Festival Diaspóricas de Cinema e Música Negra recebe inscrições de filmes e videoclipes dirigidos por mulheres negras
Goiânia volta a ser palco do Festival Diaspóricas de Cinema e Música Negra e ganha um dia a mais de programação. O evento chega à sua 2ª edição entre os dias 12 e 14 de novembro, no Centro Cultural da Universidade Federal de Goiás (CCUFG). O festival une cinema, música e afroempreendedorismo, oferecendo mostras, feira, shows, oficinas e o 1º Encontro de Mulheres Negras do Cinema de Goiás, com mesas temáticas. A entrada é gratuita, aberta e acessível a toda a comunidade.
Pioneiro no estado com foco na produção artística de mulheres negras, o Festival Diaspóricas de Cinema e Música Negra é realizado pela Coletiva Diaspóricas, em co-realização com a Aniz Produções e o Labamba Estúdio. O evento conta com a parceria do Sebrae em atividades formativas voltadas para afroempreendedoras nos períodos pré e pós-evento, integrando a Feira Anadir Cezario de Afroempreendedoras e o 1º Encontro de Mulheres Negras do Cinema de Goiás.
Alinhada a essa proposta de protagonismo e formação, o festival contará com duas mostras que reúnem obras das cinco regiões brasileiras, com destaque para cineastas do Centro-Oeste. A Mostra de Videoclipes (não competitiva) selecionará produções dirigidas por mulheres negras, tendo o som autoral de artistas independentes como elemento central de sua narrativa.
Já a Mostra Marta Cezaria de Curtas-Metragens selecionará filmes (ficção, documentário, animação, experimental ou híbrido) dirigidos ou codirigidos por mulheres negras. As obras devem ter de 5 a 30 minutos de duração e finalização a partir de janeiro de 2023. Todas as obras selecionadas receberão taxa de licenciamento e, na Mostra Marta Cezaria que tem caráter competitivo, também haverá premiação em dinheiro e troféu assinado pela artista visual goiana Dara. Os filmes concorrem nas categorias de Melhor Filme (júri popular), Melhor Direção, Melhor Roteiro, Melhor Montagem e Melhor Trilha Sonora.
A mostra homenageia Marta Cezaria, pioneira do movimento negro feminista em Goiânia. Cineasta que estreou na área aos 60 anos, Marta percorreu quilombos goianos e entrevistou 152 mulheres para o documentário “Se Eu Fosse uma Flor” (2013). Ela também é fundadora da ONG Grupo de Mulheres Negras Dandara no Cerrado e figura central na luta contra o racismo e o sexismo em Goiás.
Ambas as mostras contam com cotas regionais de seleção e debates com as realizadoras após as exibições. As cineastas selecionadas receberão hospedagem, alimentação e transporte gratuitos fornecidos pelo festival. As inscrições seguem abertas até o dia 27 deste mês. O regulamento e o formulário de inscrição estão disponíveis no Instagram do evento https://www.instagram.com/festivaldiasporicas.
A programação também conta com oficinas e mesas temáticas com presenças confirmadas de cineastas como Juh Almeida, Glenda Nicácio e Renata Diniz, além da iniciativa inédita do 1º Encontro de Mulheres Negras do Cinema de Goiás, que reunirá trabalhadoras do cinema e audiovisual goiano com membros da Associação de Profissionais do Audiovisual Negro (Apan). A iniciativa busca potencializar estratégias de ação para valorização do cinema negro do Centro-Oeste.
