Ampliar a participação no mercado de novos talentos e de realizadores negros, mulheres e indígenas; estimular a descentralização do setor audiovisual e a produção de conteúdo infantil e transmídia. Esses são os objetivos centrais do primeiro conjunto de editais do programa #AudiovisualGeraFuturo, lançado nesta quarta-feira (7/2), em Brasília, pelo Ministério da Cultura (MinC).

As 11 linhas anunciadas serão operadas pela Secretaria do Audiovisual (SAv) do MinC e contam com recursos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA). Ao todo, o programa #AudiovisualGeraFuturo disponibilizará R$ 1 bilhão ao longo de 2018, por meio de linhas operadas pela SAv e pela Agência Nacional do Cinema (Ancine). Editais de linhas operadas pela Ancine serão lançados em março.

Em termos de volume de projetos e de recursos financeiros, trata-se do maior pacote de editais já realizado pela Secretaria de Audiovisual do MinC. Serão disponibilizados R$ 80 milhões para cerca de 250 projetos, por meio de 11 editais voltados para desenvolvimento, produção e difusão. Em todos, há indutores que visam promover a inclusão e reduzir as desigualdades no setor audiovisual.

Todos os editais serão publicados no Diário Oficial da União, até o dia 26 de fevereiro. A partir da publicação, as inscrições poderão ser feitas pelo portal do Ministério da Cultura, www.cultura.gov.br.

Cotas de gênero e raça foram adotadas a partir de estudo feito pela Agência Nacional do Cinema (Ancine) e divulgado em janeiro de 2018. Tendo como base os 142 longas-metragens brasileiros lançados comercialmente em salas de exibição no ano de 2016, o estudo apontou que 75,4% foram dirigidos por homens brancos. As mulheres brancas assinaram a direção de 19,7%. Apenas 2,1% foram dirigidos por homens negros. Nenhum foi dirigido ou roteirizado por mulheres negras.

Seguindo a política de desconcentração adotada pelo Ministério da Cultura, e buscando estimular a produção audiovisual em todas as regiões do país, cotas regionais foram estabelecidas para todos os editais: ao menos 30% para Norte, Nordeste e Centro-Oeste; e ao menos 20% para Sul, Minas Gerais e Espírito Santo.

Do total de recursos, R$ 53,6 milhões são direcionados para 106 projetos de produção, incluindo longas, curtas, jogos eletrônicos e narrativas transmídia (projetos que incluem produtos voltados para diferentes plataformas e planejados de forma integrada). A maioria dos editais incentiva a geração de conteúdos voltados para a infância, um público que tem ganhado cada vez mais importância; e para o qual a produção brasileira ainda é restrita.

Um total de R$ 10,4 milhões será destinado a 57 projetos de desenvolvimento. Nesta linha, serão R$ 6 milhões para projetos que tratam dos 200 anos da Independência do Brasil, a ser celebrada em 2022, e outros R$ 4,4 milhões para o desenvolvimento de projetos voltados à infância. A abordagem é livre.

A terceira linha traz uma novidade: serão R$ 16 milhões a serem aplicados em 85 projetos de mostras, festivais e eventos do mercado audiovisual – uma linha de financiamento inédita via Fundo Setorial do Audiovisual (FSA). O objetivo é incentivar a difusão das produções brasileiras nos mercados interno e externo, despertando maior interesse do público e estimulando o crescimento do setor.

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