Animação “Nimuendajú” e curta-metragem brasileiros são premiados no Festival de Cinema de Bariloche

O longa-metragem de animação brasileiro “Nimuendajú”, dirigido por Tânia Anaya, recebeu o Prêmio Send Files na Competição Latino-Americana de Longas-Metragens da 14ª edição do Festival Audiovisual Bariloche (FAB), que aconteceu de 21 a 27 de setembro, na Patagônia argentina, organizado pela Secretaria de Cultura de Río Negro.

O filme, primeiro longa-metragem da diretora nascida em Mineiros, Goiás, foi selecionado para integrar a competição oficial do festival, que reúne produções de diferentes países da América Latina. O reconhecimento se soma à participação de outras produções brasileiras nesta edição do FAB.

“Nimuendajú” conta a história de Curt Unckel, cientista social de origem alemã que viveu durante quatro décadas junto a diferentes povos indígenas. Em 1906, foi batizado como Nimuendajú pelos guaranis, nome pelo qual ficou conhecido ao longo de sua trajetória.

A partir da vida desse pesquisador, o filme aborda sua relação com os povos indígenas e sua dedicação ao estudo e à compreensão de diferentes culturas. A obra também reconstrói um período marcado pela perseguição e pela expulsão de comunidades indígenas de seus territórios.

O trabalho de Tânia Anaya chega ao Festival de Cinema de Bariloche como uma produção que combina a animação com a reconstrução de uma história ligada à memória, à pesquisa antropológica e aos povos originários do Brasil.

Outro filme brasileiro premiado nesta edição do FAB foi o curta-metragem documental “Capim”, dirigido por Júlia Munhoz e Caio Pimenta. A produção recebeu o prêmio na Competição Latino-Americana de Curtas-Metragens.

O filme acompanha a história dos Xavante de Marãiwatsédé, expulsos de seu território por aviões, na década de 1960, e que, ao conseguirem recuperar suas terras, encontraram no lugar da floresta densa extensas áreas de pastagem. Onde antes existia uma floresta sagrada, resta hoje o “capim” deixado pela invasão.

O documentário aborda o dilema enfrentado pela comunidade, que, para garantir sua sobrevivência e não passar fome, é obrigada a criar o gado de seus antigos inimigos. A partir dessa realidade, Capim acompanha a tensão entre a preservação da identidade indígena e as condições impostas pela sobrevivência econômica.

Ao justificar o reconhecimento, o júri destacou a importância do tema e de sua denúncia, além da capacidade do filme de aproximar o público de realidades marginalizadas pelo capitalismo e pelo colonialismo. O texto também ressaltou que essas situações representam a realidade de muitas pessoas da região, com um tratamento frontal que não evita a interpelação direta aos próprios realizadores e aos espectadores.

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