Almanaque da Rosário — 19 julho 2016
Martel-Arriaga-Reygadas

As escolas de cinema estão mudando, de forma impressionante, o perfil dos novos realizadores brasileiros. A geração do Cinema Novo, por exemplo, viu engenheiros, químicos e advogados se transformarem em cineastas. Não havia escolas de cinema no país (só alguns cursos livres) e poucos eram os que podiam ir estudar no IDHEC francês (Eduardo Coutinho foi) ou no Centro Experimental de Cinematografia, em Roma (Person, Saraceni e Gustavo Dahl foram).

Agora, com a multiplicação de escolas de cinema de nível universitário por todas as regiões brasileiras, tornou-se comum ler nos currículos dos diretores, que eles fizeram mestrado e doutorado. Ou seja, dirigem seus filmes, mas sem descuidar dos estudos. Até porque muitos querem seguir carreira também como professores. A paixão pelo estudo e pela reflexão tornou-se tão grande, que trupe de jovens realizadores paranaenses (sob a coordenação de Rafael Urban e Marcelo Muñoz) organizou um grande seminário em Curitiba para estudar e debater a construção do roteiro. Não o roteiro tradicional, à moda do Syd Field dos manuais de corte hollywoodiano. Mas diretores (e roteiristas) inventivos como a argentina Lucrécia Martel (que está finalizando “Zama”, seu novo filme, no qual Matheus Nachtergaele tem papel importante), os mexicanos Carlos Reygadas e Guillermo Arriaga, o português Miguel Gomes (Tabu) e os brasileiros Karim Aïnouz e Kleber Mendonça. Todas as palestras e debates foram reunidas em livro – “Conversas sobre uma Ficção Viva” – que causou ótima impressão no meio audiovisual curitibano. Os organizadores do seminário e editores do livro integram um dos dois Núcleos Criativos (bancados pelo Fundo Setorial do Audiovisual, gerido pela Ancine) que movimentam o novo cinema paranaense.

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