Making of Produção Cinema — 03 março 2020
José Eduardo Belmonte se prepara para lançar quatro longas
Cena de "O Pastor e o Guerrilheiro"

Por Maria do Rosário Caetano

Poucos meses atrás, o cineasta brasiliense José Eduardo Belmonte, de 49 anos, lançou seu nono longa-metragem, “Carcereiros”, baseado em livro homônimo do médico e escritor Drauzio Varella. Trabalhador incansável, ele tem mais quatro – sim quatro! – filmes prontos ou em finalização para temporada nos cinemas (ou festivais) ao longo deste ano e primeiro semestre de 2021.

O primeiro a chegar ao público será “Auto da Boa Mentira”, agendado para o próximo mês de junho. Depois, em agosto, ele lançará “Alemão 2”, sequência de seu maior sucesso comercial, “Alemão”, de 2014, visto por quase um milhão de espectadores.

Com data de lançamento por definir, e já concluído, surge o terceiro título de Belmonte, que Nelson Rodrigues definiria como verdadeiro “remador de Ben-Hur” do nosso audiovisual: “As Verdades”, protagonizado por Lázaro Ramos.

O quarto filme – “O Pastor e o Guerrilheiro” – ocupou o cineasta (que trabalha, também e incansavelmente, em séries de TV) nas últimas semanas, em filmagens em Brasília, cidade onde nasceu e estudou Cinema (na UnB), e no estado de Tocantins.

Na produção de “O Pastor e o Guerrilheiro” está o polivalente Nilson Rodrigues, exibidor (do Circuito Cultura Liberty Mall), ex-diretor dos festivais do Pantanal e de Brasília, ex-integrante da diretoria colegiada da Ancine e responsável por filmes como “O Caminho das Onças” (Sérgio Sanz, 1997) e “O Outro Lado do Paraíso” (André Ristum, 2014). O novo longa belmontiano deve ser finalizado, ao que tudo indica, para iniciar carreira no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro ou no Festival do Rio, no final deste ano. E tem sua estreia anunciada para 2021.

Belmonte estreou no longa-metragem com “Subterrâneos” e “A Concepção”, dois filmes que tinham em Brasília e seus personagens suas razões de ser. Causou sensação com o cassavetiano “Se Nada Mais Der Certo”, vencedor do Festival do Rio. Quem, porém, pensou que ele ia dedicar-se só a filmes autorais, enganou-se. Depois do sucesso de “Alemão”, foi convidado para assinar títulos que buscavam diálogo com o grande público. Mas não só (vide “O Gorila”).

O cineasta brasiliense conta que o inédito “Auto da Boa Mentira” é fruto de roteiro escrito a quatro mãos por João Falcão e Tatiana Maciel. Os dois escritores mergulharam nas “Aulas-Espetáculo” de Ariano Suassuna (1927-2014) e delas retiraram “causos”, todos muito engraçados. Construíram um roteiro à moda de “Relatos Selvagens”, blockbuster argentino, feito de episódios, e de filmes italianos dos anos 1960 (como “Rogopag”, “O Amor na Cidade” ou “Boccaccio 70”).

Já “As Verdades”, produzido pela Gullane, dos irmãos Caio e Fabiano, em parceria com a Globo Filmes, tem no elenco Lázaro Ramos, Drica Moraes, Bianca Bin, Zécarlos Machado e Thomás Aquino (este do elenco de “Bacurau”). Trata-se de um thriller policial, no qual Lázaro interpreta um delegado, que ouve três versões diferentes sobre um mesmo crime (o assassinato do prefeito de pequeno município situado no litoral da Bahia).

“Alemão 2”, sequência do maior sucesso comercial de Belmonte (2014, com Cauã Reymond à frente do elenco), continua sob o comando do mesmo produtor, o influente Rodrigo Teixeira, da RT Features. Mas o protagonista, agora um comandante de batalhão policial, é o baiano Vladimir Brichta. A parte dois se passa, claro, no Morro do Alemão (conflagrado pelo tráfico de drogas), na cidade do Rio de Janeiro, justo no complexo momento em que houve o desmonte do projeto das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora). Estreia no segundo semestre (dia 13 de agosto).

“O Pastor e o Guerrilheiro” é um drama político-social de época. Nilson Rodrigues, seu produtor, autor do argumento e roteirista (ao lado do escritor José Rezende Junior, de Belmonte e de Josefina Trotta, responsável pela versão final) conta que a trama se desenvolve “em dois tempos, nas décadas de 1960, após o início da ditadura militar, e de 1990 (nos últimos dias de 1999)”.

“A ideia original do filme” – lembra o argumentista e corroteirista – “nasceu da leitura da biografia do ex-guerrilheiro Glênio Sá (1950-1990), da trajetória do ex-deputado (e integrante da Guerrilha do Araguaia) José Genoíno e de outras pessoas que conheci”.

A trama, portanto ficcional, começa em 1968. Após a invasão da universidade onde estuda, João (Johnny Massaro), um jovem militante comunista, resolve abandonar os estudos (filmagens foram realizadas no ICC – Instituto Central de Ciências, coração arquitetônico da UnB) para integrar-se à força guerrilheira na Amazônia. Preso, ele é torturado e encaminhado para penitenciária em Brasília, onde conhecerá Zaqueu (César Mello), um cristão evangélico preso por engano. Submetidos ambos a sessões de tortura, eles se ajudam e marcam encontro para 27 anos depois, à meia-noite, na virada do milênio, na Torre de TV de Brasília.

“O filme” – promete Nilson – “fugirá dos estereótipos reducionistas dos evangélicos”. Em 1999, o pastor Zaqueu, já velho e marcado pelo passado, vive em conflito com o filho, que pretende montar outra igreja, com fins mercantilistas. Juliana (Julia Dalavia), filha ilegítima de um coronel, descobrirá que o pai foi o torturador de João e de Zaqueu. O encontro marcado pelos dois, na Torre de TV, terá desfecho diferente do combinado.

Nilson Rodrigues, através de sua Mercado Filmes, permitiu a José Eduardo Belmonte mobilizar profissionais de reconhecida qualidade, caso da diretora de fotografia uruguaio-brasileira Bárbara Alvarez (a mesma de “Whisky”, de Stoll e Rebella, e “A Mulher sem Cabeça”, de Lucrécia Martel), figurinos de Diana Brandão, música de Sascha Kratzer e direção de arte de Ana Paula Cardoso. Completam o elenco, profissionais experientes como Cássia Kiss, Sérgio Mamberti, Antonio Grassi, Buda Lira, Ricardo Gelli e os jovens Ana Hartmann e William Costa.

 

FILMOGRAFIA
José Eduardo Belmonte
(Brasília, 27/07/1970)
Formado em Cinema pela UnB (Universidade de Brasília)

2003 – “Subterrâneos” (Brasília)
2005 – “A Concepção” (Brasília)
2007 – “Meu Mundo em Perigo” (Brasília-São Paulo)
2009 – “Se Nada Mais Der Certo” (Rio de Janeiro)
2012 – “O Gorila” (Rio de Janeiro-São Paulo)
2012 – “Billi Pig” (Rio de Janeiro)
2014 – “Alemão” (Rio de Janeiro-São Paulo)
2016 – “Entre Idas e Vindas” (Rio de Janeiro-Goiás)
2019 – “Carcereiros” (Rio de Janeiro- São Paulo)
2020 – “Alemão 2” (Rio-São Paulo)
2020 – “Auto da Boa Mentira” (Rio de Janeiro)
2020 – “As Verdades” (Rio de Janeiro-Bahia)
2021 – “O Pastor e o Guerrilheiro” (Brasília-Tocantins)

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