Caixa Cultural Rio de Janeiro recebe grande retrospectiva da obra de Ruy Guerra

Poucos cineastas atravessaram tantas décadas da história brasileira com uma obra tão ligada às transformações políticas, sociais e culturais do país quanto Ruy Guerra. Aos 95 anos, o diretor, roteirista, dramaturgo, poeta e compositor ganha uma ampla retrospectiva na Caixa Cultural Rio de Janeiro, que reúne 17 longas-metragens dirigidos por ele e dois documentários sobre sua vida e obra. A mostra Retrospectiva Ruy Guerra – Uma Vida de Cinema será realizada entre os dias 29 de setembro e 16 de outubro, com entrada gratuita. Não haverá sessões às segundas-feiras nem no dia 9 de outubro.

A programação permite percorrer quase sete décadas de cinema, desde “Os Cafajestes” (1962), primeiro longa-metragem de Ruy, até “A Fúria” (2024), seu trabalho mais recente. O filme encerra a chamada Trilogia dos Fuzis, iniciada com “Os Fuzis” (1964) e continuada por “A Queda” (1978), três obras realizadas ao longo de seis décadas e ligadas pela presença de um mesmo personagem.

Entre as raridades da retrospectiva está “Ternos Caçadores” (1969), produção francesa que permaneceu durante décadas praticamente inacessível ao público brasileiro. O filme volta às telas em uma versão restaurada em 4K, resultado de um trabalho de recuperação que devolve à circulação uma das obras menos vistas da filmografia do cineasta. A programação inclui ainda os documentários “O Homem que Matou John Wayne” (2015), de Bruno Laet e Diogo Oliveira, e “Tempo Ruy” (2021), de Adilson Mendes.

Guerra adaptou para o cinema obras de escritores como Gabriel García Márquez (1927-2014), Chico Buarque e Antonio Callado (1917-1997), além de ter escrito peças, poemas e letras de músicas interpretadas por grandes nomes da MPB.

A relação com a palavra também atravessa o catálogo digital preparado especialmente para a retrospectiva, que traz uma extensa entrevista inédita concedida pelo cineasta ao curador e organizador da mostra, Aristeu Araújo.

A realização da mostra envolveu também um trabalho de pesquisa e localização de cópias. Parte da filmografia do diretor sobrevive em materiais deteriorados ou de difícil acesso, e a organização buscou diferentes acervos para selecionar as melhores versões disponíveis para exibição.

Nascido em Moçambique, durante o período colonial português, Ruy Guerra estudou Cinema em Paris no período do surgimento da Nouvelle Vague e chegou ao Brasil em 1958. Poucos anos depois, tornou-se um dos nomes centrais do Cinema Novo, ao lado de realizadores como Glauber Rocha (1939-1981) e Cacá Diegues (1940-2025). A sua filmografia é marcada pela experimentação estética, pelo olhar político e por um diálogo permanente com outras linguagens artísticas.

A programação terá ainda uma masterclass com o próprio Ruy Guerra, dedicada à construção artística e política da Trilogia dos Fuzis, que acontecerá no sábado, dia 3 de outubro, às 18h, com retirada de senha meia hora antes, na bilheteria da Caixa.

Retrospectiva Ruy Guerra – Uma Vida de Cinema
Data: 29 de setembro a 16 de outubro
Não haverá sessões: segundas-feiras e 9 de outubro
Local: Caixa Cultural Rio de Janeiro – Rua do Passeio, 38, no Centro do Rio
Ingressos: gratuitos, a serem retirados meia hora antes de cada sessão na bilheteria da Caixa
Classificação: A partir dos 18 anos

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