Audiovisual brasileiro recebe R$ 1,41 bilhão em 2025

O ano de 2025 marca uma transformação histórica para o audiovisual brasileiro. Com R$ 1,41 bilhão em recursos efetivamente desembolsados, o setor registra o maior volume de investimento contabilizado na série histórica, superando em 29% o desempenho de 2024 e representando um crescimento de 179% em relação a 2021. O investimento impulsiona a cadeia produtiva do audiovisual com a geração de emprego e renda para a economia brasileira, promovendo bem-estar e benefícios para a sociedade, na forma de entretenimento, cultura e cidadania.

Atualmente 1.556 projetos audiovisuais estão em execução, apoiados e induzidos pelo fomento da Agência Nacional do Cinema (Ancine). São projetos que contam com recursos públicos efetivamente desembolsados. Outros 3.697 projetos estão em fase de captação pelas Leis de Incentivo ou em contratação de recursos pelo Fundo Setorial do Audiovisual (FSA). Os números expressivos revelam as potencialidades do audiovisual brasileiro e a grandeza dos desafios institucionais da Ancine.

Com mais recursos disponibilizados e com o ganho na capacidade operacional da Ancine, o resultado é mais obras audiovisuais brasileiras chegando ao mercado, em diferentes formatos.

Em 2025, o número de obras brasileiras não-publicitárias registradas na Ancine manteve a trajetória de crescimento iniciada em 2023, tendo batido um recorde, com 3.981 registros, um acréscimo de 4% em relação a 2024, com 3.829, recorde anterior. Do total de registros em 2025, 2.500 referem-se a obras brasileiras independentes, versus 2.343 em 2024, um aumento de 6,7%. Além disso, houve o aumento pelo segundo ano consecutivo no número de registros de obras de produtoras sediadas nas Regiões Centro Oeste, Norte e Nordeste, 810 registros, um crescimento de 9% em relação ao recorde anterior (743 registros em 2024).

Em 2025, a Ancine iniciou um processo de transformação digital, especialmente a partir da implementação do Cadastro Único de Projetos (CUP) e, consequentemente, do início da integração, da atualização e da evolução dos sistemas da Ancine, visando melhorar a eficiência, a qualidade e a transparência dos serviços prestados. No mesmo ano, a agência fez o lançamento da versão modernizada do Observatório do Cinema e do Audiovisual (OCA), com o destaque para os painéis interativos com a disponibilização de informações confiáveis, acessíveis e organizadas do setor audiovisual – essenciais para o fortalecimento da governança, a qualificação da tomada de decisões de mercado, a orientação de investimentos, além do estímulo aos estudos e pesquisas sobre o setor.

Com um novo modelo de governança do fomento, que associa inovação e transparência, os resultados tornam-se públicos para os setores público e privado, assim como para os interessados e toda a sociedade. A divulgação das boas práticas de governança, dos investimentos e dos resultados é uma prestação de contas que legitima as políticas públicas setoriais que fortalecem e consolidam a atual trajetória de crescimento do audiovisual brasileiro.

Fundo Setorial do Audiovisual atinge patamares inéditos

O FSA consolida-se como motor principal do desenvolvimento do setor, combinando disponibilização e contratação recorde de valores, ampliação territorial – regionalização – e fortalecimento das linhas estruturantes do fundo. Os investimentos do FSA para o financiamento de filmes e séries alcançaram os maiores valores da série histórica; e as operações de crédito atingiram abrangência inédita, apoiando iniciativas de infraestrutura, inovação e formação, bem como de criação, comercialização e internacionalização do conteúdo brasileiro. E mais, a operação do FSA se deu de maneira coordenada e conjunta aos demais mecanismos de fomento, especialmente as Leis de Incentivo:

  • FSA Investimento: R$ 564,3 milhões contratados, o maior valor da série histórica, com ampliação do valor médio por projeto para viabilizar produções de maior capacidade comercial, além da retomada da opção de financiamento de projetos voltados ao desenvolvimento de roteiros;
  • FSA Crédito: R$ 411,1 milhões destinados à infraestrutura, modernização de estúdios e aquisição de equipamentos. Destaque para as primeiras operações de financiamento de carteiras de criação de conteúdo, fortalecendo a competitividade de filmes e séries brasileiros; e
  • Leis de Incentivo: R$ 437,8 milhões liberados, mantendo papel fundamental na diversificação das fontes de financiamento e reduzindo a dependência de mecanismos únicos.

As melhorias de governança do FSA ampliaram a eficiência operacional do fundo sem comprometimento das demais fontes de financiamento do audiovisual brasileiro e da efetiva fiscalização dos recursos públicos envolvidos:

  • Em 2025, o FSA supera o recorde de investimentos de filmes e séries de 2018, ultrapassa também os patamares de crédito de 2020;
  • As operações do FSA são coordenadas com as Leis de Incentivo, que preservam aportes relevantes e expressivos para o setor audiovisual e que tiveram seu recorde de financiamento em 2023 – R$ 568,1 milhões; e
  • Em 2025, especialmente diante da adoção do Malha Fina Ancine, mas também considerando as melhorias de gestão implementadas, o Tribunal de Contas da União (TCU) deu por cumpridas as providências para redução do estoque de prestação de contas de projetos audiovisuais que colocava em risco e trazia instabilidade para a operação do FSA, reconhecendo a correção de rumos e a adequação da agência à legislação vigente (Acórdão n° 198/2025 – Plenário).

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