México assume a liderança na indústria cinematográfica latino-americana com novo incentivo à produção
Foto: Claudia Curiel de Icaza, Salma Hayek e Claudia Sheinbaum © Hazel Cárdenas/Presidência do México
Por Steve Solot
Na semana passada, em uma cerimônia realizada no Palácio Nacional, a presidente do México, Claudia Sheinbaum, ao lado da atriz indicada ao Oscar, Salma Hayek (garota-propaganda da iniciativa) e da secretária de Cultura, Claudia Curiel de Icaza, anunciou um programa integral para fortalecer a indústria audiovisual e atrair grandes produções ao país.
A iniciativa prevê incentivos econômicos e fiscais voltados especialmente a produções independentes e de povos originários. Coordenado com a Secretaria de Hacienda y Crédito Público (SHCP), o programa se baseia na revisão da Lei Nacional de Cinema de 1992, modernizando toda a cadeia produtiva.
O principal pilar do plano é um novo incentivo fiscal de 30% sobre o Imposto de Renda, na forma de “crédito fiscal transferível”, válido para projetos realizados em território mexicano. O benefício contempla longas, séries, documentários, animação e pós-produção, com gastos mínimos definidos e exigência de que ao menos 70% dos recursos sejam destinados a empresas locais.
O novo incentivo surge em um momento em que produtores buscam apoio nos estados mexicanos, sendo Jalisco o único estado com incentivo, no formato de cash rebate. No Brasil, apenas Rio de Janeiro e São Paulo contam com incentivos próprios, sem programa federal. Embora eficiente, o modelo adotado pelo México é mais burocrático que o cash rebate, apesar de já ter sido implementado com sucesso em países como Colômbia e República Dominicana.
O programa também reforça a cota de tela, amplia o período mínimo de exibição e prevê mecanismos para proteger os direitos dos dubladores diante do avanço da inteligência artificial. Além disso, busca consolidar o México como polo internacional de produção audiovisual, fortalecer sua soberania cultural e gerar empregos.
A iniciativa ocorre em um contexto internacional desafiador, marcado por ameaças de tarifas sobre produções estrangeiras pelos Estados Unidos. Segundo Claudia Curiel, o plano representa um avanço ao reconhecer o cinema como direito cultural.
Ao integrar promoção de conteúdo local, regulação tecnológica e incentivos à produção, o México se torna referência na América Latina. Resta saber se o Brasil seguirá esse exemplo, após anos de debates no Congresso.
Steve Solot é Presidente do Latin American Training Center (LATC), Senior Advisor da Albright Stonebridge Group – ASG/DGA, membro do Conselho Empresarial de Assuntos Culturais da ACRJ, e Co-Lider do Comite de Entretenimento e Turismo da Câmara de Comércio Americana do Rio de Janeiro.
