Prêmio Ariel consagra “Roma”

Por Maria do Rosário Caetano

“Roma”, de Alfonso Cuarón, triunfou em dez das 15 categorias que disputou nos Prêmios Ariel, o “Oscar mexicano”: melhor filme, diretor, roteiro, fotografia e montagem (quatro funções desempenhadas pelo cineasta), melhor atriz coadjuvante (Marina Tavira), efeitos especiais, efeitos visuais, desenho de arte e desenho de som.

A equipe do filme chegou à noite do Ariel – realizada na última segunda-feira, 24 de junho, na Cinemateca Mexicana – com 176 prêmios na bagagem. Agora são 186. O que transforma “Roma” no filme mais premiado da história do cinema (Leão de Ouro, Globo de Ouro, Oscar, Bafta, Goya, Platino etc.) e Alfonso Cuarón, no diretor-roteirista-fotógrafo-montador mais laureado pelo espantoso desempenho de cinco funções num só filme (Cuarón assina, também, a produção com sua empresa Esperanto, tendo a Netflix na retaguarda).

Depois de “Roma”, “Las Niñas de Bien”, de Alejandra Márquez Abella, foi o longa-metragem mais premiado da sexagésima-primeira edição do Ariel. Venceu em quatro das 13 categorias que disputou: melhor atriz (Ilse Salas, que derrotou a protagonista de “Roma”, a mizteca Yalitza Aparício), música original (Pedro Hidalgo Barreiro), maquiagem (Pedro Guijaro Hildalgo) e vestuário (Maria Annaí Ramos).

O melhor ator foi Noé Hernández, por “Ocho de Cada Diez”. O favorito era Gael García Bernal, mas 378 associados da Academia Mexicana de Arte e Ciências Cinematógraficas, que não premiaram a intérprete da doméstica indígena de “Roma”, consagraram Hernández, ator de rosto étnico, mas com – o que a categoria costuma levar em conta – grande experiência no teatro, cinema e TV.

“Museu”, de Alonso Ruizpalácios, que recebeu 13 indicações, só venceu em uma: ator coadjuvante para Leonardo Ortizgris, parceiro do personagem de Gael García Bernal no roubo de peças raras do Museu de Antropologia do México. Se tivesse concorrido a ator principal, Ortizgris estaria perfeito, pois é tão protagonista quando Gael.

O ousado “Nuestro Tiempo”, de Carlos Reygadas, que recebera seis indicações, inclusive a de melhor longa, não levou nenhum prêmio. A Academia acertou ao incluir um filme que subverte as regras do cinema (e com longuíssima duração, 173 minutos) na disputa principal. Mas faltou o atrevimento necessário para reconhecer muitos de seus méritos.

“La Camararista”, de Lila Avilés, que recebeu 10 indicações, venceu como “melhor opera-prima” (filme de diretor estreante). Mais um ponto para o cinema no feminino.

O melhor filme ibero-americano foi “Pássaros de Verão”, dos colombianos Ciro Guerra e Cristina Gallego, a mesma dupla (ele diretor, ela produtora) de “O Abraço da Serpente”, candidato ao Oscar estrangeiro em 2018.

O melhor documentário foi “Hasta los Dientes”, de Alberto Arnaut, e a melhor animação, “Ana y Bruno”, de Carlos Carrera, diretor reconhecido por filmes em live action, como o blockbuster “O Crime do Padre Amaro”, e os festejados “Un Embrujo” e “A Mulher de Benjamin”. Curioso notar que Carrera foi premiado também como um dos roteiristas de “Desde la Infancia”, junto com Silvia Pasternac, Fernando Javier Leon (categoria roteiro adaptado). Por este mesmo filme, o jovem ator Benny Emmanuel recebeu o troféu de “revelação”.

A noite de entrega do “Oscar mexicano” foi animada por atrizes e diretoras, que amarraram lenços vermelhos nos pulsos para clamar por mais espaço na indústria cinematográfica e contra o assédio.

A Academia Mexicana de Artes e Ciências Cinematográficas entregou três “Ariel de Ouro”, pela trajetória no audiovisual azteca, à roteirista Alícia Garciadiego, colaboradora de Arturo “Vermelho Sangue” Ripstein, ao produtor Héctor Bonilla e ao designer de som Nério Barberis.

Confira os premiados:

. “Roma”: melhor filme, diretor, roteirista, fotógrafo e montador (Alfonso Cuarón), atriz coadjuvante (Marina Tavira), efeitos especiais, efeitos visuais, desenho de arte e desenho de som

. “Las Niñas de Bien”: melhor atriz (Ilse Salas), música original (Pedro Hidalgo Barreiro), maquiagem (Pedro Guijaro Hildalgo) e vestuário (Maria Annaí Ramos)

. “Ocho de Cada Diez”: melhor ator (Noé Hernández)

. “Museu”: melhor ator coadjuvante (Leonardo Ortizgris)

. “La Camararista”: “melhor opera-prima” (filme de diretor estreante)

.“Desde la Infancia”: melhor roteiro adaptado (Carlos Carrera, Silvia Pasternac e Fernando Javier Leon) e troféu “revelação” para o ator Benny Emmanuel

. “Pássaros de Verão”: melhor filme ibero-americano

. “Hasta los Dientes”: melhor documentário

. “Ana y Bruno”: melhor animação

. “Viva el Rey”: curta de animação

. “Sinfonia de um Mar”: curta documental

. “Arcángel”: curta ficcional

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