Silvio Da-Rin recebe homenagem do Canal Brasil

Foto © Maria do Rosário Caetano

Nesta sexta-feira (30/01), às 22h30, o Canal Brasil presta uma homenagem ao documentarista Silvio Da-Rin, que morreu nesta quinta-feira (29/01), aos 77 anos. A programação especial exibe o Cineastas do Real, apresentado por Amir Labaki, que revisita a trajetória e o pensamento de um dos nomes centrais do documentário brasileiro, em uma entrevista dedicada à obra e às escolhas estéticas que marcaram sua carreira.

No episódio, Silvio Da-Rin fala sobre sua experiência como técnico de som e a influência direta do ofício na construção de sua relação com o set de filmagens, além de comentar sobre títulos fundamentais de sua filmografia, como “Fênix” (1980), “Príncipe do Fogo” (1984), “Igreja da Libertação” (1985) e “Hércules 56” (2006). O cineasta também aborda o processo de elaboração deste último filme, cuja narrativa dialoga com seu balanço pessoal sobre a luta armada durante a ditadura militar no Brasil, refletindo ainda sobre temas e contextos que, segundo ele, poderiam ter sido aprofundados em alguns de seus trabalhos.

Silvio Da-Rin (1949-2026) foi um cineasta, documentarista e técnico de som nascido no Rio de Janeiro, cuja carreira se estendeu por mais de quatro décadas no audiovisual brasileiro. Formado em Comunicação Visual pela Escola Superior de Desenho Industrial e aperfeiçoado em som para cinema na Universidade da Califórnia em Los Angeles, Da-Rin iniciou sua trajetória nos movimentos cineclubistas ainda na adolescência e se tornou um dos presidentes da Federação de Cineclubes do Rio de Janeiro. Ao longo de sua carreira, contribuiu como técnico de som em cerca de 150 produções nacionais e dirigiu filmes reconhecidos como “Fênix” (1980), “Príncipe do Fogo” (1984), “Hércules 56” (2006) e “Paralelo 10” (2011), abordando temas históricos e políticos com relevância documental e reflexão crítica.

Além de sua atuação artística, Da-Rin teve papel significativo na formulação de políticas públicas para o cinema no Brasil. Foi Secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura entre 2007 e 2010, período em que esteve à frente de iniciativas voltadas à estruturação do setor audiovisual federal. Também se destacou como dirigente em associações da classe cinematográfica, como a Associação Brasileira de Cineastas e a Associação Brasileira de Documentaristas, e publicou o livro “Espelho Partido: Tradição e Transformação do Documentário”, obra que consolidou sua reflexão teórica sobre o cinema documental.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.