Abbas Kiarostami em retrospectiva inédita
© Marion Stalens

A restrospeciva inédita em homenagem ao cineasta Abbas Kiarostami, um dos nomes mais importantes e influentes do cinema contemporâneo, apresentará de filmes consagrados, como Gosto de Cereja (1997, Palma de Ouro no Festival de Cannes) e O Vento nos Leverá (1999, Prêmio Especial do Júri em Veneza), a raridades, como O Relatório (1977), obra considerada perdida durante muitos anos, e títulos do início de sua carreira, quando Kiarostami trabalhava no KANOON, pouco ou nunca vistos no Brasil, além de curtas e do filme-instalação Five. “Um filme, cem histórias: Abbas Kiarostami” começa no dia 13 de abril, no Rio de Janeiro, cidade que, pela primeira vez, receberá uma mostra do diretor iraniano, e depois segue para São Paulo (de 20 de abril a 9 de maio) e Brasília (de 4 a 23 de maio).

Abbas Kiarostami nasceu em Teerã, no Irã, em 22 de junho de 1940. Além de ser considerado um dos mais importantes e influentes cineastas da sua geração, é poeta, pintor, fotógrafo e ilustrador. Entre os prêmios que recebeu, está a Medalha de Ouro Federico Fellini da UNESCO (1997).

Kiarostami estudou na Escola de Belas Artes de Teerã. Em 1970, um ano após ser nomeado diretor do departamento de audiovisual do Instituto para o desenvolvimento intelectual das crianças e adolescentes (KANOON), Kiarostami assina seu primeiro curta-metragem, O Pão e o Beco, onde já apresenta a essência do seu futuro cinema.

O KANOON, entidade pública que teve grande importância no Irã, no final da década de 60, abriu portas a grandes cineastas como Bahram Beizaie, Amir Naderi, Reza Alamzadeh e Sohrab Xáid-Slaes. Responsável pela educação nas diversas áreas do conhecimento, de crianças e jovens, o conceito do instituto influenciou não somente a obra de Kiarostami, mas também de todos que por ali passaram. A questão educativa e o preceito de caminho iniciático é presente em quase toda a obra do cineasta, que também possui uma estética realista como marca.

Somente 23 anos após o lançamento do seu primeiro curta, o mundo descobre a obra de Kiarostami. Com a apresentação de Onde Está a Casa do meu Amigo? (1987), os olhos da crítica mundial caem sobre esse sujeito austero de óculos escuros. A partir daí, seus filmes foram selecionados e premiados nos principais festivais de cinema do mundo.

Abbas Kiarostami se diz diretor não de filmes, mas de semifilmes. Segundo ele, suas obras funcionariam como simples estruturas que devem ser preenchidas a partir do olhar atento do espectador. Na mostra “Um filme, cem histórias: Abbas Kiarostami”, título inspirado no texto “Um filme, cem sonhos”, de Kiarostami, o público poderá preencher essas lacunas deixadas pelo cineasta e perceber, ao longo de sua vasta filmografia, o amadurecimento e a transformação deste grande artista.

Entre os destaques da programação, estão ainda a exibição, em cópias 35mm, de seu primeiro curta O Pão e o Beco (1970) e de seu primeiro longa A Experiência (1973), além de títulos como Close-up (1990), E a Vida Continua (1992), Através das Oliveiras (1994) e Cópia Fiel (2010). Vale destacar também a exibição de longas-metragens menos conhecidos de Kiarostami, como ABC África (2001), Dez sobre 10 (2004) e Shirin (2008) e dos filmes coletivos A Propos de Nice, la Suite (1995), Tickets (2004) e Cada um o seu Cinema (2007).

Será promovida uma palestra sobre a obra de Kiarostami com o crítico de cinema Luis Carlos Jr., no dia 28 de abril, às 19h. E, durante a mostra, será lançado um livro-catálogo, de aproximadamente 300 páginas, com filmografia, textos especialmente produzidos e traduções inéditas de pensadores como François Niney, Alain Bergala, Laura Mulvey, Jonathan Rosembaum, Alberto Elena, entre outros.

A programação completa da mostra pode ser conferida no site www.bb.com.br/cultura.

 

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