Mercado Produção Audiovisual — 06 maio 2019
O Brasil está devidamente preparado para receber muitas produções internacionais?
Ted Sarandos

Na última quarta-feira, dia 24, Ted Sarandos, diretor global de conteúdo da Netflix, anunciou, durante a palestra inaugural do Rio2C 2019, que a a empresa norte-americana vai produzir 30 filmes e séries em diferentes locais espalhados pelo Brasil, nos próximos dois anos, e acrescentou: “Vocês deveriam pensar nisso como apenas o começo”. Essa excelente notícia para o setor audiovisual brasileiro ganha ainda mais impacto devido ao momento delicado e repleto de incertezas em que vive o setor audiovisual brasileiro. Resta agora a pergunta: Estariam todas as regiões do Brasil devidamente preparadas para recepcionar tantos projetos audiovisuais simultâneos?

Nós, da Rede Brasileira de Film Commissions, entidade sem fins lucrativos, criada com o objetivo de filiar todas as film commissions do Brasil, a fim de representá-las e promover conceito de film commission para todo país, prestando serviços voltados à abertura de novas film commissions, atuamos também, sem nenhum suporte governamental, como uma film commission nacional. Realizamos o encaminhamento de solicitações de produtores estrangeiros para instâncias locais e acompanhamos a entrada em atividade por parte de todo e qualquer escritório de apoio às produções que surja no país, a fim de organizar e divulgar esse balanço em nosso website.

Justamente por estarmos incumbidos de monitorar o status de nosso setor, pudemos constatar que, ao longo de 2018, lamentavelmente, várias film commissions tiveram suas atividades interrompidas, dentre elas, por exemplo, a Bahia Film Commission, que até o momento de seu encerramento era a única film commission em atividade em toda região do nordeste. Outras regiões dotadas de alta capacidade de atração internacional, como Amazônia, Pantanal e Jalapão, também estão totalmente desprovidas de um centro de apoio à produção audiovisual. A escassez de film commissions e as grandes dificuldades enfrentadas por essas que ainda sobrevivem, como orçamentos restritos e falta de reconhecimento por outras instâncias governamentais, são, sem dúvidas, frutos da ausência de uma política publica federal voltada tanto às film commissions, quanto à atração de produções estrangeiras, pautas pleiteadas pelos membros de nosso setor desde a década passada, quando surgiram as primeiras film commissions do Brasil.

Países próximos como Chile, Colômbia e Uruguai elaboraram louváveis programas de incentivos ficais à produção audiovisual, editam e divulgam belíssimos vídeos oferecendo toda sua diversidade de locações e marcam presença em mercados internacionais através de estandes repletos de material gráfico convidando os produtores do mundo todo a irem lá realizar suas produções. Enquanto isso, o Brasil, internacionalmente, ainda restringe seus esforços a apenas exportar nossa produção nacional, como se ambas estratégias não fossem perfeitamente complementares e como se a aplicação de medidas e investimentos com intuito de aumentar a atratividade para projetos audiovisuais estrangeiros não fosse uma tendência mundial, posta em prática hoje em qualquer país desenvolvido.

Recepcionar projetos audiovisuais injeta e faz circular dinheiro na economia local, emprega toda sorte de profissões, desde padeiros e motoristas à eletricistas e maquiadores, provoca um enriquecedor intercâmbio técnico e cultural para nossos profissionais de cinema e, por fim, exporta a imagem do nosso país, trazendo, em um segundo momento, um relevante impacto turístico nas regiões retratadas nas obras audiovisuais. Para atingirmos esses objetivos, no entanto, temos que voltar nossa atenção ao resto do mundo e, em primeiro lugar, capacitar, dar respaldo e condições de trabalho a profissionais que atuem para atrair, incentivar e interagir com o produtor local e estrangeiro, operando em film commissions cada vez mais empoderadas, elevando assim nossa competitividade enquanto destino cinematográfico.

A REBRAFIC se coloca à disposição de nossos governantes e de toda sociedade para informar e prestar serviços de consultoria e treinamento sobre Film Commissions, e convida toda e qualquer Film Commission brasileira recém-formada a se filiar gratuitamente, contando assim com nosso apoio direto.

 

Por André Faria, Diretor Executivo da Rede Brasileira de Film Commissions – REBRAFIC

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(1) Reader Comment

  1. …/… minhas palavras são de incentivo à equipe da REBRAFIC pelo apoio dado ao segmento do audio visual .

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