Festival de Gramado homenageia Selton Mello e mostra a luta de “Justino” contra o poder de uma igreja neopentecostal

Foto: Selton Mello, homenageado com o Kikito de Cristal © Edison Vara/Ag.Pressphoto

Por Maria do Rosário Caetano, de Gramado (RS)

A sexta noite do Festival de Cinema de Gramado começou com a entrega do Troféu Kikito de Cristal ao ator e diretor Selton Mello e prosseguiu com a exibição dos longas “Justino – Nos Bastidores do Reino”, de José Eduardo Belmonte, e “Afrontosa”, de Coraci Ruiz e Julio Matos.

Para completar a maratona fílmica, exibiu programa composto com mais três dos doze curtas selecionados – “Divino: sua Alma, sua Lente”, de Clea Torres e Gilson Costta (codireção de Divino Tserewahú), “A Menina que Queria Ser Pedra”, de Jackson Abacatu, e “Pique-Pega”, de Mia Lima Rocha.

O bom humor marcou a premiação de Selton Mello, de 53 anos, vestido elegantemente de preto e com silhueta delgada. Ele, que vive em briga com a balança, estava em estado de contagiantes alegria e inspiração.

Para aumentar o clima de alto astral, a noite contou com a colaboração de Fernanda Torres, amiga e parceira do ator em “Ainda Estou Aqui”, no qual foram marido e mulher (Rubens Paiva e Eunice).

Fernandinha escreveu, para o catálogo do festival, saboroso texto com o qual percorreu a bem-sucedida trajetória do menino de Passos (MG), ator mirim, que viria a tornar-se, também, diretor de cinema. E brilhou, como poucos, nesse percurso de mais de quatro décadas dedicadas à TV, ao cinema e ao teatro.

Em sua bem-humorada abertura, lida no palco, a atriz constata: “Raros são os atores capazes de transitar entre um drama histórico como ‘Ainda Estou Aqui’ e as irresistíveis bobagens de ‘Anaconda’; entre Rubens Paiva e Jack Black; entre André, de ‘Lavoura Arcaica’, e Chicó, de ‘O Auto da Compadecida’. Acontece que Selton Mello nasceu com a benção de Melpômene e Tália, da tragédia e da comédia, e entende, como poucos, que uma musa não existe sem a outra”.

Para fazer justiça ao texto da mais intelectualizada de nossas atrizes, Selton dialogou com o drama e a comédia. Com lágrimas nos olhos evocou os pais, Selva e Dalton, mortos recentemente (ela, há dois anos, com Alzheimer, ele, há um mês). “Se não tivessem morrido estariam aqui, pois sempre fizeram questão de acompanhar presencialmente minha carreira”.

O homenageado fez questão, também, de lembrar que seu nome, incomum, nasceu de SEL (primeira sílaba de Selva) e de TON (sílaba final de Dalton). “Inventaram um nome inexistente para mim”.

O ator contou que estivera, ainda bem jovem, no Festival de Gramado de 1994 ou 95. Nunca fizera um filme (só TV) e queria fazer. Então “ficava no pé dos colegas mais experientes, Roberto Bomtempo e Chico Diaz”, aprendendo com eles. “Eu sabia que minha turma estava no cinema. Atuei em muitos filmes e dirigi alguns deles. Como nunca tive fixação no novo, pude convocar para meus elencos artistas ‘esquecidos’ como Darlene Glória, Paulo Guarnieri, Moacir Franco e Jorge Loredo”.

De cabeça, pois não recorreu a cola de papel, nem digital, Selton lembrou os saudosos Paulo José e Caio Junqueira, e enfileirou imensa lista de nomes do cinema brasileiro. Ruth de Souza, Chica Xavier, Grande Otelo, Oscarito, Cláudio Coreia e Castro, Armando Bógus, Norma Benguel, Lilian Lemmertz, Anselmo Duarte, Aracy Balabanian, Barretão, Paulo Gracindo, Flávio Migliaccio… E cobrou: “Sganzerla e Bressane, meus preferidos, merecem o mesmo destaque dado ao Cinema Novo”. Mas contemporizou citando, em sua vasta lista, Glauber Rocha, o profeta cinemanovista. E lembrou que o primeiro detentor do Kikito de Cristal fôra Eduardo Coutinho, “um gênio”. A imensa lista fez necessária, porque “todas essas pessoas me formaram”.

O menino prodígio de Passos, exibido a ponto dos pais irem para São Paulo tentar encaixá-lo como ator mirim (conseguiram!), mostrou que sabe tudo de palco. Segurou o prêmio na altura do coração e, sem afobamento, apresentou muitas de suas “máscaras” ao público e aos fotógrafos. Arrasou. Selton é mesmo a soma de Chicó com o angustiado André da arcaica lavoura de Raduan Nassar e Luiz Fernando Carvalho.

Ainda aproveitou o palco, os holofotes e os aplausos para fazer uma confissão: “O Palhaço, personagem de meu segundo filme como diretor, sou eu. Não disse isso na época para não sugestionar os jornalistas”. O longa, de imenso sucesso, vendeu 1,5 milhão de ingressos.

A equipe de “Justino – Nos Bastidores do Reino”, produção brasiliense de Nilson Rodrigues, subiu ao palco, sob a regência de Belmonte, com seus principais atores (Christian Malheiros, Larissa Nunes, Caio Blat, Bruno Garcia, Onna Silva e Angel Ferreira). E com integrantes de sua equipe técnica — o montador André Finotti, a diretora de fotografia Leslie Monteiro, o distribuidor e coprodutor Jean-Thomas Bernardini, e o escritor Luiz Fernando Emediato, editor do livro “Nos Bastidores do Reino”, fonte seminal do roteiro. Nessa obra, o ex-pastor Mário Justino narra sua tumultuada e convulsiva experiência na Igreja Universal do Reino de Deus.

No debate de “Justino”, Belmonte e sua equipe ouviram vários elogios. E estes foram consagradores para Caio Blat, que interpreta o líder da Igreja do Campo Divino (inspirada, claro, na Igreja Universal) e para a atriz trans Onna Silva, a Danuza. Cabe a ela interpretar uma boa samaritana, vocacionada a socorrer vítimas da Aids na Nova York do final do século XX. Entre eles, o ex-pastor Justino.

Equipe de “Justino – Nos Bastidores do Reino”, de José Eduardo Belmonte © Edison Vara/Ag.Pressphoto

O longa do prolífico Belmonte constrói, à moda dos nervosos filmes povoados por pequenos mafiosos de Martin Scorsese, narrativa marcada pela pobreza, pela ambição, por grandes perdas e sofrimentos.

Tudo começa num barraco em favela de São Gonçalo, no estado do Rio, na segunda metade dos anos 1960. O menino Justino, muito inteligente e inquieto, vê a mãe desdobrando-de em cansativas tarefas e jura a si mesmo que dará a ela um futuro melhor, bem melhor. A começar por casa boa, equipada com máquina de lavar e muitos eletrodomésticos.

Já adolescente, consegue, por insistência própria, vaga em colégio religioso dos mais conceituados. Tira ótimas notas, mas (preto e pobre) sofre bullying. Já adulto torna-se pastor da Igreja do Campo Divino, graças à força de convencimento de sua oratória. No campo amoroso, irá relacionar-se com outro pastor. Mas — para o bem da Campo Divino — ele e o outro pastor deverão casar-se com boas moças, fiéis seguidoras da Igreja. A esposa de Justino, Graça (Larissa Nunes), ama o marido, mas o expulsará de casa quando descobrir que ele vive relacionamento homoafetivo.

A parte mais importante do filme se concentrará num período de doze anos. Veremos Justino dos 15 aos 27 anos (de 1980 a 1992). Ele viverá tempos convulsivos. Participará da ação da Campo de Divino em Salvador, Bahia, para implantar (e impor) a religiosidade neopentecostal, em brutal oposição aos cultos ligados à umbanda e ao candomblé.

Acabará afastado da igreja pelo Pastor Azevedo (calcado no Bispo Edir Macedo), por ter doado parte do dízimo coletado num culto a um necessitado. Mais tarde, será reintegrado. Desenvolverá atividade pastoral em Portugal, atendendo a imigrantes vindos da África lusófona. Mas novos problemas surgirão. Contaminado pela Aids e disposto a enfrentar o poder do Pastor Azevedo e de seus principais ajudantes (interpretados por Bruno Garcia e Angel Ferreira), ele terá que buscar refúgio em Nova York.

Caio Blat, por seu desempenho, que nada tem de caricatural, foi apontado — durante o debate — como fortíssimo candidato ao Kikito de melhor coadjuvante.

O ator abordou seu processo de construção do Pastor Azevedo: “me perguntei qual seria o ponto de vista dele, um homem com o dom da oratória, dotado de firme convicção religiosa e de carisma. Eu, que sou pautado pela dúvida, tinha que me colocar naquele personagem, um homem portador de certezas absolutas e imensa capacidade de sedução”.

Bruno Garcia e Angel Ferreira (ex-Igor Angelkorte) também fogem da caricatura. Seus desempenhos enriquecem o filme. Garcia contou que antes de realizar uma das cenas mais fortes da narrativa — aquela em que insulta o povo de santo, em ato de explícita intolerância religiosa —, ele, um operário-ator, pediu proteção à sua mãe-de-santo. E licença aos homens negros que participavam das filmagens como figurantes. Afinal, lembrou, “não assistimos atos de intolerância com igrejas católicas ou templos evangélicos. Por que isso acontece com os terreiros?”

Belmonte contou que “Justino – Nos Bastidores do Reino” só será lançado no primeiro semestre de 2027. Na plateia do debate, no Hotel Serra Azul, muitos dos participantes reclamaram da data, argumentando que a exibição do filme enriqueceria o debate justo nesse momento de disputa presidencial.

O filme teve locações no Brasil (São Paulo e Bahia) e em Portugal. As locações em Nova York, coberta pela neve — confessou Caio Blat — “foram recriadas em Salvador, no calor do verão”. Profissionais devidamente qualificados “jogaram camadas de sal numa praça” e compuseram a neve nova-iorquina. Graças à magia do cinema. O resultado impressiona.

O segundo longa da sexta noite gramadense — “Afrontosa”, de Coraci Ruiz e Julio Matos, veio de Campinas, terceira maior cidade do estado de São Paulo.

A dupla subiu ao palco do Palácio dos Festivais acompanhada de sua protagonista, Suzy Santos, mulher trans, periférica e preta, que transformou-se em respeitada agente de saúde. Ela, que viveu nas ruas e da prostituição, recorreu à ajuda de programas sociais. Ao usufruir deles, descobriu sua vocação para ajudar os mais desfavorecidos. Tornou-se gestora de programas de saúde destinados a pessoas postas em condição de grande vulnerabilidade.

“Afrontosa” fecha trilogia que a dupla campineira iniciou com “Limiar” (sobre o processo de transição da filha do casal) e sequenciou com “Germino Pétalas no Asfalto”.

“Afrontosa” ganha tônus quando Susy, fã de Madonna — seu nome vem do filme “Procura-se Susy Desesperadamente” (Susan Seidelman, 1985), torna-se candidata a vereadora (pelo PSOL), na conversadora Campinas. Sua interação com a coach escalada para ajudá-la nas lides eleitorais resulta em ótimas sequências. Boas também são as cenas que mostram Susy interagindo com os moradores das ruas de Campinas.

O terceiro programa de curtas do Festival de Gramado uniu documentário mato-grossense (“Divino: sua Alma, sua Lente”, tributário da seminal experiência do Vídeo nas Aldeias), a uma animação mineira (“A Menina que Queria Ser Pedra”) e a uma ficção carioca (“Pique-Pega”).

Clea Torres e Gilson Costta narram a história cinematográfica de Divino Tserewahú, que assina a codireção do filme. Ao longo 21 minutos, esse documentário, que se constrói como narrativa de recorte clássico, nos mostra seu protagonista sentado frente a um computador-ilha de edição.

Integrante da etnia Xavante, Divino reencontra e comenta imagens de parentes. Muitos deles já partiram, deixando saudades. Caso do irmão mais velho, preparado por Vincent Carelli, pilar do projeto Vídeo nas Aldeias, para ser o cineasta da tribo. Com esse irmão, Divino foi aprendendo a filmar. Dele herdou a missão de seguir documentando sua gente, suas danças, cantos e práticas cotidianas.

Jackson Abacatu, diretor de “A Menina que Queria Ser Pedra”, formado pela Escola de Belas Artes da UFMG, conseguiu contar, em apenas nove minutos, história simples e envolvente, desenhada em ondulantes folhas de caderno. Um menino curioso encontra uma menina na beira de um lago. Ela, serena e tranquila, diz identificar-se com uma pedra. Os dois iniciam, então, reflexões em torno da questão filosófica — o que é ser uma pedra?

Abacatu, que é músico, além de artista visual e cineasta, foi tomado por imensa verborragia no palco do Palácio dos Festivais. Ignorou o cronômetro eletrônico que recomenda discursos de até dois minutos e danou-se a explicar o filme. Chegou perto de metade da minutagem de seu sintético filme. Conciso na criação artística e prolixo no discurso verbal. Mas o filme foi muito aplaudido.

O carioca “Pique-Pega” sustenta-se no talento de suas duas protagonistas – Malu Galli, melhor atriz em Gramado, ano passado, por “Querido Mundo”, e Carol Duarte (“A Vida Invisível”). Elas interpretam mulheres que se confrontam numa festa. A mais jovem (Ana, de 30 anos) aproxima-se de Dida, já sexagenária, e começa a cobrar desta um pedido de desculpas. Afinal, atitude de Dida, tomada no passado, trouxera muito sofrimento a Ana.

A mais velha tenta se desvencilhar da insistente contendora. Em vão. De forma lacunar, saberemos o que acontecera, anos atrás.

Um experiente roteirista e diretor, Pedro Freire, do festejado “Malu”, atuou como produtor e montador de “Pique-Pega”. A jovem Mia Lima Rocha, que roteirizou e dirigiu o curta, usou o espaço destinado — no catálogo do festival — à sua biografia, para definir seu projeto estético-conceitual: “explorar a ambiguidade moral e os limites da empatia, através de história centrada em personagens mulheres”. Ela define o filme como uma “comédia de desconforto”.

FLASHES GRAMADENSES

REFUGIADO EM NOVA YORK — O ex-pastor Mário Justino, interpretado por Christian Malheiros, vive em Nova York. Foi na metrópole norte-americana que ele encontrou refúgio, já que sentia-se “marcado para morrer” no Brasil. Afinal, desafiara a alta hierarquia da Igreja à qual prestara serviços pastorais. Quando se mostrou disposto a revelar aspectos secretos da instituição religiosa, tentaram dissuadi-lo. Inclusive com dinheiro. Ele acabou contando sua história em livro. O escritor Luiz Fernando Emediato, da Geração Editorial, foi apresentado ao testemunho do pastor evangélico pelo escritor Marcelo Rubens Paiva. Leu o texto e estava pronto para imprimi-lo. Procurado por representantes da instituição, recebeu oferta financeira para desistir da publicação. Respondeu que não cabia a ele tomar tal decisão. Ela pertencia somente a Justino. Que rejeitou a proposta com duas perguntas: “o que farei com essa grana toda? Um túmulo de ouro, já que estou jurado de morte?”. Emediato não conseguiu publicar o livro em sua primeira tentativa. Foi impedido por decisão judicial. Décadas depois, a mesma juíza da sentença original autorizou a publicação do testemunho de Mário Justino. No debate do filme, nascido do livro, José Eduardo Belmonte sugeriu aos interessados que leiam o testemunho integral de Mário Justino, já que o filme deixou muitas história vividas pelo ex-pastor de fora. Se não fosse assim, explicou, “Nos Bastidores do Reino”, que dura redondas duas horas (mesmo adotando montagem das mais ágeis) duraria quase o dobro”.

DE IGOR ANGELKORTE A ANGEL FERREIRA — Durante o debate de “Justino”, um dos atores, rosto conhecido na televisão (“Babilônia”, “Através do Horizonte”, “Terra e Paixão”) e do teatro, teve participação expressiva. Comentou o trabalho dos colegas, destacou o prazer de interpretar personagens complexos e trabalhar com um diretor como Belmonte, sempre aberto à contribuição de suas atrizes e atores. Coube a ele, no filme, integrar o time de pastores a serviço do líder da Igreja do Campo Divino, interpretado por Caio Blat. Quem, porém, procurar o referido ator por seu nome original — Igor Angelkorte — nos créditos de “Justino”, não irá encontrar. Por razão muito simples. Aos 38 anos, ele resolveu assumir outro nome — Angel Ferreira.

EVA PEREIRA E LEONARDO MARTINELLI – O júri formado por Gramado para analisar (e premiar) os curtas da competição brasileira compõe-se com a tocantinense Eva Pereira e o carioca Leonardo Martinelli, ambos diretores. Eles se somam aos atores Gabriela Loran, Ícaro Silva e Marcus Vera. Gramado buscou, pois, em sua história recente, dois nomes que se destacaram no Palácio dos Festivais. Eva foi a primeira cineasta do Tocantins a apresentar um longa-metragem na principal competição do festival gaúcho. Em 2023, ela mostrou “O Barulho da Noite” na disputa pelo Kikito de melhor longa ficcional. Nesse momento, ela preside a CONNE (Conexão Audiovisual Norte, Nordeste e Centro-Oeste) e prepara o lançamento de “O Barulho da Noite”, protagonizado por Marcos Palmeira e Emmanuelle Araújo, para o mês que vem. Leonardo Martinelli apresentou, em Gramado, os três curtas que lhe deram fama: “Fantasma Neón” (Leopardo de Ouro, em Locarno), “Pássaro Memória” e “Samba Infinito”. Atualmente, o jovem realizador cuida da pré-produção da versão longa de seu curta mais famoso, “Fantasma Neón”.

GRENAL, O CLÁSSICO DAS AMÉRICAS — Um documentário feito para os amantes do futebol movimentou, na tarde dessa quinta-feira, 20 de agosto, o cinema do Hotel Serra Azul e trouxe Luiz Felipe Scolari, coordenador de futebol do Grêmio, e Abel Braga, diretor técnico do Internacional, à Serra Gaúcha. Eles vieram prestigiar “Grenal: O Maior Clássico das Américas”, longa dirigido por Belisário Franca e Tatiana Sager. Exibido em sessão especial, o filme narra um século de rivalidade entre o Tricolor gaúcho e o Colorado, com a intenção de mostrar como o clássico dos pampas “moldou a cultura e a vida afetiva dos torcedores rio-grandenses”. A produção do documentário fez questão de cronometrar o tempo de tela de cada equipe para não ser tachada de parcial. Ou seja, de ter puxado a sardinha para a brasa de um dos grandes times que moram nos corações das gentes do Rio Grande do Sul.

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