Setor cultural lança manifesto em apoio a Lula, mas cobra novo ciclo no Ministério da Cultura
Um expressivo coletivo de 100 artistas, intelectuais, produtores e lideranças culturais de diversas regiões do Brasil lançou o manifesto intitulado “A cultura está com Lula e pede mudanças”. O documento declara apoio enfático à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reconhece os esforços de reconstrução institucional e de recomposição orçamentária após o desmonte do setor em gestões anteriores, mas faz um alerta crítico: as políticas culturais atuais estão aquém da potência do setor e exigem um salto qualitativo urgente.
Entre os signatários estão expoentes de várias gerações e linguagens, como os cineastas Gabriel Mascaro, Laís Bodanzky, Juliano Dornelles, Joel Zito Araújo e Sérgio de Carvalho; os dramaturgos e diretores teatrais Antônio Araújo e a produtora Gabriela Gonçalves; o escritor e biógrafo Fernando Morais; a jornalista Tereza Cruvinel; a artista visual e educadora Rosana Paulino; o músico e compositor Lirinha; e a liderança indígena e ambiental Benki Ashaninka.
O texto pontua que, embora o terceiro mandato de Lula tenha cumprido compromissos históricos como a recriação do Ministério da Cultura (MinC) e o aporte de novos recursos, os resultados práticos permanecem tímidos. Os signatários defendem que o MinC deixe de atuar meramente como um “gestor de editais e leis de incentivo” e assuma protagonismo na formulação de políticas públicas consistentes para autarquias como a Ancine, o Iphan e a Funarte.
O manifesto insere a cultura em debates econômicos e geopolíticos estruturantes. O grupo pede uma postura incisiva do governo federal contra o extrativismo de grandes corporações internacionais (big techs e plataformas de streaming), a proliferação das casas de apostas virtuais (bets) e o esvaziamento de políticas públicas causado pela destinação fragmentada de emendas parlamentares.
Para os articuladores da carta, indústrias como o audiovisual, a música e o setor editorial precisam ser encaradas formalmente como setores estratégicos para a geração de divisas e integradas ao plano de neoindustrialização e desenvolvimento soberano do Brasil.
Somam-se aos nomes que subscrevem o documento em apoio à Lula eles, o ator Caio Blat; o cantor, compositor, instrumentista, ator, cineasta e produtor musical brasileiro Andre Abujamra; a jornalista Tereza Cruvinel, analista política de Brasília e primeira presidenta da Empresa Brasil de Comunicação (EBC/TV Brasil); o realizador acreano Sérgio de Carvalho; Luiza Romão, aclamada poeta, atriz e slammer brasileira que venceu o Prêmio Jabuti nas categorias de Poesia e Livro do Ano; o editor Sergio Cohn; Henrique Rodovalho, à frente da icônica Quasar Cia de Dança; e Sandro Borelli, consagrado coreógrafo e bailarino.
Acesse aqui a carta em apoio à Lula e o pedido de um novo rumo para a política de cultura.
