Trailers TV Revista de Cinema — 23 dezembro 2019
Minha Mãe é uma Peça 3
© Antonio Teixeira

Por Maria do Rosário Caetano

Tudo começou em 2013, quando a montagem teatral “Minha Mãe é uma Peça”, de Paulo Gustavo, deu origem a filme de mesmo nome. Exibido em centenas de cinemas, a comédia da super-mãe interpretada pelo ator (e autor) Paulo Gustavo, vendeu 4,6 milhões de ingressos.

O filme seguinte estourou a boca do balão: “Minha Mãe é uma Peça 2”, lançado em 2016, sofisticou-se, Paulo Gustavo educou a voz e o tom moral-libertário da narrativa se fez notar com mais clareza. Tudo isto, porém, seria detalhe se o filme não fosse engraçado. Mas era. Muito engraçado. Dona Hermínia, a mãe niteroiense que protagoniza o filme, sequenciou com raro fairplay sua divertida história (que tem muito da trajetória familiar de seu criador, Paulo Gustavo). As locações seguiram na terra de Araribóia e chegaram a São Paulo. Sequência no Mercado Municipal paulistano (com suas frutas, temperos, super-sanduíche de mortadela e pastel de bacalhau) a todos encantou.

O maior mercado de cinema do país se entregava à desbocada e ultra-sincera mãe da rechonchuda Marcelina (Mariana Xavier) e do jovem gay Juliano (Rodrigo Pandolfo). Resultado: 9.250.000 ingressos. Sim, Dona Hermínia atingiu bilheteria similar à de filmes de super-heróis made in USA.

Agora, chegou a vez do terceiro filme da série. “Minha Mãe é uma Peça 3” estreia nesta quinta-feira. Conseguirá bater a bilheteria do filme anterior? Ou o fato de Paulo Gustavo chegar, pela segunda vez, este ano, aos cinemas, pode alterar o quadro? Sim, não podemos esquecer que ele ajudou – e como! – a azeitar as bilheterias de “Minha Vida em Marte”, protagonizado pela amiga Mônica Martelli. Na pele de um amigo gay, confidente franco, simpático e amoroso, Paulo Gustavo elevou exponencialmente a bilheteria do longa marciano: 5,6 milhões de espectadores. O filme anterior da atriz e autora não chegara a 2 milhões de tíquetes (1.794.000).

Para entender as expectativas que cercam “Minha Mãe é uma Peça 3”, nada melhor que ouvir seu principal distribuidor, Bruno Wainer, da Downtown (que divide a tarefa com a Paris Filmes, de Márcio Fraccaroli).

Quantas salas exibirão as aprontações de Dona Hermínia? “Queríamos um circuito de 1.000 salas” – diz Wainer –, “mas os exibidores não estão deixando. Querem mais. Acho que vai pra 1.300 salas, mais um recorde para o Paulo Gustavo”.

Quantos espectadores a Downtown e Paris esperam? O distribuidor não esconde que “a expectativa é alta”, pois “o filme é ótimo”. Mas, precavido, pondera: “crise (econômica) é crise, né?” Então, “qualquer número acima de 6 milhões já considerarei uma grande vitória para o cinema nacional”.

Se no “Minha Mãe 2” Dona Hermínia visitou São Paulo, agora ela foi bem mais longe: a Hollywood. O público verá o letreiro icônico da meca do cinema, entre outras locações carimbadas.

Filmagens em outros países são um atrativo forte para o público? Houve, mesmo, filmagens nos EUA, ou são as magias do cinema, garantidas pelo avanço tecnológico? Bruno Wainer é lacônico em sua resposta: “Houve, sim, uma semana de filmagens em Los Angeles”.

O primeiro filme da super-mãe niteroiense foi dirigido por André Pellenz. Paulo Gustavo, que vinha do teatro, estava conhecendo, para valer, um novo mundo, o do cinema. No segundo longa-metragem em que era a figura central, já bastante seguro, ele jogou em várias posições. Passou a imprimir sua marca – além do papel principal e do roteiro (com parceiros) – em outras funções. Todo mundo sabe que a série da “Mãe” é feita à imagem e semelhança dele, hoje a maior força de atração das bilheterias brasileiras. Tudo passa por seus desejos e intuições. É dele a palavra final no controle de qualidade de seus blockbusters.

No Brasil contemporâneo, nenhum humorista desfruta de tamanho prestígio. E poder de mobilizar plateias. E o que acontece em “Minha Mãe é uma Peça 3” para que seu distribuidor trabalhe com expectativa de, no mínimo, seis milhões de espectadores?

Dona Hermínia tem que se reinventar, pois os filhos estão constituindo novas famílias. Marcelina está grávida e Juliano de casamento marcado. O ex-marido, Carlos Alberto (Herson Capri) volta a ciscar no terreiro doméstico, aproximando-se ainda mais da niteroiense e dos filhos. Um passeio à cidade dos anjos, na Califórnia, vai animar a vida da super-mãe e, em breve, vovó.

Minha Mãe é Uma Peça 3
Brasil, 111 minutos, 2019
Direção: Susana Garcia
Elenco: Paulo Gustavo, Mariana Xavier, Rodrigo Pandolfo, Herson Capri, Samantha Schmutz (Waldeia), Alexandra Richter (Iesa), Patrycia Travassos (Lúcia Helena), Malu Valle (Dona Lourdes), Stella Rodrigues (Ana), Lucas Cordeiro (Tiago), Cadu Fávero (Sol) e Bruno Bebiano (Garib)
Produção: Migdal, em parceria com a Globo Filmes, Telecine, Universal e Paramount

 

PAULO GUSTAVO NO CINEMA

2008 – “A Guerra dos Rocha” (participação)

2009 – “Xuxa e o Mistério da Feiurinha” (participação)

2009 – “Divã” (participação)

2010 – “Os Mercenários” (participação)

2013 – “Minha Mãe é uma Peça ” (protagonista)

2014 – “Os Homens São de Marte” (participação especial)

2015 – “Vai que Cola” (elenco coral)

2016 – “Minha Mãe é uma Peça 2” (protagonista)

2017 – “Fala Sério, Mãe” (participação especial)

2018 – “Minha Vida em Marte” (coprotagonista)

2019 – “Minha Mãe é uma Peça 3” (protagonista)

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