59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro traz mais de 70 produções e novas mostras
Foto: “Se Eu Fosse Vivo… Vivia”, de André Novais Oliveira © Janine Moraes
A mais tradicional e longeva mostra cinematográfica do país, o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro anunciou a seleção de sua 59ª edição, a ser realizada de 11 a 19 de setembro, no Cine Brasília, exibindo produções marcadas pela diversidade temática, de linguagem e de regiões. Com novas sessões especiais e mostras paralelas, o festival ainda conta com programações formativas, atividades de mercado e ações em outros equipamentos culturais do Distrito Federal.
Sob a presidência do secretário de Cultura e Economia Criativa do DF, Fernando Modesto, com direção geral de Sara Rocha, o 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro tem direção artística do crítico, cineasta e programador Eduardo Valente. A edição apresenta um panorama do mais novo cinema brasileiro, com produções de Norte a Sul do país, além de exibir alguns clássicos e materiais raros históricos. A 59ª edição do festival registrou um recorde de inscrições, com quase 2 mil títulos, entre curtas e longas, das quais foram selecionados 7 longas-metragens e 12 curtas para a Mostra Competitiva Nacional, além de 4 longas e 8 curtas para a Mostra Brasília. Ao todo, o festival exibe mais de 70 produções, distribuídas em seis outras mostras e nas sessões especiais, hors concours, incluindo a sessão de abertura, com exibição do curta “Brasília Planejamento Urbano” (1965) e do longa inédito “A Pele Morta”, de Denise Moraes e Bruno Torres; e a de encerramento, com “Verão da Lata”, de Santiago Dellape.
Homenagens
Como faz parte de sua tradição, o Festival de Brasília celebra todo ano alguns nomes essenciais para a história do cinema brasileiro. A atriz Julia Lemmertz terá sua carreira reconhecida com o Troféu Candango de Conjunto da Obra, na abertura do festival, e, durante a programação, será reexibido o filme “A Cor do seu Destino” (1986), de Jorge Durán, recentemente restaurado, em celebração aos 40 anos do lançamento da obra pela qual recebeu o Candango de Melhor Atriz Coadjuvante à época. Reconhecida com o Prêmio Leila Diniz, outorgado a mulheres que abriram caminhos dentro do cinema nacional, a cineasta Tata Amaral terá sua trajetória celebrada dentro do festival. Pela ocasião do prêmio, o evento exibirá seu primeiro longa-metragem, de 1996, “Um Céu de Estrelas”, pelo qual, há 30 anos, foi premiada com o Candango de melhor direção, um prêmio que ela já tinha ganho em 1991 pelo curta “Viver a Vida”. Além desses dois prêmios individuais, Tata também foi premiada em 2011 como melhor longa por “Hoje”, ganhador de outros quatro prêmios. Ela receberá a homenagem no Cine Brasília, durante a sessão das 15h de sábado (12), que exibirá, em sessão especial hors concours, o filme “Pitico – Hermes Ayres Azevedo (1881-1959) – Historiador da Província”, de Julio Bressane, novo trabalho de um outro nome histórico do festival, que faz sua estreia em telas brasileiras.
Dez anos depois de sua criação, a Medalha Paulo Emílio Sales Gomes deste ano será concedida à museóloga e conservadora audiovisual Fernanda Coelho, por sua contribuição à preservação da memória e ao pensamento e ao ensino do cinema no Brasil. Também professora na área de Museologia, ela se destaca pela trajetória de 36 anos na Cinemateca Brasileira, tendo formado gerações de profissionais de preservação do cinema brasileiro. Ela receberá a láurea durante a sessão das 18h de domingo (13), da mostra História(s) do Cinema Brasileiro, no Cine Brasília, na qual também serão exibidos trechos dos materiais do Arquivo Público do DF, que passa atualmente por um amplo processo de restauro.
Filmes selecionados
Na Mostra Competitiva Nacional, a seleção oficial do festival reúne sete longas: “Ana, en Passant”, de Fernanda Salgado (MG); “Pequenas Tragédias”, de Daniel Nolasco (GO); “Tudo é Tempo”, de Marcos Guttman (RJ); “Todo o Sentimento”, de Ary Rosa e Glenda Nicácio (BA); “Privadas de suas Vidas”, de Gustavo Vinagre e Gurcius Gewdner (SP); “Se Eu Fosse Vivo… Vivia”, de André Novais Oliveira (MG); e Sabes de Mim, Agora Esqueça”, de Denise Vieira (DF).
Além de contar com a participação do diretor artístico do festival, os longas da competitiva foram selecionados pelos curadores Janaína Oliveira, Rafaella Rezende, Luís Fernando Moura e Leonardo Bomfim. Já a seleção de curtas nacionais inclui 12 títulos: “Mariposa”, de Alexandre Américo e Pedro Vitor (RN); “Vejo Você de Repente”, de Aída da Costa (CE); “Gastronomia do Olho”, de Nicolau (DF); “Fundura”, de Catapreta (MG); “Cidão”, de Alessandra Gama (GO); “Descarrilho”, de Aline Gutierrez (RS); “Cana”, de Daniel Rone e Guilherme Xavier Ribeiro (SP); “Lagoa do Abandono”, de Diego Maia (CE); “Futuro Decadance”, de Leviathan (AL); “Tiró e a Onça”, de Wera Poty (SP); “Poronga”, de Rafael Rogante (RO); e “Banho de Choque”, de Cíntia Lima (PE). Sob a supervisão da direção artística, compuseram a comissão de seleção dos curtas os curadores André Dib, Lorenna Montenegro, Sergio Silva, Karen Black, Bruno Victor e Waleska Antunes.
Os selecionados para as mostras competitivas nacionais serão remunerados com cachê de seleção nos valores de R$ 30 mil para longas-metragens e R$ 10 mil para curtas. Há ainda prêmios em dinheiro, como o Prêmio Canal Brasil de Curtas, que concede R$ 15 mil ao curta eleito por júri montado pelo canal; e prêmios em mídia, como o do Canal Like, que concede R$ 50 mil em anúncios no canal ao melhor longa pelo júri oficial. As sessões acontecem sempre no Cine Brasília, na Sala Vladimir Carvalho, às 21h, com ingressos à R$20,00 (inteira) e R$10,00 (meia), entre os dias 12 e 18 de setembro. E a reprise dos filmes da Mostra Competitiva Nacional (legendadas em inglês), na Sala 2, no Cine Cultura Liberty Mall, entre os dias 13 e 19 de setembro, às 10h, com entrada franca.
Na Mostra Brasília, janela dedicada a produções realizadas no Distrito Federal, os filmes selecionados concorrem ao 29º Troféu Câmara Legislativa do Distrito Federal e a um total de R$ 298 mil em prêmios. Esta é uma iniciativa da Câmara Legislativa do Distrito Federal e a comissão de seleção foi composta por Ana Arruda, Bethania Maia, Daniela Diniz, Marcelo Barbosa e Paulo Duro Moraes.
A seleção inclui quatro longas-metragens: “Onde Moram os Irmãos”, de Marisa Mendonça; “Amadeo e o Hipotético Mundo Novo”, de Brenda Lígia e Edu Felistoque; “Mapas”, de Rafael Lobo; e “Nem Todos Sabem”, de Edileuza Penha de Souza. A seleção de curtas é formada por 11 títulos: “Hacker Leonilia”, de Gustavo Fontele; “A Arte Perdida da Lombada”, de Helena Sarmento e Gabriel Brito; “Vinte Vinte Quatro”, de Davi Pieri; “Isso Aqui e Várzea!”, de Flávio Costa; “Dora”, de Murilo Abreu;. “O Jardim Mágico”, de Naira Carneiro e Carlon Hardt; “Rima”, de Josianne Diniz; “Madre”, de Talita Carvalho e Carol Matias; “Impostor”, de Rafael Gontijo; “Não Há Crime no Plano Piloto”, de Gabriel Machado; e “Ar-Dor”, de Mike Peixoto. As sessões acontecem sempre no Cine Brasília, na Sala Vladimir Carvalho, às 18h, com sessões às 19h45 no Complexo Cultural de Planaltina e no Campus da Universidade Católica em Taguatinga, entre os dias 14 e 18 de setembro, sempre com entrada franca, sujeita à lotação da sala, e com aferição de Júri Popular em todas as sessões.

A programação do Festival de Brasília se desdobra em diversas mostras, além da Competitiva Nacional e Brasília. O Festivalzinho é uma das vitrines mais tradicionais, voltada para exibição de produções infantojuvenis, com sete filmes programados nas manhãs entre 13 e 17 de setembro, no Cine Brasília, no Complexo Cultural de Planaltina e na Universidade Católica em Taguatinga. Também estão de volta as mostras Festival dos Festivais e Caleidoscópio. Mostra tradicional realizada há muitos anos, Festival dos Festivais reúne filmes que realizaram suas estreias em outros festivais, mas que são exibidos agora pela primeira vez para o público do DF. Compõem o programa “Proust Palimpsesto: Pastiches e Misturas”, de Carlos Adriano; “Flora & Airto: O Som Revolucionário”, de Jom Tob de Azulay; “Afrolatinas: Mulheres Negras em Movimentos”, de Viviane Ferreira; “Para os Guardados”, de Desali e Rafael Rocha; e “A Caminhada Sagrada de Tatatxi Ywarete”, de Werá Djekupé.
Na sempre muito aguardada Mostra Caleidoscópio, também competitiva, serão exibidos filmes instigantes, de forte voz artística e autoral. As produções concorrem entre si ao Prêmio do Júri Fipresci, da Federação Internacional de Críticos de Cinema, e ao Prêmio Jean-Claude Bernardet, conferido pelo Júri Jovem, formado por estudantes de audiovisual da UnB – Universidade de Brasília, berço do Festival. Nesta seleção, o público assistirá a “Mulheres do Bando”, de Thamires Vieira (BA); “Tempo à Faca”, de Diogo Oliveira (BA); “Cacimba”, de Rodrigo Campos (MG); “Os Vivos Caminham a Terra”, de Pedro Maia (PE); e “Os Fantasmas Gentis”, de Caetano Gotardo (SP).
Tendo sido realizada nos últimos anos, a mostra História(s) do Cinema Brasileiro terá dois conjuntos de filmes que fazem referência à importante tradição do cinema nacional. A primeira de Clássicos contará com a exibição de três curtas de Vladimir Carvalho: “Brasília Segundo Feldman” (co-realizado por Eugene Feldman), “A Paisagem Natural” e “O Sertão do Rio Peixe”. Além deles, completam a parte histórica do festival as já citadas exibições do curta Brasília – “Planejamento Urbano”, de Fernando Coni Campos (na abertura); e dos longas “Um Céu de Estrelas”, de Tata Amaral (1996); e “A Cor do seu Destino”, de Jorge Durán (1986).
O segundo bloco desta Mostra exibe filmes novos cujas narrativas fazem referência a artistas ou filmes históricos do cinema brasileiro. É o caso de “Adeus, Brasília”, de Moacir Macedo, que une materiais de uma inédita e recente entrevista com Vladimir Carvalho a imagens da despedida ao cineasta realizada no próprio Cine Brasília; “Fernando Coni Campos: Cada um Vive como Sonha”, de Luis Abramo e Pedro Rossi, que faz um resumo da carreira do artista que terá um curta exibido na abertura; e o documentário “Drops de Anis”, de Samuel Lobo e Rodrigo de Janeiro, em que os cineastas examinam a relação entre o cinema brasileiro, a crítica e o público através de dezenas de entrevistas realizadas com expoentes de cada um desses segmentos. Algumas destas conversas, inclusive, foram filmadas por ocasião do Festival de Brasília de 2025.
Finalmente, retomando uma iniciativa bem-sucedida da edição de 2025, a Mostra Premiere DF apresenta dois títulos brasilienses inéditos: “Jornada nas Estrelas”, de Angelo Pignaton; e “Brasifilia”, de Francenilton Klava.
Ao longo do evento, o público ainda poderá assistir sessões especiais fora de competição. Além do já citado mais recente filme de Julio Bressane, “Pitico-Hermes Ayres Azevedo (1881-1959) – Historiador da Província”, lançado no ano em que o cineasta completa 80 anos de vida, veremos ainda o documentário “Norte Sul Esquerda Direita”, de Ricardo Ribeiro, que reflete sobre a realidade política atual do país; e os filmes brasilienses inéditos “Música Secular”, de Emanuel Lavor; e “Histórias de Terror e Delicadeza”, de Jimi Figueiredo e Sérgio Sartório, que terão sua estreia mundial no Cine Brasília.
Por fim, a Sessão Vozes e Lutas exibe dois filmes sobre movimentos políticos e culturais relevantes, e realiza debate após essa exibição: o curta brasiliense “A Última Diária”, de Marcelo Pelucio e Felipe Cortes, e o longa “Pontos de Partida”, obra póstuma do grande cineasta, que foi também diretor do Festival de Brasília, Silvio Tendler.
Os já tradicionais debates de filmes do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro serão 19 nesta edição, consolidando-se como espaços essenciais de reflexão e diálogo entre realizadores, críticos e o público. A programação tem início com o debate do filme de abertura, “A Pele Morta”, promovido às 10h, na Área de Convivência do Cine Brasília. As discussões da Mostra Competitiva Nacional acontecem sempre às 10h do dia seguinte ao da exibição das obras, reunindo a equipe dos filmes no auditório do Hotel Ramada.
Já na Mostra Caleidoscópio e na Mostra Brasília, os debates ocorrem no Auditório do Cine Brasília. As conversas da Caleidoscópio são promovidas logo após o término de cada sessão, enquanto os encontros da Mostra Brasília têm início previsto para às 21h15, também no auditório, dando continuidade às exibições da produção local. A programação de debates contempla ainda as Sessões Especiais, que serão realizadas na Sala 2, no Cine Cultura Liberty Mall, com debates imediatamente após a projeção das obras. Nesses encontros dedicados à memória e à representatividade, o público poderá aprofundar as discussões suscitadas pelas exibições do acervo Vladimir Carvalho e Arquivo Público do DF — com os filmes “A Paisagem Natural” e “O Sertão do Rio do Peixe” — e pela sessão Vozes e Lutas, que trará para o centro do debate os curtas “A Última Diária” e “Pontos de Partida”.
Ambiente de Mercado
Dentro das atividades do Ambiente de Mercado deste ano, o Festival de Brasília apresenta um lançamento de peso: três episódios da série pernambucana inédita “Delegado”, dirigida por Marcelo Lordello e Leonardo Lacca, com produção de Kleber Mendonça Filho e Emilie Lesclaux. A sessão ocorre no segundo dia do festival, sábado (12), às 18h, no Cine Brasília. É uma iniciativa inédita na história do evento; pela primeira vez, o festival exibe na sua sala principal, o histórico Cine Brasília, episódios de uma série audiovisual, em sessão especial. “Delegado” reúne Johnny Massaro no papel-título e uma lista enorme de grandes atores estará na tela do Cine Brasília em papéis significativos e participações especiais, sendo alguns deles: Alice Carvalho, Rubens Santos, Hermila Guedes, Virgínia Cavendish, Igor de Araújo, Narcival Rubens, Georgette Fadel, Nataly Rocha e Tânia Maria. Logo após a sessão, Kleber Mendonça lança o livro do roteiro de “O Agente Secreto” e, no domingo (13), será realizada a coletiva de imprensa com equipe e elenco, às 14h, e às 16h, Emilie Lesclaux apresentará uma masterclass sobre produção de cinema e construção de trajetórias, com mediação da jornalista Simone Zuccolotto.
O Ambiente de Mercado também apresentará as tradicionais Rodadas de Negócio, nos dias 16/09 (das 9h às 12h) e 17/09 (das 14h às 18h), encontros estratégicos organizados para promover a interação direta entre profissionais e players do setor audiovisual, facilitando oportunidades de coprodução, investimento, distribuição e outras colaborações comerciais, com reuniões de 20 minutos, mediante seleção dos participantes. Ainda nas atividades de Mercado, o Encontros com Players deste ano contará com a participação da Descoloniza Filmes, Canal Brasil, H2O Filmes, Globo (DF), Conspiração, Camisa Listrada, Boutique Filmes, Embaúba Filmes, Academia de Filmes, Paris Entertainment, Globonews, entre outros em confirmação.
No já tradicional Pitching Aberto, são selecionados projetos que passam por oficina preparatória com o cineasta e mentor de projetos audiovisuais Victor Lopes. Os projetos serão avaliados por uma banca formada por especialistas e concorrem aos prêmios Rio2C e Cinema Paradiso.
Novidade no Mercado deste ano, o Meet the Critic é inspirado nos encontros exclusivos realizados em mercados internacionais. Esta ação reúne até 15 realizadores para uma conversa com a crítica e pesquisadora Maja Korbecka (Alemanha). Cada participante apresentará um trailer, teaser ou trecho de seu projeto audiovisual, seguido de uma análise crítica conduzida por Maja a partir da perspectiva de quem acompanha a programação dos principais festivais internacionais. A atividade não tem caráter de pitching ou seleção de projetos, mas propõe uma leitura crítica sobre linguagem, potencial de circulação, estratégias de apresentação e os elementos que despertam o interesse de programadores, críticos e curadores. Ao final de cada apresentação, os participantes poderão dialogar com a convidada e aprofundar questões relacionadas à inserção de seus projetos no circuito internacional.
A programação do Ambiente de Mercado traz também a atividade Crítica em Movimento: Oficina de Escrita sobre Documentários. Ministrada pelo jornalista e crítico de cinema espanhol Héctor Llanos Martínez, profissional do jornal El País e com passagens por veículos internacionais como BBC World, Deutsche Welle e Cineuropa, propõe uma formação intensiva dedicada à análise e à produção de textos sobre o cinema documental contemporâneo. Ao longo do encontro, serão abordados métodos de leitura crítica, técnicas de escrita e diferentes formatos de publicação para a imprensa e os meios digitais. A programação inclui ainda a exibição e a análise coletiva de uma obra selecionada pelo ministrante, que servirá de ponto de partida para discutir aspectos fundamentais do fazer documental, tais como ética, construção narrativa, representação da realidade, ponto de vista do diretor e o impacto social do filme.
O Ambiente de Mercado traz ainda o Painel Internacional “O Brasil visto pelos festivais internacionais”, que propõe uma reflexão sobre como o cinema brasileiro é percebido no circuito internacional de festivais, quais tendências despertam o interesse de programadores, críticos e curadores e quais estratégias podem ampliar a circulação de filmes brasileiros no exterior. O painel promoverá o diálogo entre as diferentes perspectivas dos convidados e a realidade da produção audiovisual brasileira, além de estimular a participação do público. Vai reunir os jurados internacionais Maja Korbecka (Alemanha) e Héctor Llanos Martínez (Espanha) para uma conversa sobre os desafios e as oportunidades da internacionalização do audiovisual brasileiro, abordando temas como seleção em festivais, circulação internacional, o papel da crítica e as perspectivas para o cinema brasileiro nos mercados europeu e asiático.
O Ambiente de Mercado ainda contará com Pitching para Jogos Eletrônicos, e a Mostra de VR IMERSÃO EM PERSONA – Humanidades em Realidade Virtual, do projeto Visita 360, do Senado Federal, que desloca-se para o Festival de Brasília com três histórias que ajudam a revelar diferentes dimensões da luta por direitos no Brasil. Abdias Nascimento, Darcy Ribeiro e Eunice Michiles tornam-se personagens de experiências em realidade virtual que aproximam o público de suas trajetórias e de questões fundamentais de seu tempo. Entre memória, identidade e cidadania, a imersão transforma o espectador em testemunha de histórias que seguem reverberando no presente.
Conferência Nacional do Audiovisual
A Conferência Nacional do Audiovisual estará de volta para sua sexta edição dentro da programação do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, nos dias 14 e 15 de setembro, na área anexa ao Cine Brasília, reafirmando-se como um espaço fundamental para a discussão, articulação e planejamento do futuro do audiovisual brasileiro. A 6ª Conferência Nacional Audiovisual terá como tema “Audiovisual brasileiro: uma agenda para o próximo ciclo” e reunirá realizadores, produtores, agentes do mercado e representantes do setor para discutir os principais desafios e caminhos para o desenvolvimento do audiovisual no país. Em um momento de grande reconhecimento do cinema brasileiro, a conferência propõe transformar essa visibilidade em uma agenda estratégica, colocando em debate o fortalecimento do mercado interno e da relação com o público, o desenvolvimento da indústria, a inteligência artificial e a regulação da economia digital, além da articulação entre União, estados e municípios e da inserção internacional do audiovisual brasileiro.
O evento contará com mesas de debate, grupos de trabalho e a presença ativa de representantes do governo, da sociedade civil organizada e do setor produtivo, criando um ambiente plural, colaborativo e propício para a troca de ideias e experiências e para discussões essenciais para o desenvolvimento, a consolidação e o fortalecimento de políticas públicas voltadas ao audiovisual no Brasil. Para este ano já estão confirmadas as participações da cineasta Anna Muylaert, do jornalista idealizador da Mídia Ninja, Bruno Torturra; da produtora de dezenas de filmes emblemáticos na cinematografia nacional, Mariza Leão; da diretora e roteirista, homenageada desta edição do festival, Tata Amaral, entre outros.
Os painéis buscarão contribuir para a construção de um setor mais robusto, diversificado e integrado às demandas contemporâneas do país.
Atividades formativas
A extensa programação de atividades formativas e de encontros setoriais confere oportunidade para que o público se qualifique, participe de debates e conheça mais a fundo as demandas do setor audiovisual. Na manhã seguinte às sessões da Mostra Competitiva Nacional, os debates com realizadores ocorrerão no Hotel Ramada. As mesas de debate da Mostra Caleidoscópio ocorrem sempre às 17h, de 14 a 18 de setembro, no Auditório do Cine Brasília. O mesmo espaço também será destinado aos debates da Mostra Brasília.
Nesta edição haverá as oficinas de Figurino, ministrada por Nina Maria e focada nos processos de criação, concepção visual e pesquisa estética aplicada ao vestuário no cinema; a de Pós-Produção em Som, sob a coordenação de Micael Guimarães, que aborda técnicas e ferramentas necessárias para o desenho de som, edição e finalização sonora de obras audiovisuais; a de Atuação para Cinema: Poéticas e Procedimentos, com Noá Bonoba, que explora a construção da performance diante das câmeras, analisando métodos e a relação do ator com a linguagem cinematográfica; a de Crítica em Cinema, conduzida por Luiz Joaquim, destinada ao desenvolvimento do olhar crítico e da escrita sobre o cinema, discutindo formas de análise e contextualização de obras; e a de Montagem, com Karen Akerman, focada na narrativa audiovisual, ritmo e na organização da estrutura dramática de um filme durante o processo de edição.
Encontros setoriais
Os encontros setoriais do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro são espaços estratégicos de diálogo, articulação e escuta entre profissionais, entidades, gestores e a sociedade civil, fortalecendo a construção e o aprimoramento de políticas públicas para o audiovisual. Na 59ª edição do evento, a programação presencial no Auditório do Cine Brasília contará com a mesa Festivais e Mostras de Cinema – Conversas sobre Preservação (14/09, às 14h), que abordará a memória dos acervos e incluirá o lançamento do “Guia de Preservação para Cineastas em Contextos Comunitários”, e a mesa Caminhos para o Audiovisual no DF (16/09, às 14h), voltada aos desafios locais e à implementação do Conselho Consultivo do Audiovisual do Distrito Federal (CONCIAV).
No contexto dos encontros, no dia 15/09, às 14h, será lançada, no Auditório do Cine Brasília, a primeira pesquisa-mapeamento sobre o cinema feito por mulheres indígenas no Brasil, intitulada A câmera que vem da terra e aponta para o céu: Pesquisa-mapeamento do cinema das mulheres indígenas no Brasil. A pesquisa foi concebida pela Rede Katahirine como uma ferramenta estratégica para compreender modos de fazer, necessidades e expectativas das cineastas e assim, orientar instituições públicas e privadas na formulação e execução de políticas adequadas, pautadas em informações qualificadas sobre o cinema indígena feminino. A atividade contará com a participação de três realizadoras indígenas da Katahirine, além de Mari Corrêa e Clarisse Alvarenga.
Em formato online, o evento apresentará o encontro Figurinistas em Debate – Trabalho, Criação e Audiovisual (17/09, às 15h), com foco no processo criativo, pesquisa de linguagem e construção visual dos personagens da Mostra Competitiva. Em seguida, o Encontro Setorial BRADA – Diretoras de Arte do Brasil (18/09, às 15h) reunirá profissionais de direção de arte dos longas competitivos para discutir a criação dos universos visuais, escolhas estéticas e o impacto da direção de arte nas narrativas do cinema brasileiro contemporâneo.
No dia 19/09, a partir das 14h, serão promovidos ainda debates que colocam em questão os campos da Curadoria e da Crítica, que discute as mudanças nos modos de circular, acessar e reverberar os filmes, refletindo sobre esses ofícios na atualidade, nos veículos tradicionais e em iniciativas independentes, a partir do contexto do festival deste ano.
Como parte da política de democratização e descentralização do 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, a programação expande seus horizontes para além do plano piloto, levando a experiência do cinema e da formação audiovisual a diversas regiões administrativas do Distrito Federal de forma totalmente gratuita. Essa iniciativa busca aproximar o festival das comunidades locais, ocupando centros culturais e espaços acadêmicos com exposições e ações formativas. O público poderá acompanhar as produções da Mostra Brasília e as exibições infantis do Festivalzinho no Complexo Cultural de Planaltina e no campus Taguatinga da Universidade Católica de Brasília (UCB). A experiência do cinema ocupa também o Complexo Cultural Samambaia, com a segunda edição do Cine Céu, experiência cinematográfica ao ar livre. Na Ceilândia, a parceria com o coletivo Jovem de Expressão fortalece a qualificação técnica local ao oferecer oficinas práticas voltadas à pós-produção de som para cinema e ao design de figurino.
