Almanaque da Rosário — 12 outubro 2016

Será que a “cordialidade brasileira” – advinda de nossa condição de seres afetivos guiados mais pelo coração (e relações de parentesco) que pela razão – é responsável pela monotonia de nossas festas de distribuição de prêmios? Quem assistiu à entrega de troféus em nossos festivais e, principalmente, na noite do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, depara-se com apresentações laudatórias dos premiados e com agradecimentos a pais, mães, parentes, enfim.

Já os espanhóis e hispano-americanos, parecem mais dispostos a seguir a verve picaresca, que remonta ao anônimo romance “Lazarilo de Tormes” e à matriz máxima da grande literatura do riso, o “Dom Quixote” cervantino. Em julho último, no Uruguai, a terceira festa dos Prêmios Platino comprovou que, entre os hermanos, o humor é muito bem-vindo. Os apresentadores escalados continuam sendo grandes cômicos (como o mexicano Eugenio Derbet e o espanhol Santiago Segura) com licença para provocar. O que aconteceria, no Brasil, se alguém dissesse, em alto e bom som, na cara de um concorrente, que ele fora trocado (como no cartaz argentino de “Truman”) por um “perro”, capaz de vender mais ingressos. Pois isto, foi feito cara a cara com Javier Cámara, ator de ponta do cinema espanhol. Outro exemplo: depois de dizer que o chicano Edward James Olmos conseguira a façanha de representar, em “Miami Vice”, o papel do tenente Martin Castillo, e não o de um narcotraficante, veio o fecho: “deve ser mesmo muito bom ator, porque na realidade tem cara de… narcotraficante”.

Na concorrida entrevista uruguaia de Darín, o colombiano Arciénaga arrancou risos fartos quando avisou que dirigiria ao astro argentino a mesma pergunta que fizera a um conterrâneo, o ator Andrés Parra (festejado protagonista da bem-sucedida série “Pablo Escobar – El Patrón del Mal”) Parra, se você não fosse ator, o que seria? “Atriz”, respondeu o varão.

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