“A Febre” conquista prêmio principal, mas “Pacarrete” soma oito estatuetas

Por Maria do Rosario Caetano

Um filme carioca, “A Febre”, com assinatura feminina, a de Maya Da-Rin, temática mais que oportuna e complexa (a questão indígena) e atmosfera onírico-realista foi o vencedor da vigésima edição do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, que distribuiu 32 estatuetas (o Troféu Grande Otelo) aos melhores do cinema brasileiro e da TV, segundo a avaliação dos integrantes da Academia Brasileira de Cinema e Artes Visuais, presidida pelo produtor Jorge Peregrino. Além de melhor filme lançado do ano de 2020, “A Febre” teve reconhecidas sua fotografia e sua montagem.

O recordista de prêmios, porém, foi o cearense “Pacarrete”, de Allan Deberton, que conquistou o mesmo numero de troféus que obtivera em noite consagradora, em Gramado, dois anos atrás (oito) – melhor filme pelo júri popular, melhor comédia, atriz (a paraibana Marcélia Cartaxo), ator coadjuvante, o baiano João Miguel), melhores roteiro original, maquiagem e trilha sonora (somando sons originais e a miscelânea de canções francesas e de outros cantos, um coquetel irresistível).

Inacreditável que não tenha sobrado nem um (unzinho!!!) Otelo para o ‘nordestern existencial’ de Geraldo Sarno, o arrebatador “Sertânia”, realizado por um diretor octogenário, tomado pela fúria criativa de um jovem inquieto. E que cercou-se de jovens igualmente inquietos. E vem cá! Se “Jojo Robit” é o melhor longa estrangeiro lançado no Brasil, em 2020, o melhor é chamar urubu de meu louro.

Já que a Academia guia-se pelo espírito da “reforma agrária de prêmios” (já são 32!!!!), que tal estabelecer comitês técnicos — como vem fazendo a quase centenária Academia de Hollywood, para dar base técnica a prêmios que exigem conhecimento especializado? Como fotografia, por exemplo! Como entender a ausência de Miguel Vassy (“Sertânia”) entre os finalistas?

Confira os vencedores:

CINEMA

. A Febre, de Maya Da-Rin (RJ) – melhor filme, melhor fotografia (Barbara Alvarez, melhor montagem ficção (Karen Akerman)
. Pacarrete, de Allan Deberton (CE) – melhor filme do juri popular, melhor comedia, melhor atriz (Marcélia Cartaxo), melhor ator coadjuvante (João Miguel), melhor roteiro original (Deberton e parceiros), melhor trilha sonora, melhor maquiagem
. M8 – Quando a Morte Socorre a Vida (RJ) — melhor diretor (Jeferson De), melhor roteiro adaptado (Jeferson e Fellipe Sholl)
. Babenco – Alguém Tem que Ouvir o Coração e Dizer Parou, de Barbara Paz (SP) – melhor documentário, melhor filme de diretor estreante, melhor montagem doc e melhor som
. Boca de Ouro, de Daniel Filho (RJ) – melhor ator (Marcos Palmeira), melhor figurino (Kika Lopes)
. Fim de Festa, de Hilton Lacerda (PE) – melhor atriz coadjuvante (Hermida Guedes)
. A Divisão, o Filme, de Vicente Amorim (RJ) – melhores efeitos especiais (Marcelo Siqueira)
. O Roubo do Século, de Ariel Winogrod (Argentina) – Melhor filme ibero-americano
. Jojo Rabbit (EUA) – melhor filme estrangeiro
. 10 Horas para o Natal, de Cris D’Amatto (RJ) – melhor filme infantil
. República, de Grace Passö (MG-SP) – melhor curta de ficção
. Filhas de Lavadeiras (Brasilia), de Edileuza de Souza – melhor curta documentário
. Subsolo, de Erica Maradona e Otto Guerra (RS) – melhor curta de animação

TELEVISÃO

. Sob Pressão – Plantão Covid — melhor série de ficção TV aberta
. Milton Nascimento e o Clube da Esquina – de Vitor Mafra – melhor série documental (Canal Brasil)
. Rock & Hudson Os Cowboys Gays – de Erica Maradona – Animação (Canal Brasil)
. Bom Dia, Verônica, de Jose Henrique Fosenca (Netflix) – série ficcional (streaming)

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