Almanaque da Rosário — 30 novembro 2016

Os jovens realizadores negros brasileiros resolveram botar a boca no trombone. Na capital federal, em seminário organizado pela Fundação Ford, em parceria com o Festival de Brasília, quinteto formado por Yasmin Tainá, Viviane Ferreira, Sabrina Fidalgo, Diego Paulino e Jeferson De refletiu sobre a falta de espaço para o segmento black no audiovisual. Denunciaram o desinteresse dos festivais por filmes de diretores afro-brasileiros e a falta de políticas públicas.

Na noite de premiação do Fest Brasília, a jovem Flora Egécia (prêmio do Júri Popular na Mostra Câmara Legislativa) subiu ao palco com a equipe do curta “Das Raízes às Pontas” (sobre cabelos afro) e chamou a atenção para temas da negritude. Na Mostra CineBH, em Minas, jovens negros protestaram com vistosos cartazes nos quais se liam mensagens questionadoras: “O elenco negro, cadê?”, “Negras também são princesas” e “O povo do cinema é nóis”. Justiça seja feita: graças ao trabalho de cineastas como André Novais Oliveira (“Ela Volta na Quinta”) e Maurílio e Gabriel Martins (“Contagem”), o cinema mineiro tem se mostrado muito sensível à questão black. Vale, inclusive, registrar, que o filme que venceu o Fest Brasília – o mineiro “A Cidade Onde Envelheço”, de Marília Rocha, protagonizado por duas atrizes lusitanas (Elizabete Francisca e Francisca Manuel) – tem dois coprotagonistas negros (Paulo Nazareth e Wenderson Neguinho).

Levantamento feito pelo cineasta e pesquisador Joel Zito Araújo mostra que, em mais de 100 anos de história, só 20 realizadores afro-brasileiros assinaram longas-metragens e nenhum deles superou cinco títulos. Quatro (entre os 20) são nomes femininos (Adélia Sampaio, Sabrina Rosa, Manaíra Carneiro e Camila Pitanga).

Depois das carreiras truncadas dos veteranos (e saudosos) Waldir Onofre e Zózimo Bulbul, as apostas seguem nas mãos de Joel Zito Araújo e Jeferson De (este, de volta ao universo black, depois do frustrado “O Amuleto”) e dos jovens Luciano Vidigal (“Cidade de Deus – 10 Anos Depois”), Rodrigo Fela (“Favela Gay”), André Novais e de time de curta-metragistas que chega com energia renovada e muita coragem para exigir políticas públicas consistentes.

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