“Amazônia Groove” abre versão musical da Ciranda de Filmes
“Amazônia Groove”, de Bruno Murtinho

Por Maria do Rosário Caetano

Guitarrada, carimbó, búfulo bumbá e tecnobrega são gêneros musicais que sacodem a Amazônia. E que estarão presentes na sessão inaugural, para convidados, da quinta edição da Mostra Ciranda de Filmes, nesta quarta-feira, 22 de maio. Depois, o festival prosseguirá, com entrada franca para todas as suas atividades (vivências, oficinas, performances, bate-papos e filmes musicais), até domingo, 26 de maio.

Os sons amazônicos, difundidos a partir do Pará, são a matéria-prima do longa documental “Amazônia Groove”, de Bruno Murtinho, escolhido para abrir a Ciranda. O filme integrou a seleção oficial do Festival do Rio, em novembro do ano passado, e foi premiado (pela melhor fotografia) no Festival South by Southwest (SXSW 2019), no Texas.

A equipe de “Amazônia Groove” orgulha-se de ter mostrado o documentário a Fernando Meirelles, diretor de “Cidade de Deus”, e dele ouvir elogio vibrante: “um filme delicioso, destes para mergulhar. Encantador, literalmente”. O longa chegará ao circuito comercial dia 6 de junho.

Para fornecer ao público um panorama dos gêneros que mobilizam multidões em bailes e bares paraenses, “Amazônia Groove” registra depoimentos de Dona Onete, Manoel Cordeiro, Mestre Damasceno, Paulo André Barata, Albery Albuquerque, Mg Calibre, Waldo Squash e Gina Lobrista. E não falta espaço para o mestre Sebastião Tapajós, de 75 anos, um dos grandes instrumentistas brasileiros. Cabe a ele representar o violão clássico da Amazônia.

O nome que batiza o filme é o mesmo do CD homônimo de Marco André. O artista, idealizador do projeto e seu diretor musical, cruza a Amazônia paraense, para “documentar a criação de artistas e tradições musicais que pulsam nesta região tão pouco conhecida dos próprios brasileiros”. O público da Ciranda de Filmes, depois de conhecer, com ajuda do filme, os sons amazônicos, desfrutará de show ao vivo protagonizado por Manoel Cordeiro. Tudo no Espaço Itaú de Cinema, na Rua Augusta, palco do festival.

Em agosto deste ano, a Ciranda de Filmes iniciará, pela primeira vez, itinerância por outras capitais (Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Salvador e Porto Alegre). Seu eixo temático, nesta edição, é o cinema musical. E sua intenção – explicam as curadoras Patrícia Durães e Fernanda Heinz – “é refletir sobre a conexão do ser humano com diversos segmentos da cultura, em especial com a educação”.

Setenta filmes de curta, média e longa-metragem, brasileiros e estrangeiros, serão exibidos pela Ciranda. Um dos destaques nacionais é “Piano que Conversa”, de Marcelo Machado, realizador que vem se dedicando a retratar movimentos musicais, como a Tropicália (filme visto por 80 mil espectadores) e músicos (“Com a Palavra, Arnaldo Antunes”, “Gilberto Mendes”, entre outros). Após a exibição de “Piano que Conversa”, o diretor, acompanhado do músico Benjamin Taubkin, conversará com o público.

A representação brasileira se complementa com “As Canções”, de Eduardo Coutinho, “Palavra (En)Cantada”, de Helena Solberg, “Nelson Freire”, de João Salles, “A Pessoa é para o que Nasce”, de Roberto Berliner (sobre as Ceguinhas de Campina Grande), “As Hiper Mulheres”, de Fausto, Sette e Kuikuro, “A Velha a Fiar”, de Humberto Mauro, “Hermeto, Campeão”, de Thomaz Farkas, “Uma Pequena Mensagem do Brasil” (ou “A Saga de Castanha e Caju Contra o Encouraçado Titanic”), de Walter Salles e Daniela Thomas, e, claro, com o festejado “Tropicália”.

A representação estrangeira, das mais variadas, compõe-se com “Violeta Foi para o Céu”, do chileno Andrés Wood (sobre a cantora Violeta Parra), “A Tuba to Cuba”, de Herrington e Clinch, “Esteban”, de Jonal Cosculluela, “Kinders”, de Riahi e Riani, “Listen to the Silence”, de Marian Chachia, “Alive Inside”, de Michael Rossato-Bennett, “Everybody’s Cage”, de Sandra Trostel, “Mantra, Sounds Into Silence”, de Georgia Wyss e Wari OM, “In Pursuit of Silence”, de Patrick Shen, e “School Life”, de Rane e Ní Chianáin. Os curtas “Being Hear, Rocknrollerse” e “Peter & the Wolf”, destaques do formato, serão exibidos antes de longas-metragens ou em sessões em que se somam a médias-metragens.

Um programa, em especial, deverá encantar o público: o clássico “O Garoto”, de Charles Chaplin (1921). O que faz um filme mudo numa Ciranda dedicada à música? Serve de estímulo ao compositor e produtor musical Tony Berchmans, que improvisará, ao piano, trilha sonora ao vivo para a comovente história da criança abandonada pela mãe e encontrada por Carlitos, um amoroso vagabundo.

A sessão comKids também deve ser prestigiada. Trata-se de iniciativa voltada à promoção e premiação de produções de qualidade e empenho cultural realizadas na América Latina. O curta “João, o Galo Desregulado”, de Alê Camargo e Camila Corrosine, com canção de Helio Ziskind, será exibido. Haverá, ainda, seleção de “curtas de alcance universal”, já que realizados sem diálogos. Neles, as imagens e sons conduzem a narrativa. Esta parte do programa tem curadoria do uruguaio Ricardo Casas, diretor do Divercine (Festival Internacional de Cine para Niños y Jóvenes), um dos parceiros do comKids.

O público da Ciranda poderá desfrutar – além dos filmes, performances, oficinas e debates – de ambientação especial no saguão do Espaço Itaú Augusta. “Será instalado” – lembram as curadoras – “um coreto com vários fones de ouvido e diversas playlists compostas com músicas destinadas a quem quiser meditar ou fruir sons da natureza”. E mais: “àqueles que desejarem cirandar com as canções da infância”, guardadas na memória afetiva.

 

Amazônia Groove
Brasil, 85 minutos, 2019
Direção: Bruno Martinho
Fotografia: Jacques Cheuíche
Produção: Leonardo Edde
Pré-estreia nesta quarta-feira, sessão para o público em geral nesta quinta, 23, seguida de debate com o diretor, e lançamento comercial, pela Pagu Filmes, dia 6 de junho

 

Mostra Ciranda de Filmes
Informações detalhadas no site www.cirandadefilmes.com.br (ingressos para as sessões dos filmes, vivências, performances, conversas musicais e sessões especiais, todas com entrada franca, devem ser retirados na bilheteria do Espaço Itaú Augusta, com uma hora de antecedência).

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