Almanaque da Rosário — 12 outubro 2016

O ator Ricardo Darín é um fenômeno raro de se ver no cinema latino-americano. Perto dos 60 anos, que completará em janeiro, vive seu apogeu. Desde que “O Segredo dos seus Olhos” ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro, em 2010, ele vem atuando numa média de dois longas por ano. Sua filmografia já se aproxima dos 50 títulos. Catorze deles realizados nos últimos seis anos. Os dois últimos bombaram em nosso circuito de arte: “Relatos Selvagens”, no qual interpreta o estressado Simón “Bombita”, que vendeu quase 500 mil ingressos, e o afetuoso “Truman”, quase 150 mil.

Agora, chegou a vez de “Kóblic”, novo trabalho com Sebastián Borensztein, o mesmo do cativante “Um Conto Chinês”. Mas “Kóblic” é um filme terrível. Nele, Darín interpreta aviador que, durante a ditadura militar argentina, pilotava “voos da morte”. Aqueles cuja carga eram corpos de presos políticos assassinados sob tortura e lançados ao mar.

O ator já tem mais trabalho inédito para mostrar: “Nieve Negra”, de Martín Horcada. E vai protagonizar “La Cordillera”, de Santiago Mitre (do polêmico “Paulínia”). Para celebrar tanto êxito, duas instituições ibero-americanas – Egeda & Fipca – ofereceram a Darín um Platino de Honor. Ao receber a láurea, foi aplaudido de pé (honraria concedida apenas à guatemalteca Rigoberta Menchú, Nobel da Paz/1992). Em seu “antidiscurso” (confessou-se avesso a pronunciamentos públicos), o ator defendeu espaços para o cinema ibero-americano e seguiu caminho antes trilhado em conversa com duas centenas de jornalistas: “nós temos que nos perguntar até que ponto nos interessam as superproduções e seus efeitos especiais ou as histórias de carne e osso”. Só a partir de nossa “resposta íntima” poderemos “visualizar soluções capazes de alterar o difícil quadro atual”.

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