Servidores da Ancine e Sindicato da Agências Reguladoras repudiam ataque hacker a sistema e cobram investigação

A Associação das Servidoras e dos Servidores Públicos da Ancine (Aspac) e o Sindicato Nacional dos Servidores das Agências Nacionais de Regulação (Sinagências) divulgaram, na tarde desta quinta-feira (15), uma nota de repúdio ao ataque hacker contra o Sistema Ancine Digital (SAD), ocorrido no feriado do dia 12. Utilizado diariamente por centenas de usuários internos e externos, o sistema ficou indisponível por aproximadamente 50 horas, prejudicando o trabalho na agência e o atendimento ao mercado audiovisual.

Com base em relatos de servidores, a Aspac fez um balanço dos prejuízos causados pelo ataque. As duas entidades que assinam uma nota de repúdio e também cobram da Polícia Federal uma investigação urgente e rigorosa, com a identificação e a responsabilização dos autores.

O SAD atende às principais áreas da Ancine, incluindo registro, fiscalização e fomento, e reúne informações sobre empresas, obras e projetos audiovisuais. Durante a interrupção, a Aspac recebeu relatos de usuários que precisavam acessar o sistema para demandas urgentes, especialmente relacionadas à fiscalização. A área também relatou interrupção no recebimento de dados de controle de bilheteria.

No fomento, houve interrupção do trabalho que depende de acesso contínuo ao sistema para as verificações necessárias à aprovação de projetos e à destinação de recursos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA). A indisponibilidade também prejudicou a área de registro, responsável pela inserção e pelo armazenamento de dados sobre empresas do setor e obras audiovisuais.

Além de interromper serviços, o ataque expôs quem tentava acessar o sistema a uma página com mensagens de ódio, simbologia nazista, ofensas à população nordestina, ameaças às universidades públicas e propaganda política. Na nota, as entidades repudiam as ideias propagadas, manifestam solidariedade aos grupos atingidos e pedem esclarecimentos sobre a segurança dos sistemas, a proteção dos dados e a continuidade dos serviços.

Durante a elaboração da nota, quando o SAD ainda estava indisponível, a Aspac consultou a ouvidoria, a diretoria da Ancine e a área de Tecnologia da Informação. A equipe técnica informou que trabalhava arduamente para recuperar o serviço, que voltou a ficar disponível no final do dia de ontem.

Também na quarta-feira (14), a Aspac e o Sinagências convocaram um ato no centro do Rio de Janeiro, em defesa da agência e contra o revogaço regulatório, que ameaça políticas públicas sob responsabilidade das agências reguladoras federais. A mobilização reuniu inúmeros apoiadores do audiovisual brasileiro. Às 16h, na região da Candelária, uma multidão se reuniu e seguiu até a Cinelândia, espaço histórico intensamente ligado à trajetória do cinema nacional e à vida cultural da cidade.

Tanto a manifestação quanto o ataque hacker ocorreram em meio a uma mobilização viral na internet em defesa da Ancine e das políticas audiovisuais brasileiras, impulsionada pela divulgação de uma carta aberta da Aspac e pela repercussão de uma reportagem da revista internacional especializada Variety, publicada em 7 de outubro. Com as hashtags #Ancine e #FicaAncine, internautas compartilharam incontáveis manifestações de apoio à agência e também voltaram a chamar atenção para o PL 994/2026, do deputado federal Capitão Augusto (PL-SP), que propõe sua extinção.

Apresentado em março, o projeto aguarda despacho da Presidência da Câmara. O mesmo deputado apresentou propostas para extinguir outras instituições públicas, entre elas a Empresa Brasil de Comunicação (PL 995/2026), o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (PL 1001/2026), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (PL 1007/2026), a Companhia Nacional de Abastecimento (PL 1005/2026) e a Fundação Nacional de Saúde (PL 1014/2026). Para a Aspac, a defesa da Ancine integra uma mobilização mais ampla pela preservação das instituições e das políticas públicas brasileiras.

No momento em que completa 25 anos, a Ancine tem sua existência e sua autonomia defendidas também na carta aberta da Aspac 2026. Para a associação, o documento traz uma notícia ainda mais relevante do que o ataque hacker: uma agenda propositiva para o futuro da agência e do audiovisual brasileiro. Seus dez passos apresentam caminhos para fortalecer a instituição e as políticas públicas de produção, circulação e acesso ao nosso audiovisual.

A carta permanece aberta à leitura e às adesões em www.cartaaspac.com. Ampliar esse apoio é uma forma de reunir a sociedade em torno de propostas para que a Ancine continue cumprindo sua missão e o audiovisual brasileiro possa se desenvolver com diversidade, autonomia e continuidade.

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