40 filmes e debates movimentam 3ª edição do Seminário do Audiovisual Negro
“Negrum3”, de Diego Paulino

A terceira edição do Seminário do Audiovisual Negro, que se faz acompanhar de uma mostra de cinema, vai apresentar, até o sábado, 24 de novembro, 40 filmes, em 22 espaços paulistanos, espalhados pela Bela Vista, Perus e Campos Elíseos, e também por Diadema, no ABCD paulista, e em Guarulhos.

O evento é organizado pela APAN – Associação dos Profissionais do Audiovisual Negro, instituição criada em 2016, para congregar realizadores afro-brasileiros, oriundos das cinco regiões do país. Todas as atividades, sejam filmes, debates ou palestras, serão gratuitas. O público poderá assistir a um longa-metragem brasileiro-senegalês (“Kabadio – O Tempo Não Tem Pressa, Anda Descalço”) e dezenas de curtas, curtíssimos e médias-metragens (destaque para o pernambucano “Entremarés”, de Anna Andrade, e o paulista “Negrum3”, de Diego Paulino). Há obras ficcionais e documentais, filmes infantis, webséries, dramas, romance, videoclipe e filmes de terror.

Os curadores da Mostra do Audiovisual Negro, a cineasta Thais Scabio e o articulador cultural Aloysio Letra, estabeleceram, este ano, quatro eixos temáticos: “Negra Erê – Os primeiros passos e quereres da negritude infante”, “Negra Liberdade – Que seja para todos. Que sejam livres”, “Negra sem Limite – Experimentações de discurso, estética e de linguagem audiovisual” e “Negra Consciente – Sobre emancipação, superação, ancestralidade”.

Thais Scabio lembra que “temos muitos profissionais negros e negras trabalhando com audiovisual, no Brasil inteiro, em todas as áreas, seja na produção, direção, edição ou roteiro”. Daí que “o audiovisual negro existe e precisa, cada vez mais, ser fomentado cultural e economicamente ”.

“Kabadio – O Tempo Não tem Pressa, Anda Descalço”, longa-metragem de nome poético, é fruto do trabalho de Daniel Leite. O realizador registra a história de pequeno vilarejo muçulmano situado no coração do Senegal, na África. Kabadio constitui uma espécie de “éden místico protegido por líderes religiosos”. O povoado funciona como cenário para fascinantes histórias de personagens reais em sua luta pela sobrevivência, mantendo suas tradições, em meio à guerra civil e ao contrabando de mercadorias.

O curta documental “Entremarés”, dirigido pela pernambucana Anna Andrade, mostra mulheres que compartilham os seus vínculos e vivências com a maré, a pesca e a Ilha de Deus, em Recife. Já “Negrum3”, do paulista Diego Paulino, propõe-se a um mergulho na caminhada de jovens negros da cidade de São Paulo.

O diretor define seu filme: “Entre melanina e planetas longínquos, Negrum3 se coloca entre os jovens negros da cidade de São Paulo”, neste curta que se propõe a ser “um ensaio sobre negritude, viadagem e aspirações espaciais dos filhos da diáspora”.

A APAN, criada há três anos, é uma instituição de fomento, valorização e divulgação de realizações audiovisuais protagonizadas por negras e negros, de todas as regiões do Brasil, e dedica-se ao fortalecimento da relação entre profissionais negros e o mercado audiovisual.

O Seminário e Mostra do Audiovisual Negro são a principal vitrine de sua ação cultural e política. A diretoria da entidade e seus associados estabeleceram como seus “pilares estruturantes”, a formação e aperfeiçoamento de seus quadros, a defesa de perspectiva inclusiva, com atenção ao recorte racial, tendo em foco todos os elos da cadeia produtiva audiovisual, desde a concepção e a produção, chegando à distribuição e exibição.

Sob tais coordenadas, a APAN representa os interesses dos realizadores afro-brasileiros junto a órgãos públicos, fundações, instituições, ONGs e iniciativas privadas no Brasil e no mundo.

 

III Seminário (e Mostra) do Audiovisual Negro
Data: até 24 de novembro, no quadro das atividades da Semana da Consciência Negra
Local: em 22 espaços nas cidades de São Paulo, Diadema e Guarulhos. Com exibição de 40 filmes.
Entrada Franca

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