Elvis Presley: The Searcher
Imagem: Reprodução Netflix

Produzido pela HBO Documentary Films, e dirigido por Thom Zimny, lançado recentemente pela Netflix, “Elvis Presley: The Seacher” mostra seus primeiros anos até o final de seus dias, do ponto de vista musical.

O que fica evidente desde o primeiro momento é a escolha narrativa de focar em sua carreira e em sua personalidade curiosa e apaixonada pela música, desde a infância. Crescendo em uma pequena comunidade rural, o cantor teve acesso ao gospel (primeira influência musical) e depois ao blues. Não por acaso dois estilos que foram fundamentais para produzir um ritmo que não foi inventado por ele, mas teve nele seus maiores afluentes: o Rock and roll.

O documentário prefere deixar de lado a problemática relembrada até hoje por críticos e cantores: de que Elvis tirou o espaço de vozes negras e que só teve seu lugar garantido na história por ser branco e ter grande presença de palco. Antes, a narrativa favorece sua contribuição, mesmo assumindo toda a influência que os ritmos de gueto tiveram sobre o cantor desde o primeiro minuto em que pegou em um violão pela primeira vez.

As imagens e vídeos mostram um Elvis curioso sobre tudo que escuta: as potentes vozes da igreja que permearam sua infância e os quartetos que empolgavam a juventude da época. Aponta também o caráter revolucionário de sua música ao citar o pretenso momento em que surgia um novo ritmo: quando Elvis, junto com seu grupo, resolve improvisar, tendo como base tudo o que ele já tinha aprendido até ali.

Elvis é colocado numa posição há muito tempo esquecida, a de precursor de um movimento que, independente dele, cresceu e tomou várias vertentes. Mas até aquele momento era único. O cantor cantava apenas com sua voz, mas também cadenciava o ritmo com seu corpo, trazendo elementos que seriam importantes também no pop. Ele também sabia ir e vir, não atendo-se a um só ritmo musical.

O documentário mostra também o quanto as mudanças pessoais ritmaram sua carreira. A presença de Glayds, mãe idolatrada do cantor a quem ele dedica sua vida e permeia seus primeiros sucessos, alegres epifanias de dias melhores. E posteriormente o contrato com Tom Parker, conhecido como Colonel, marca a virada do garoto para o homem.

Colonel foi quem trouxe contratos extraordinários e o tornou nacionalmente conhecido, mas também quem tosou sua criatividade, amarrando-o a contratos que o cantor teve que cumprir religiosamente por décadas.

Imagem: Reprodução

Segundos dados fornecidos pela produção, foram ao todo 31 filmes, a grande maioria produzida para o público e que deixava de lado o caráter criativo do cantor. Através dos comentários feitos por produtores e amigos, percebe-se o quanto aquele embate abalou sua carreira.

De um lado havia o sucesso de público, de outro a frustração de um músico que já não se reconhecia naquele ritmo. Elvis queria inovar, estaria sempre inovando, mas os contratos o prendiam no sistema do show business, onde o dinheiro canta mais alto.

“The Seacher” desde o começo mostra o exato ponto em que ele volta a ser Elvis: no show transmitido em 1968, pela TV. Já livre dos contratos que o prendem às telas, o cantor volta às suas origens e mesmo tenso, mostra o que o colocou no topo. Seu carisma com o público, sua voz dificilmente igualada – por causa de elementos de barítono e extrema flexibilidade – e a facilidade de improvisar.

Imagem: Reprodução

Esse é um ponto interessante na produção, já que muitas vezes sua carreira fílmica é vista como um marco positivo, quando na verdade foi um dos responsáveis pela decaída do astro que detinha o título de Rei do rock mas não podia acompanhar as atualizações que qualquer carreira exige. Esse espetáculo fechado ajudou-o a recuperar seu verdadeiro eu.

Las Vegas não poderia ser deixada de lado no documentário e surge em vários momentos. Afinal, a cidade foi seu palco principal durante as melhores e piores épocas de sua carreira. Vegas chegou inclusive a ser referenciada na música “Viva Las Vegas”, presente no filme do mesmo nome. Na letra, o rei do rock fala da cidade que oferece “blackJack and poker and the roulette wheel” no mesmo local, assim como belas mulheres e shows.

Por outro lado, se Elvis deve muito a Vegas, a cidade também ganhou com suas apresentações que atraíram visitantes de todo o mundo, tornando a cidade conhecida como a cidade dos cassinos. Foi lá também que foi disputado o primeiro World Series of Poker, em 1970, entrando definitivamente também para a história do poker.

Foi em Vegas que ele se aproximou mais ainda do público, criou a identidade que marcaria sua última fase e também onde percebeu que seu público envelhecera. Nas mesas, enfileiradas, figurões endinheirados que iam para ganhar mais dinheiro nos jogos. Seu público principal, agarrava-se às grades no fundo do palco.

Amarrado à própria fama, Elvis buscou mais uma vez renovar-se, indo de encontro a eles, afundando-se em uma turnê nacional que lhe custou a vida. O documentário aponta as circunstâncias que o levaram à depressão. Mantém-se, no entanto, a uma distância de sua vida particular. As poucas interferências que surgem com a suave voz de Priscila Presley mostram que muita coisa ficou de fora. Do ponto de vista musical, a produção conseguiu mostrar o Elvis esquecido por muitos: aquele que não tinha medo do novo.

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