“Conclave” triunfa no Bafta e “Emilia Pérez” vence “Ainda Estou Aqui” na categoria filme internacional
Por Maria do Rosário Caetano
Os britânicos resolveram prestigiar a prata da casa. Consagraram “Conclave” (foto), dirigido pelo alemão Edward Berger, o mesmo de “Nada de Novo no Front”, na noite do Troféu Bafta, o Oscar inglês.
O diretor é germânico, mas o filme é uma produção inglesa, falada em inglês e protagonizada por Ralph Fiennes, um dos grandes atores do Reino Unido.
“Conclave” ganhou quatro troféus Bafta, prêmio representado por dourada máscara teatral. Homenagem, claro, ao bardo William Shakespeare. A opção pelo filme, na cerimônia promovida pela Academia Britânica de Cinema e Televisão, foi tão explícita, que ele derrotou nove concorrentes (alguns muitos bons e ousados, caso de “Bird”, de Andrea Arnold, e “Kneecap – Música e Liberdade”, de Rick Peppiatt) ao Bafta de melhor filme britânico. E venceu em mais duas das doze categorias que disputou, ambas importantes – roteiro adaptado e montagem.
O Brasil só concorria (com “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles) em uma categoria – melhor filme internacional. Perdeu para o francês “Emilia Pérez”, que disputava onze troféus. O que demonstra que o ousado longa de Jacques Audiard perdeu embalo, mas não na proporção desejada por seus detratores. Levou, ainda, o Bafta de melhor atriz coadjuvante para Zoe Saldaña.
Mas o representante brasileiro perdeu em boa companhia – “Tudo que Imaginamos como Luz”, da indiana Payal Kapadia, “A Semente do Fruto Sagrado”, do iraniano Mohammad Rassoulof (sob bandeira alemã) e o adrenalinado e malucão “Kneecap – Música e Liberdade”, do irlandês Rick Peppiatt (falado em boa parte no idioma gaélico).
“O Brutalista”, épico de Brady Corbet, também ganhou quatro Troféus Bafta: melhor direção, ator (Adrien Brody), fotografia e trilha sonora. Empatou, portanto, com “Conclave”. Mas perdeu o prêmio principal.
“Anora”, de Sean Baker, que vem crescendo – em prêmios setoriais dos EUA — como um dos favoritos ao Oscar, só se destacou no terreno dos intérpretes. A jovem Mikey Madison, que interpreta uma jovem dançarina e garota de programa, foi eleita melhor atriz. E o conjunto de intérpretes (que incluiu personagens russos) foi eleito o melhor elenco coletivo.
Fernanda Torres não foi indicada a melhor atriz por seu trabalho em “Ainda Estou Aqui”. Mas ela e Walter Salles foram ao Royal Festival Hall, em Londres, prestigiar a cerimônia. Muitos eleitores europeus e norte-americanos estavam presentes.
O Bafta atribuiu ao simpático “A Verdadeira Dor”, de Jesse Eisenberg, duas láureas: melhor ator coadjuvante (Kieran Culkin) e melhor roteiro original, do próprio cineasta e protagonista, que narra memórias de sua família, de origem judaica, vinda da Polônia. O ator Kieran Culkin confirmou seu favoritismo como melhor coadjuvante. Mesmo caso de Zoe Saldanã, no frigir dos ovos, a verdadeira protagonista de “Emilia Pérez”. Os dois (Zoe e Kieran) já podem preparar o discurso para a Noite do Oscar, no domingo de Carnaval.
Curiosa a vitória de “Super/Homem: A História de Christopher Reeve” no Bafta de melhor documentário. O filme concorreu com o palestino-israelense “No Other Land”, com o japonês “Diários da Caixa Preta” e os norte-americanos “Daughters” e “Will & Harper”.
Só dois títulos desses cinco documentários integram a lista de finalistas ao Oscar – “No Other Land” (um dos favoritos) e “Diários da Caixa Preta”. A Academia de Hollywood, que agrupa 10 mil associados e vem abrindo amplo espaço para representantes dos cinco continentes, assiste ao crescimento de outro candidato: “Trilha Sonora para um Golpe de Estado”, da Bélgica. O quinto concorrente é “Sugarcane”, do Canadá. O filme sobre o ator Christopher Reeve não conseguiu vaga como finalista ao Oscar.
No terreno da animação, os britânicos também valorizaram a prata da casa, atribuindo dois Bafta a “Wallace & Gromit: Avengança” – melhor longa de animação e melhor filme infantil.
Uma boa notícia para os fãs (e torcedores) de Fernanda Torres na corrida ao Oscar. Se depender dos britânicos, Demi Moore não leva a estatueta careca. “A Substância” ficou relegado a um quase ostracismo: melhor cabelo-maquiagem.
Confira os vencedores:
- “Conclave”, de Edward Berger (Reino Unido) – melhor filme, melhor filme britânico, roteiro adaptado, montagem
- “O Brutalista”, de Brady Corbet (EUA) – melhor direção, ator (Adrien Brody), fotografia, trilha sonora
- “Emilia Pérez”, de Jacques Audiard (França) – melhor filme internacional, atriz coadjuvante (Zoe Saldaña)
- “Anora”, de Sean Baker – melhor atriz (Mikey Madison), melhor elenco coletivo
- “Super/Homem: A História de Christopher Reeve” (EUA) – melhor longa documental
- “Wallace & Gromit: Avengança” (Reino Unido) – melhor longa de animação, melhor filme infantil
- “A Verdadeira Dor”, de Jesse Eisenberg – melhor coadjuvante (Kieran Culkin), melhor roteiro original
- “Kneecap, Música e Liberdade”, de Rick Peppiatt – melhor diretor ou roteirista britânico estreante: para Rick Peppiatt
- “Duna: Parte 2”, de Denis Villeneuve (EUA-Canadá) – melhor som, melhores efeitos visuais
- “Wicked”, de Jon M. Chu (EUA) – melhor figurino, melhor design de produção
- “A Substância”, de Coralie Fargeat (França-EUA) – melhor cabelo e maquiagem
- “Rock, Paper, Scissors” – melhor curta britânico
- “Wander to Wonder” – melhor curta de animação britânico