4º Curta! Festival anuncia os premiados

Foto: Premiados do Curta! Festival © Gabi Neto

Na noite da última sexta-feira, 7 de agosto, o Curta! Festival premiou os vencedores de sua quarta edição, em noite de comemoração do audiovisual independente brasileiro. O evento, realizado no Estação Claro Gávea, no Rio de Janeiro, e com transmissão ao vivo pelo YouTube do canal para todo o Brasil, consagrou os cinco vencedores das mostras Produção Canal Curta!, Outras Janelas, Brasiliana e Porta Curtas, escolhidos entre os mais de 160 conteúdos, entre filmes e séries, e disponibilizados online e gratuitamente durante o período de exibição e votação. Outras duas produções receberam o prêmio CurtaEdu e de Aquisição Canal Curta!. Os títulos dividiram mais de R$170 mil em prêmios, incluindo serviços audiovisuais cedidos pelos parceiros Quanta e Start Locadora.

Na Produção Canal Curta!, que contou com cerca de 90 conteúdos entre filmes e séries documentais, os vencedores foram o documentário “Paraíso”, de Ana Rieper, na categoria Humanidades; e a série “Raiz – Arte Afro-Brasileira”, de Fabiano Maciel, na categoria Artes. Integraram a mostra obras viabilizadas pelo FSA (Fundo Setorial do Audiovisual) que estrearam no canal entre junho de 2025 e maio de 2026. Após o voto popular indicar os finalistas, um júri técnico formado por nomes reconhecidos da cultura nacional definiu os ganhadores.

“Paraíso” debate a herança colonial no Brasil e como ela se manifesta nas estruturas e na sociedade contemporâneas, a partir de uma leitura crítica do livro “Casa Grande e Senzala”, de Gilberto Freyre. Segundo o júri, a produção foi escolhida “por ser um filme que incomoda ao explicitar, com acidez, como somos cúmplices da naturalização do racismo, do patriarcado e de outras tantas violências brasileiras”.

O corpo técnico foi formado pela doutora em História e professora da Universidade de Brasília Ana Flávia Magalhães Pinto; pelo psicanalista e professor da Universidade de São Paulo Christian Dunker; pela professora emérita da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e cineasta Consuelo Lins; e pelo jornalista e editor do Segundo Caderno, de O Globo, Marcelo Balbio.

A série “Raiz – Arte Afro-Brasileira”, com curadoria de Rosana Paulino, apresenta a obra e a trajetória de 20 artistas afrodescendentes brasileiros. Para os jurados, a produção apresentou “um expressivo painel de artistas afro-brasileiros ligados ao universo da arte contemporânea, que falam sobre o contexto, as motivações e o significado de suas obras, permitindo que se estabeleça um tipo de aproximação e entendimento que dispensa as mediações tradicionais do mercado e da crítica”.

O corpo de jurados foi composto pela diretora executiva e sócia-fundadora do Grupo Estação e cofundadora do Festival do Rio Adriana Rattes; pelo jornalista e editor da Ilustríssima, da Folha de São Paulo, Marcos Augusto Gonçalves; pela atriz e produtora teatral Marieta Severo; e pelo crítico e professor de história da arte Paulo Sérgio Duarte.

O ganhador de Outras Janelas, com 42 obras documentais, foi o longa “Sin Embargo, Uma Utopia”, de Fabiana Parra. A produção acompanha o maestro e pianista Kleber Mazziero em viagem a Cuba para celebrar seus 50 anos de carreira, explorando a realidade social do país e suas manifestações culturais. Esta foi a única mostra que teve inscrições abertas, incluindo filmes e séries nacionais produzidos a partir de 2023, com ou sem exibição prévia em TV ou streaming, e alinhados às temáticas da programação do canal: Música, Artes, Cena & Cinema, Pensamento e História & Sociedade. Nesta categoria, o público elegeu a melhor produção.

O longa-metragem “Nome Próprio”, de Murilo Salles, estrelado por Leandra Leal, foi o vencedor da mostra “Brasiliana”, uma das estreantes do festival. Participaram 14 filmes de ficção, destaques do streaming Brasiliana TV, que reúne obras clássicas e contemporâneas do cinema nacional. A produção conta a história da vida da intensa escritora Camila, estrelada por Leandra Leal.

Também debutante, a mostra Porta Curtas teve como vencedor o filme “A Alma das Coisas”, de Douglas Soares e Felipe Herzorg, que conta a história do nascimento, vida e morte de uma escultura carnavalesca, o boneco Babalotim. Participaram 17 curtas-metragens de ficção, documentário e animação que estão entre os mais assistidos na plataforma de mesmo nome. Brasiliana e Porta Curtas eram compostas por conteúdos presentes nos streamings do Grupo Curta! e ambas tiveram os vencedores definidos pelo público.

O prêmio Aquisição Canal Curta! foi para o documentário “Fernanda Abreu — Da Lata 30 Anos, o Documentário”. Dirigido por Paulo Severo, o filme revisita as gravações do álbum de 1995 da artista, com imagens inéditas de estúdio e depoimentos de Herbert Vianna, Lenine e Deborah Colker, entre outros colaboradores da época. De acordo com a equipe de curadoria do canal, a obra foi selecionada por “destacar o processo criativo colaborativo e a força de uma artista carioca cuja obra pioneira reorganizou o mercado da música e consolidou o gênero pop no cenário nacional”.

O documentário “Ciência na Mira”, de Rafael Figueiredo, recebeu o Prêmio CurtaEdu como obra com relevância para o mercado educacional “por promover uma reflexão sobre a produção do conhecimento e o papel da ciência na democracia e por reafirmar a importância do pensamento crítico”. A produção conta a história de quatro pesquisadores brasileiros e sua atuação pela divulgação científica no embate contra movimentos anticiência: a geógrafa Larissa Bombardi, o infectologista Marcus Lacerda, a antropóloga Debora Diniz e o físico Ricardo Galvão, ex-diretor do INPE.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.