dias 15 e 29 de outubro e exibe, entre longas, curtas e séries, 380 títulos de 93 países em 57 salas de cinema, espaços culturais e CEUs espalhados pela capital paulista, além de diversos eventos e comemorações da data especial.

Novamente, a mostra conta com um espaço temporário, a Sala Petrobras na Mostra, que neste ano fica no Solar Fábio Prado, na Avenida Brigadeiro Faria Lima, 2.705, no Jardim Paulistano, abrigando o VI Encontro de Ideias Audiovisuais, uma exposição, além de sessões especiais, algumas delas gratuitas, e masterclasses.

Na quarta-feira, 14 de outubro, acontece a abertura para convidados da 50ª Mostra, na Sala São Paulo, com o longa-metragem “Tigre de Papel”, de James Gray, exibido na competição do Festival de Cannes. O cineasta estadunidense vai estar na sessão especial. Antes, será apresentado o curta-metragem “Sul de Teerã”, do diretor e roteirista Kleber Mendonça Filho, que também comparece ao evento. Na ocasião,
o produtor português Paulo Branco recebe, em mãos, o Prêmio Leon Cakoff. Uma retrospectiva traz uma seleção de suas mais de 300 produções, incluindo “A Cidade dos Piratas” (1983), de Raúl Ruiz, em cópia 35mm, e “O Rei das Rosas” (1986), de Werner Schroeter, em restauro inédito.

Além de abrir o evento com seu filme, James Gray é o autor da arte do cartaz da 50ª edição. Ele também é homenageado com uma retrospectiva e com o Prêmio Leon Cakoff, que é entregue em evento aberto ao público com exibição de “Tigre de Papel”, seguida de conversa do diretor com o cineasta Walter Salles, na quinta-feira, 15 de outubro, na Sala Petrobras na Mostra.

A celebração dos 50 anos conta com as exposições Tempo e Movimento: os 50 Anos da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, no Solar Fábio Prado, concebida pela cineasta e multiartista Daniela Thomas, e Steps – Fotografias Inéditas de Abbas Kiarostami, no MIS. No dia 24 de outubro, no MIS, há a exibição do curta “Me Leve pra Casa” e do documentário “24 Frames”, ambos de 2016, seguida de um debate entre o filho de Abbas, Ahamd Kiarostami, e o diretor argentino Lisandro Alonso, que adapta “Gosto de Cereja” (1997) para a América Latina
com Wagner Moura no papel principal.

O lançamento dos livros “Antes que Eu me Esqueça: Um Ensaio de Lembranças para os 50 Anos da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo”, com memórias da diretora Renata de Almeida, pela Cosac, e “50 Anos, 50 Cartazes: A História dos Cartazes da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo” também faz parte das homenagens à data especial.

A 50ª edição também marca o lançamento de uma nova plataforma, o Acervo, que reúne 50 anos de história da mostra e informações sobre mais de 12 mil filmes. Ainda como parte das comemorações, a Sessão 50 Anos exibe “Fjord”, dirigido pelo romeno Cristian Mungiu, vencedor da Palma de Ouro em Cannes e distribuído no Brasil pela Diamond Films, no dia 19 de outubro, no Cultura Artística. Na sequência, haverá sorteio de brindes comemorativos da data especial.

A 50ª Mostra também apresenta o Leão de Ouro em Veneza, “Mulher Desconhecida”, de May el-Toukhy. Pelo sexto ano consecutivo, a mostra promove o Encontro de Ideias Audiovisuais, de 20 a 23 de outubro, no Solar Fábio Prado, com debates, painéis e oportunidades de networking.

A cerimônia de abertura do VI Encontro de Ideias Audiovisuais, no dia 20 de outubro, na Sala Petrobras na Mostra, começa com a entrega do primeiro Prêmio Encontros para Olga Rabinovich, fundadora do Projeto Paradiso, uma homenagem que destaca sua trajetória de apoio ao desenvolvimento e à internacionalização do audiovisual brasileiro por meio do Instituto Olga Rabinovich e do Projeto Paradiso. O prêmio foi criado para enaltecer a filantropia que pode transformar a cultura, com o encontro entre quem apoia e quem faz a produção audiovisual. Na sequência, acontece a mesa de abertura do VI Encontro, também na Sala Petrobras na Mostra, com Jeff Deutchman, presidente de Aquisições, Produção e Desenvolvimento da Neon.

O cineasta estadunidense Boots Riley (“Desculpe te Incomodar”, de 2018) vem à 50ª Mostra para apresentar seu novo filme, “I Love Boosters”, participar de conversa com o público e fazer parte do júri da Competição Novos Diretores, assim como o iraniano Ali Asgari, que exibe “Um Pouco de Esperança”, em competição no último Festival de Veneza.

Além de Boots Riley e Ali Asgari, completam o júri o diretor colombiano César Augusto Acevedo e a diretora brasileira Laís Bodanzky. O diretor indiano S.S. Rajamouli apresenta pessoalmente uma sessão especial de “RRR: Revolta, Rebelião, Revolução” (2022), vencedor do Oscar de melhor canção e sensação mundial. É a chance de assistir na tela grande ao longa-metragem, que no Brasil só estreou no streaming, e depois conversar com o diretor, que recebe o Prêmio Leon Cakoff, no dia 19 de outubro, na Sala Petrobras na Mostra, localizada
no Solar Fábio Prado.

“Amor Possível”, do sul-coreano Lee Chang-dong e vencedor do Leão de Prata, Grande Prêmio do Júri no último Festival de Veneza, é uma das atrações da programação da 50ª Mostra. Do mesmo Festival de Veneza, vem “Musk”, documentário abrangente de Alex Gibney sobre Elon Musk. “O Ser Querido”, de Rodrigo Sorogoyen, estrelado por Javier Bardem e exibido em competição no Festival de Cannes, também vai ser exibido.

“Fjord”, dirigido pelo romeno Cristian Mungiu

A 50ª Mostra apresenta diversos filmes que se destacaram nos principais festivais internacionais, como a Palma de Ouro em Cannes “Fjord”, de Cristian Mungiu, e o Leão de Ouro em Veneza “Mulher Desconhecida”, de May el-Toukhy, além de “Look Back”, de Hirokazu Kore-eda, “Retorno a Buenos Aires”, de Marco Bechis, “Homem ao Mar”, de Gael García Bernal, “Deixem-nos Passar, Caros Ancestrais”, de Lav Diaz,
“Tigre de Papel”, de James Gray, “O Sentido da Vida”, de Ryûsuke Hamaguchi, “A Aventura Sonhada”, de Valeska Grisebach, “Everytime”, de Sandra Wollner, “Eu Vejo Edifícios Caírem como Raios”, de Clio Barnard, “Iron Boy”, de Louis Clichy, “Minotauro”, de Andrey Zvyagintsev, “A Terra do meu Pai”, de Pawel Pawlikowski, “Um Dia na Vida de Jo: Capítulo Fedra”, de Jacqueline Lentzou, “A Casa do Vento”, de Auguste Bernard Kouemo Yanghu, “Às Vezes Sinto Tristeza, Outras Vezes Revolta”, de Maria Aparicio, “17”, de Kosara Mitić, “O Dia em que Ela Volta” e “Onde Repousar meus Olhos”, ambos de Hong Sang-soo, “Wolfram”, de Warwick Thornton, “Aqui Não É o seu Lugar”, de Florin Şerban, “A Violinista”, de Ervin Han e Raúl García, “Variações Sobre um Tema”, de Jason Jacobs e Devon Delmar, e “Ha-Chan, De Volta à Dança!”, de Josef Kubota Wladyka, entre outros.

O Displacement Film Fund, proposto pela atriz Cate Blanchett, embaixadora do ACNUR (Agência da ONU para Refugiados), e realizado com o Fundo Hubert Bals do Festival de Roterdã, financiou a realização de cinco curtas-metragens de cineastas refugiados ou que fazem filmes respeitosos sobre pessoas deslocadas. A primeira leva de produções, dirigidas por Mohammad Rasoulof (“O Sentido da Água”), Maryna Er Gorbach (“Rotação”), Mo Harawe (“Sussurros de um Aroma em Chamas”), Hasan Kattan (“Aliados no Exílio”) e Shahrbanoo Sadat (“Super Academia Afegã”), tem exibição na mostra.

“O Outro Lado das Redes”, de Aaron Sorkin, com Jeremy Strong, Jeremy Allen White e Mikey Madison, e “Ray Gunn”, animação para adultos dirigida por Brad Bird, também integram a seleção da 50ª Mostra.

A Mostrinha, dedicada ao público infantil, chega à terceira edição com 20 longas e um curta de 20 países. Treze são animações. Dez filmes têm produção brasileira, e nove contam com mulheres na direção ou codireção. “Clarice Vê Estrelas”, escrito e dirigido por Letícia Pires e baseado em seu livro, é o filme de abertura da Mostrinha, em estreia mundial, na Sala São Paulo, em 15 de outubro, com a presença da equipe
e elenco. A arte do pôster da 3ª Mostrinha é um trabalho do escritor, jornalista e ilustrador Ziraldo (1932-2024).

A programação amplia sua presença pela cidade por meio de 27 equipamentos do Circuito Spcine, entre 26 CEUs e o CFC Cidade Tiradentes, distribuídos pelas zonas Leste, Norte, Sul e Oeste, além da Sala Petrobras na Mostra, CineSesc, Cine Tutu, Cinesala, Espaço Petrobras de Cinema, Teatro Sérgio Cardoso, Boulevard do Rádio (Sesc Paulista) e Itaú Cultural.

Como já é tradição na mostra, a 50ª edição promove conversas e masterclasses com cineastas. A masterclass gratuita “O Cinema de Contrapartida em Territórios de Conflito”, com Eliane e Carla Caffé, é voltada para estudantes de escolas públicas e para o público em geral e acontece no dia 19 de outubro, na Sala Petrobras na Mostra, que fica no Solar Fábio Prado.

A conversa com Walter Salles a respeito de sua série “Sócrates Brasileiro”, sobre o jogador de futebol do Corinthians e da Seleção Brasileira, ocorre no dia 23 de outubro, no Espaço Petrobras de Cinema, após a exibição de dois episódios em finalização.

“Sócrates Brasileiro” é apenas uma das produções da seção Mostra em Série, que apresenta ainda “Coligay – A Torcida Impossível”, de Paulo Machline, sobre a torcida gay do Grêmio criada na ditadura, “Colônia – Segunda Temporada”, de André Ristum, sobre os abusos no hospital psiquiátrico em Barbacena, “Leve Chico”, de Marianna Brennand, em que artistas reinterpretam as canções de Chico Buarque, “O Oligarca
e o Negociante de Arte”, de Andreas Dalsgaard, sobre a guerra entre dois empresários, exibida em Sundance, além do restauro da minissérie “A Casa no Bosque” (1971), de Maurice Pialat, sobre uma vila francesa durante a Primeira Guerra Mundial.

A música é um dos destaques desta 50ª edição, em obras como “Neste Quarto”, de Ana Rocha de Sousa, sobre a cantora portuguesa Carminho, que vem à Mostra para acompanhar o filme, “Tribalistas: o Baú da Hora Fértil”, de Dora Jobim; “Behemoth: uma Vida Composta em Peças”, de Tony Gilroy, “Ensaiando o Brasil”, de Elisa Bracher, sobre a Orquestra Jovem Tom Jobim; Nino – Um Filme sobre Nino Rota, de Walter Fasano, e “Joy of Joys”, de Jonathan Glazer, um curta-metragem sobre as gravações do álbum HELP(2), registradas pelos olhares de crianças londrinas, enquanto meninos e meninas em zonas de conflito documentam sua realidade.

Nascido no Chile, de nacionalidade italiana, o diretor Marco Bechis foi criado em São Paulo e Buenos Aires. Ele vem à mostra para ser homenageado com o Prêmio Humanidade e apresentar seu filme “Retorno a Buenos Aires”, exibido em competição no Festival de Veneza, sobre um ex-prisioneiro da ditadura militar argentina que volta ao país para testemunhar no julgamento dos ex-militares.

“Minotauro”, de Andrey Zvyagintsev

A 50ª Mostra exibe “O Primeiro Ano” (1972) e as três partes de “A Batalha do Chile” (1975-1979), documentários seminais de Patricio Guzmán, morto recentemente.

A restauração de “Aurora”, produção de F.W. Murnau de 1927, ganha duas sessões no Teatro Cultura Artística, nos dias 23 e 24 de outubro, com a trilha sonora executada ao vivo pela Orquestra Jazz Sinfônica. A lista de outros restauros na 50ª Mostra incluem os nacionais “Vento Norte” (1951), de Salomão Scliar, “Lá e Cá” (1995), de Sandra Kogut, e “Janela da Alma” (2001), de João Jardim e Walter Carvalho, e dos internacionais “Despedida de Ontem” (1966), de Alexander Kluge, e “Robert Wilson & The Civil Wars” (1987), de Howard Brookner.

Oito filmes recém-restaurados do cineasta armênio-soviético Artavazd Pelechian, autor de um cinema de difícil categorização, ganham espaço na mostra: “Patrulha da Montanha” (1964), “Terra do Povo” (1966), “O Começo” (1967), “Nós (1969), “As Estações” (1975), “Nosso Século (1982), “Fim” (1992) e “Vida” (1993).

O cineasta polonês Andrzej Wajda, que documentou a história de seu país no século 20 e completaria cem anos em 2026, será celebrado com a exibição de cópias restauradas de “Cinzas e Diamantes” (1958), “O Bosque de Bétulas” (1970) e “Sem Anestesia” (1978).

Vencedor do Grande Prêmio do Júri em Cannes com “Minotauro”, incluído na programação da mostra, Andrey Zvyagintsev tem seus dois primeiros longas-metragens exibidos nesta edição: “O Retorno” (2003), Leão de Ouro em Veneza, e “O Desterro” (2007), que levou o prêmio de melhor ator em Cannes para Konstantin Lavronenko. “Minotauro”, submetido pela França, é uma das 21 produções aptas a concorrer ao
Oscar de filme internacional na programação da mostra, seja por ter sido indicada por seu país ou pela nova regra dos vencedores de competições de festivais como Sundance, Cannes e Veneza.

A lista também inclui o brasileiro “Feito Pipa”, de Allan Deberton, o romeno “Fjord”, de Cristian Mungiu, Palma de Ouro em Cannes, o
dinamarquês “Mulher Desconhecida”, de May el-Toukhy, Leão de Ouro em Veneza, e o nepalês “Elefantes na Névoa”, de Abinash Bikram Shah.

Mais uma vez, a mostra tem uma programação de realidade virtual. As produções vão estar disponíveis no CineSesc e no Solar Fábio Prado. Nesta 50ª edição, o evento parte pela terceira vez para Belém, no Cine Líbero Luxardo (Avenida Gentil Bitencourt, 650, Nazaré), equipamento de cultura vinculado à Fundação Cultural do Estado do Pará, entre os dias 22 e 28 de outubro.

A tradicional itinerância promovida pelo Sesc por cidades paulistas vai ocorrer em dez unidades da instituição. Seis filmes da 50ª Mostra vão ser exibidos em Araraquara, Birigui, Campinas, Franca, Piracicaba, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, Rio Preto, São Carlos e Taubaté.

A Netflix volta a entregar um prêmio no festival. A honraria vai ser concedida a um filme brasileiro da programação da mostra que ainda não tenha contrato com um serviço de streaming.

Pela quarta vez será entregue o Prêmio Paradiso para um dos títulos selecionados da seção Mostra Brasil. A premiação vai apoiar a distribuição da obra nas salas de cinema do país. Também pelo quarto ano, o coletivo Brada, de diretoras de arte, premia a direção
de arte de um filme.

O Prêmio Queer é uma premiação independente abrigada na mostra que visa celebrar, visibilizar e fomentar a produção audiovisual LGBTQIA+ no Brasil e no mundo.

A programação completa e compra de ingressos estão disponíveis no aplicativo da mostra, que pode ser baixado a partir da próxima semana em celulares com sistemas operacionais Android, pela Google Play, e iOS, pela App Store. O programa permite ainda a criação de agenda com datas e horários dos títulos escolhidos e, para credenciados, é possível reservar entradas.

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