Audiovisual brasileiro reforça laços de cooperação regional no Festival de Cinema de Oberá

Foto: Sofia Ferreira, diretora do Instituto Estadual de Cinema do Rio Grande do Sul

A presença de realizadores, cineclubistas, gestores culturais e estudantes brasileiros marcou a 23ª edição do Festival de Cinema de Oberá, realizada de 6 a 10 de outubro, na Argentina. O encontro promoveu debates sobre a circulação do cinema regional, a formação de público e as políticas audiovisuais, além de experiências de coprodução entre universidades de quatro países.

O evento fortaleceu os vínculos entre profissionais do audiovisual da Argentina, do Brasil, do Paraguai e do Uruguai, com destaque para a participação brasileira no Fórum Entre Fronteras e na primeira Maratona Estudantil de Coprodução Audiovisual Montaraz Entre Fronteras.

A presença do Brasil também se estendeu às sessões de cinema, às atividades de formação e aos espaços de intercâmbio entre instituições acadêmicas e culturais. A proposta do festival é ampliar a circulação das produções da região e consolidar uma rede de cooperação que ultrapasse as fronteiras nacionais.

Realizado nos dias 9 e 10 de outubro, na Faculdade de Artes e Design da Universidade Nacional de Misiones (UNaM), o Fórum Entre Fronteras reuniu representantes do setor audiovisual dos quatro países para debater estratégias de circulação, exibição e formação de público. Entre os participantes brasileiros estavam Luiz Alberto Cassol, cineasta, cineclubista e curador do Festival Santa Maria Vídeo e Cinema, do Rio Grande do Sul; Maurício Ferreira, coordenador do festival Três Margens, de Foz do Iguaçu; Richard Luiz Ferreira Campos, mediador cultural e arte-educador de Foz do Iguaçu; e Lara Sorbille, cineasta, arte-educadora e jornalista formada pela Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA).

Sofía Ferreira, diretora do Instituto Estadual de Cinema do Rio Grande do Sul, participou do fórum Ponto de Indústria Guayrá e destacou a oportunidade de aprofundar relações construídas ao longo dos últimos anos e debater o contexto das políticas públicas para o cinema em sua cidade. Sua contribuição incluiu uma análise dos avanços e desafios recentes do setor e da necessidade de desenvolver estratégias que garantam a sustentabilidade da produção audiovisual fora dos principais polos do Rio de Janeiro e de São Paulo.

Outro destaque da participação brasileira foi a presença da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), de Foz do Iguaçu, na primeira edição da Maratona Estudantil de Coprodução Audiovisual Montaraz Entre Fronteras. O encontro reuniu estudantes, docentes e profissionais dos países da região das Três Fronteiras, que desenvolveram seis curtas-metragens com o acompanhamento de profissionais especializados. Os trabalhos foram apresentados na cerimônia de encerramento, junto com os filmes realizados nos projetos de cinema comunitário dos bairros de Oberá.

A experiência prevê continuidade para além do festival, com a perspectiva de que as instituições participantes se alternem na organização das próximas edições. Dessa forma, a maratona busca consolidar uma rede universitária de produção audiovisual capaz de manter os vínculos e ampliar as oportunidades de colaboração entre os países.

A cinematografia brasileira também esteve presente nas sessões do Festival de Cinema de Oberá. A Cinemateca Paulo Amorim, em comemoração aos seus 40 anos, preparou, em conjunto com o festival, uma mostra que incluiu “A Mulher do Pai”, longa-metragem de Cristiane Oliveira ambientado na fronteira entre o Brasil e o Uruguai, e os curtas-metragens “Grito”, de Luiz Alberto Cassol, e “O Louco”, de Guilherme Gutierres Suman.

A programação dedicada ao público infantil também incluiu produções brasileiras. Na Mostra Acessível da RECAM, foram exibidos os curtas-metragens “A Menina e o Mar”, de Gabriel Mellin; Meu Nome é Maalum”, de Luis Copetti; e “Agosto dos Ventos”, de Paulo Antunes.

Além das sessões, realizadores e participantes brasileiros integraram atividades de formação e intercâmbio, incluindo o programa Documentário, Intimidade e Encenação (DIP), que reuniu participantes de diferentes países para experimentar abordagens de criação documental.

A cooperação entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai foi um dos eixos do festival. A programação reuniu filmes da região, atividades de formação, encontros profissionais e experiências de criação comunitária, reafirmando o papel do evento como espaço de aproximação entre os territórios.

O filme de encerramento foi “Bajo las Banderas, el Sol”, documentário paraguaio de Juanjo Pereira sobre os arquivos audiovisuais da ditadura de Alfredo Stroessner. A obra recupera imagens produzidas durante o regime e investiga como o material de propaganda contribuiu para construir um imaginário político que perdurou após a queda da ditadura, em 1989.

Ao reunir produção, formação e articulação institucional, o Festival de Cinema de Oberá reafirmou a importância de construir circuitos regionais capazes de ampliar o acesso às telas. Para os participantes brasileiros, o encontro representou uma oportunidade de compartilhar experiências, debater políticas públicas e fortalecer vínculos de trabalho que permitam ao cinema da região chegar a novos públicos.

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