Rajamouli, diretor de “RRR – Revolta, Rebelião, Revolução”, recebe Troféu Cakoff e ministra masterclass na Mostra SP

Por Maria do Rosário Caetano

O cineasta S.S. Rajamouli, criador do maior sucesso da história do Tollywood – o épico “RRR – Revolta, Rebelião, Revolução”, blockbuster de Tollywood, – receberá, nessa segunda-feira, 19 de outubro, o Prêmio Leon Cakoff da quinquagésima edição da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Depois da sessão do filme, ele ministrará masterclass sobre sua trajetória no cinema, marcada por grandes êxitos populares. Com a Netflix na retaguarda, o realizador de expressão Telegu (daí o Tollywood), chegou ao Ocidente.

A cerimônia de premiação acontecerá no Solar Fábio Prado, na Avenida Faria Lima, às 17h30. O cineasta apresentará pessoalmente seu filme mais famoso, o único que conseguiu romper fronteiras linguísticas e geográficas a ponto de tornar-se um dos maiores blockbusters da história de seu país, o mais populoso do mundo (sim, a Índia superou a China).

“RRR” causou sensação nas cerimônias do Globo de Ouro e do Oscar 2023, duas vitrines de imensa repercussão. E conseguiu triunfar em ambos e na mesma categoria (melhor canção) com a arrebatadora e dançante “Naatu Naatu”, de M.M. Keeravani e Chandrabose. Já os críticos norte-americanos, aqueles que elegem os melhores filmes do ano, com entrega pública de troféus, não se deram por vencidos. Atribuíram a “Revolta, Rebelião, Revolução” o Critics’ Choice Award de melhor filme estrangeiro.

S.S. Rajamouli tem 53 anos e quase uma dezena de longas-metragens em seu currículo. Ele está finalizando “Varanasi”, outro épico que deve causar sensação e superar novos desafios. O maior deles: ampliar o alcance do “fenômeno pan-indiano”, ou seja, retirar as mais diversas vertentes cinematográficas do país de Satyajit Ray dos limites asiático-africanos. E, assim, conquistar públicos ocidentais.

“RRR – Revolta, Rebelião, Revolução” nasceu como mais um filme de Tollywood (cuja base é Calcutá, cidade de 16 milhões de habitantes). Mas, por suas qualidades, conseguiu somar plateias da badalada Bollywood e de outros derivados cinematográficos (como Mollywood, Kollywood) da velha e hegemônica Hollywood estadunidense, meca do cinema planetário. Graças à capilaridade da Netflix, “RRR” atraiu públicos da Europa e das Américas do Norte, Central e Sul. A empresa mais poderosa do streaming mantém o filme em sua programação desde 2022.

A Mostra SP sempre dedicou espaço especial ao cinema indiano. Ano passado, festejou os 50 anos de “Sholai”, outro épico que fez história e tornou-se um dos maiores blockbusters indianos. Um ano antes, o festival paulistano havia promovido Retrospectiva Satyajit Ray, dedicada ao mestre do cinema social indiano. E muitos, mas muitos, filmes vindos do grande país asiático, foram exibidos nas múltiplas edições do festival paulistano. Ano passado, o país dos musicais dançantes causou sensação com o longa “Homebound”, de Neeraj Ghaywang, que teve coprodução de Martins Scorsese e figurou na short list (15 semifinalistas) de indicados ao Oscar de melhor filme internacional.

“RRR – Revolta, Rebelião, Revolução”

A trama de “RRR – Revolta, Rebelião, Revolução” é irresistível. Ao somar folhetim, história de luta contra a opressão (Império Britânico versus indianos em busca da independência), muita música e coreografias inacreditáveis, Rajamouli construiu coloridíssima e arrebatadora ópera popular. A trama se desenvolve na década de 1920, numa Índia subjugada pela Coroa britânica. Dois jovens amigos, no auge da beleza e virilidade, usam todas as suas forças (os personagens são criações ficcionais) para enfrentar o poder do Império. Alluri Sitarama Raju e Komaram Bheem transformam-se em lendas junto a seus povos. De forma gradual, eles vivenciam, primeiro, a revolta. Depois, armam a rebelião. Até vislumbrar o triunfo revolucionário. Que, na prática, chegaria em agosto de 1947, quando, sob a liderança de um herói de carne e osso (Ghandi), a Índia colocaria termo a quase 200 anos de opressão colonial.

Que ninguém busque veracidade histórica na trama de (ágeis) 179 minutos. “RRR” é pura ficção e o que seus dois protagonistas querem é divertir a plateia com muito humor, números de dança empolgantes, cantos hipnotizantes e aventuras rocambolescas. E efeitos especiais de tirar o fôlego.

S.S. Rajamouli, que foi reconhecido em seu país natal com o Prêmio Padma Shri, mais alta honraria civil do país asiático, tem agora um imenso desafio pela frente: fazer “Varanasi” tornar-se êxito similar ou maior que “RRR”. Ou seja, transformar seu novo épico em um “filme pan-indiano”, capaz de conectar públicos de diferentes idiomas e culturas. Em seu país natal e no Ocidente.

A Revista de CINEMA assistiu, em abril último, no Panorama de Cinema da Bahia, ao trailer de “Varanasi”. Ele foi apresentado por Naveen KL, executivo da indústria cinematográfica de Tollywood. O que se viu é de grandeza impressionante. Os espectadores, que participavam do Seminário da Aexib (Associação de Pequenos e Médios Exibidores) aplaudiram com entusiasmo.

KL ofereceu dados impressionantes sobre a indústria cinematográfica de seu país: 90% dos filmes exibidos em solo indiano são realizados in loco (sobram apenas 10% para Hollywood), são produzidos, anualmente, 1.800 títulos nas várias regiões da Índia (três vezes mais que os EUA) e o país conta com 19.500 salas de exibição.

 

FILMOGRAFIA
S.S. Rajamouli
Roteirista, diretor e produtor nascido em Karnataka, em 10 de outubro de 1973

2001 – “Student No. 1”
2006 – “Vikramarkudu”
2009 – “Magadheera”
2012 – “Seu Crime, seu Sofrimento”
2015 – “Baahubali: O Início”
2017 – “Baahubali 2: A Conclusão”
2022 – “RRR – Revolta, Rebelião, Revolução”
2027 – “Varanasi” (em finalização, com estreia prevista para abril do próximo ano)

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