Festival Curtas de São Paulo exibirá cerca de 350 filmes de 52 países
“Muta”, de Lucrecia Martel

O Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo chega à sua 26ª edição, entre os dias 19 a 30 de agosto, e exibirá cerca de 350 filmes, de 52 países, que foram selecionados em meio a mais de 3.600 inscritos, além de títulos convidados. Gratuita, a programação acontece em diversas salas de cinema – MIS, CineSesc, Cinemateca, Espaço Itaú Augusta, Centro Cultural São Paulo, Cine Olido, Cinusp  e espaços do Circuito Municipal de Cultura – e, neste ano, também nas ruas da capital paulista.

Além de um passeio ciclístico pelas ruas do centro de São Paulo, com projeção de curtas ao ar livre, o festival traz quatro programas especiais sobre a mobilidade urbana. Alexandra Wahrhaftig, Helena Ungaretti e Miguel Antunes Ramos, realizadores do curta “E” – documentário sobre estacionamentos e especulação imobiliária que foi exibido no evento em 2014 –, assinam a curadoria de dois deles: Carro – um Trajeto, que aborda os distintos papéis do automóvel no imaginário nacional, e Personagens em Deslocamento, com curtas que mostram como a vida das pessoas é afetada pelas possibilidades de movimentação em áreas urbanas.

Reunindo produções de 1991 a 2011 que já foram exibidas em outras edições do evento, Mobilidade Humana revela aventuras humanas vividas em diferentes trajetos. Já o programa “Vélo” (bicicleta, em francês) traz uma seleção de curtas do festival francês Clermont-Ferrand que afirmam a condição de liberdade que a bicicleta proporciona.

A programação é dividida nas tradicionais mostras Internacional, Latino-americana, Programas Brasileiros e Programas Especiais. A lista de filmes selecionados para o 26° Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo pode ser consultada no site www.kinoforum.org.br/curtas.

Na seleção internacional, estão diversos filmes premiados em grandes festivais no ano passado. Entre eles, o libanês “Ondas 98” (Ely Dagher), vencedor da Palma de Ouro em Cannes, o norte-americano “Mundo de Amanhã” (Dom Hertzfeldt), ganhador do Sundance, o tunisiano “Pai” (Lotfi Achour), favorito do público internacional em Clermont-Ferrand, e o francês “Um Único Corpo” (Sotiris Dounoukos), que levou o Grand Prix de Toronto.

Também há curtas realizados por nomes já bastante conhecidos no cinema, como “Ernie Biscuit”, animação dirigida pelo australiano Adam Elliot, autor do vencedor do Oscar “Mary e Max”, e duas produções da francesa Ursula Meier, diretora do longa “Minha Irmã”: “Silêncio Mujo” e “Kacey Mottet Klein – O Nascimento de um Ator”, que, ao estilo “Boyhood”, de Richard Linklater, acompanhou por anos o crescimento e desenvolvimento frente às câmeras do ator suíço que dá nome ao curta e virá a São Paulo para apresentar o filme. Outro destaque é “O Muro e a Água” (Alice Fargier), um documentário com participação de Luc Dardenne.

Com 26 curtas de 11 países latino-americanos, selecionados em meio a 270 inscritos, a Mostra Latina destaca a animação mexicana “Zimbo” (Juan Media e Rita Basulto), que faz uma homenagem a brinquedos antigos e foi ganhadora do Festival de Guadalara, e o chileno “Loucas Perdidas” (Ignacio Juricic Merillán), que recebeu o Queer Palm em Cannes ao retratar a vida de um adolescente gay no Chile conservador dos anos 1990. “The Mad Half Hour” (Leonardo Brzezicki), coprodução da Argentina/ Dinamarca, participou do último Festival de Berlim e “When I Get Home”, realizado em Cuba, mas com direção do brasileiro Aldemar Matias, é um delicado documentário que retrata um casal de senhores cubanos.

Nesta edição, o festival recebeu inscrições de mais de 600 curtas-metragens nacionais. O comitê selecionador levou 545 horas para assistir a todos eles – e muitas outras para discuti-los –, chegando ao número de 125 programados, que serão exibidos nas diferentes mostras dos Programas Brasileiros.

A Mostra Brasil traz 51 filmes de 15 Estados brasileiros e revela uma safra bem politizada, reflexo da efervescência política vivida no Brasil e no mundo. São exemplos o gaúcho “O Teto sobre Nós” (Bruno Carboni), uma ficção filmada dentro de uma ocupação sob ordem de despejo; o documentário “Um Dia” (Angelo Deganti), do Rio de Janeiro, inédito no Brasil, que acompanha um dia na vida do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL); e o carioca “Uma Família Ilustre”, que marca o retorno da diretora Beth Formaggini ao curta para apresentar o relato confessional de um ex-delegado responsável por dar fim a corpos de mortos pela ditadura no Brasil. Também participam a animação “Mobios” (Carlos Eduardo Nogueira), que faz estreia mundial no festival, e “Go Estudo Pro”, de São Paulo, que tem o veterano Domingos Oliveira ao lado dos realizadores Felipe Roque e Luca Pougy.

O Panorama Paulista reúne 29 curtas, de múltiplos temas e formatos, oriundos da capital, interior e litoral de São Paulo. Entre os destaques, “Command Action” (João Paulo Miranda), que foi rodado em uma feira popular de Rio Claro e esteve na Quinzena dos Realizadores do último Festival de Cannes.

No Cinema em Curso Petrobras, estão 20 filmes produzidos em 13 diferentes cursos de graduação em cinema e audiovisual espalhados pelo Brasil, como “De Terça pra Quarta”, de Victor Costa Lopes, da Universidade Federal do Ceará. Completando os Programas Brasileiros, dez curtas-metragens que são resultado das últimas temporadas das Oficinas Kinoforum, que promoveu atividades com crianças, jovens e adultos, entre novembro de 2014 e março deste ano, nos bairros de Vila Alpina e Jardim Ângela.

O Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo traz 15 Programas Especiais em sua 26ª edição. Entre eles, está o Transform UK Brazil, realizado em parceira com o British Council, que exibe uma seleção de filmes do Encounters, principal festival de curtas e animação do Reino Unido, além de uma retrospectiva do diretor e roteirista Simon Ellis, que participará de um encontro com o realizador Felipe Barbosa para falar de seu processo de escrita. Também integra o programa um workshop de animação com o cineasta Ainslie Henderson.

A mostra Fotofilmes Brasileiros surgiu de uma pesquisa desenvolvida a partir de 2007 pelos curadores Érico Elias e Fernando de Tacca, que reuniram obras de origens e propostas estéticas variadas. A seleção inclui desde filmes históricos, como “ABeladormecida: Entrada numa Só Sombra” (1978), de Marcello Tassara, professor da ECA-USP e pioneiro da área no Brasil, até produções experimentais que do início da carreira de muitos cineastas, como “Vinil Verde” (2004), de Kleber Mendonça Filho.

Comemorando os 50 Anos de ENERC, a primeira escola argentina de cinema, um programa resgata um exclusivo retrato documental do escritor Jorge Luis Borges, filmado em 35mm e curtas de faculdade de ex-alunos, hoje conhecidos mundo afora. É o caso de “À Espera”, de Fabián Bielinsky, falecido diretor de “Nove Rainhas”, e “Você Não Vai Levá-la, Desgraçado”, de Lucrecia Martel (também na mostra da Miu Miu), que dirigiu “A Menina Santa”. Lucía Puenzo ganha um programa especial, que une seu curta “Os Invisíveis” com o longa “Wakolda”.

Com Miu Miu: Contos de Mulheres, o festival retoma sua sessão A Marca do Curta, que reforça a ideia do formato como meio de comunicação capaz de chegar ao grande público com agilidade e a beleza do cinema. Nele, está uma série de curtas patrocinados pela grife Miu Miu e dirigidos por algumas das principais realizadoras da atualidade, como Lucrecia Martel, Miranda July e Zoe Cassavetes, que celebram a feminilidade do século 21 sob um olhar crítico.

Norteada pelas inquietações que aprofundam as discussões amorosas, a mostra Fragmentos de um Discurso Amoroso é dividida em dois programas. Em Amores Brutos, está “Essa é a História”, dirigido pela festejada cineasta francesa Claire Denis, e em Não Amarás, espaço de destaque da programação LGBT do festival, o chileno “San Cristóbal” (Omar Zúñiga Hidalgo), que expõe o clima de antagonismo das relações homoafetivas.

“Rastros”, do documentarista chinês Wang Bing, dá o tom do programa Memórias Urgentes, com filmes que tratam de questões políticas da atualidade. Já o documentário de Paula Gaetan, “Agnes Varda – A Chuva em meu Jardim”, traz uma longa entrevista com a cineasta e fotógrafa belga e abre o programa Reflexos de Artistas.

Já ícone do Festival de Curtas, a Mostra Infanto-juvenil chega à sua 11ª edição, exibindo cerca de 20 filmes de diversos Estados do Brasil e países como Alemanha, República Tcheca e Suíça. De temáticas e formatos variados, as obras estão divididas em dois programas infantis (6 a 10 anos) e um juvenil (10 a 14 anos). Outro clássico do evento, criado há 13 anos, o programa Dark Side apresenta seis curtas de horror, produzidos em seis países diferentes.

Outras atrações deste ano são as mostras A Copa Passou por Aqui, com seis episódios da série idealizada por Jorge Furtado, da Casa de Cinema de Porto Alegre, e realizada por nomes como Lázaro Ramos e Tata Amaral, e Os Caminhos da Animação, organizada em colaboração com a ABCA – Associação Brasileira de Cinema de Animação, com um recorte que afirma a importância do curta-metragem na formação dos animadores.

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