Festival de Brasília entrega Troféu Candango em festa virtual e com nova configuração
“Por Onde Anda Makunaíma?”, de Rodrigo Séllos

Por Maria do Rosário Caetano

Neessa segunda-feira, 21 de dezembro, o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro entregará o Troféu Candango aos vencedores de suas quatro mostras competitivas – longas brasileiros (com seis concorrentes), curtas, também de alcance nacional (com 12), longas brasilienses (com quatro) e a de curtas, idem (com oito).

Serão entregues, também, prêmios paralelos, como o Cosme Alves Netto, atribuído pela Anistia Internacional ao filme que “melhor representar a luta pelos Direitos Humanos”, o Prêmio Canal Brasil de Melhor Curta-Metragem e o Prêmio da Crítica (atribuído pela Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema).

Frente à excessiva presença de filmes documentais (cinco contra solitária ficção), Silvio Tendler, diretor artístico do evento, presidido pelo secretário de Cultura, Bartolomeu Rodrigues, decidiu alterar o regulamento que, ao longo de 52 anos, foi seguido pelo mais antigo festival do país (média de dez ou doze prêmios para categorias artísticas e técnicas, previamente estabelecidas).

Este ano, o júri, além de eleger os melhores filmes de longa e curta-metragem brasileiros, longa e curta distritais (Mostra Brasília), poderá atribuir mais cinco prêmios, de livre escolha. Com esta solução improvisada, deixa de valer regramento que previa prêmios para atriz e ator (protagonistas e coadjuvantes), direção de arte, figurino etc. A sorte está, pois, lançada.

A competição nacional de longas-metragens apresentou três filmes-tributo ao cinema brasileiro, criados a partir, especialmente, de materiais de arquivo. O caso mais emblemático dessa vertente é “A Luz de Mário Carneiro”, de Betse de Paula, cuja espinha dorsal é uma entrevista do diretor de fotografia, pintor e cineasta carioca, que iluminou filmes importantes como “Porto das Caixas”, “O Padre e a Moça”, “Todas as Mulheres do Mundo”, “Di-Glauber” e “O Enigma de um Dia”. A entrevista foi ilustrada, em especial, com trechos de filmes do Cinema Novo (final dos anos 1950 até seus estertores) e obras desse século (Mário Carneiro morreu em 2007).

“Ivan, o TerrírVel”, de Mário Abadde, segue por caminho semelhante: ilustra, feericamente, longa conversa com Ivan Cardoso, criador do “terrir” (terror e riso) e de filmes como “O Segredo da Múmia”, “As Sete Vampiras” e “O Escorpião Escarlate”. O cineasta homenageado evoca suas relações com o artista plástico Hélio Oiticica e com o Tropicalismo, o diálogo com os filmes de Sganzerla e Bressane e parceria com o roteirista Rubens Luchetti. Sem esquecer sua queda por mulheres jovens e bonitas. E, também, a colaboração que recebeu, em seus roteiros (principalmente nos curtas-metragens) dos irmãos Haroldo e Augusto de Campos.

“Por Onde Anda Makunaíma?”, de Rodrigo Séllos, somou esforços cariocas e roraimenses, ao empreender busca por esse personagem, habitante da mata virgem e fixado no imaginário de povos amazônicos.

O mítico Makunaíma teria “brotado” das entranhas do Monte Roraima (cenário das mais arrebatadoras imagens de “Tamboro”, de Sérgio Bernardes). Daí, a importância, na narrativa de Séllos, do estado que faz divisa com a Venezuela e a Guiana. Um étnologo alemão, Theodor Koch-Günberg (1872-1924), registrou há mais de um século histórias macunaímicas e foi fonte de inspiração de Mário de Andrade.

O livro do poeta modernista, publicado em 1928, fertilizou o imaginário artístico brasileiro. Primeiro, como matriz de filme de imenso sucesso junto à crítica e ao público (“Macunaíma”, de Joaquim Pedro de Andrade, 1969). Até o germânico Werner Herzog apaixonou-se pelo longa andradiano, a ponto de pedir emprestado a ele o subtítulo de “O Enigma de Kaspar Hauser”: Cada um por Si e Deus Contra Todos. E empenhar-se em ter Grande Otelo em um de seus futuros elencos.

E, como se fora pouco, Macunaíma transformou-se em samba-enredo da Portela, sucesso na avenida e na memória dos brasileiros. Seu estribilho – “Macunaíma índio branco catimbeiro/ Negro sonso feiticeiro/ Mata a cobra e dá um nó” – está incorporado ao nosso repertório melódico-carnavalesco.

Para dar, ainda, mais vulto ao preto e, também, “índio branco catimbeiro”, o grande encenador Antunes Filho transformou a rapsódia de Mário de Andrade em uma das montagens mais impactantes e renovadoras do teatro brasileiro. O “Macunaíma” cênico (1978), interpretado por Cacá Carvalho, percorreu palcos em todo o território brasileiro e causou sensação em festivais internacionais.

Grande Otelo encarnou a personagem em mais um filme – “Exu Piá – Coração de Macunaíma” (Paulo Veríssimo, 1983). O filme, realizado em 16mm e de forma acidentada, não obteve sucesso, mas deixou de legado, impresso no celuloide, a tocante interpretação do pequeno Otelo.

O projeto visual de “Por Onde Anda Makunaíma?” sofre com a incúria dos arquivos brasileiros. Tanto os registros da montagem de Antunes Filho, guardados em vídeo, quanto as imagens de “Exu Piá”, encontram-se em estado lastimável. Principalmente, quando comparados às magníficas imagens do filme que uniu o Macunaíma branco (Paulo José) ao Macunaíma preto (Otelo). E, também, a Milton “Jiguê” Gonçalves, Rodolfo “Manaape” Arena, Dina “Cy” Sfat e Jardel “Piaimã” Filho.

O documentário mineiro “Entre Nós Talvez Estejam Multidões”, de Aiano Bemfica e Pedro Maia de Brito, mostrou-se o único título da competição enraizado na imensa dívida social brasileira com as camadas desfavorecidas da população. Já exibido no Olhar de Cinema e no ForumDoc-BH, portanto, sem o ineditismo que, em tese, se espera do festival mais antigo do país (e o que oferece maiores prêmios em dinheiro), “Multidões” traz personagens singulares ao nosso documentário social (brasileiros que lutam para ter direito a um lote onde possam construir sua casa).

Bemfica e Brito fazem questão de individualizar os participantes do filme. Todos falam de sua luta pela moradia (integram a Comunidade Eliana Silva, assentamento urbano de Belo Horizonte), sem deixar de lado sua sexualidade (homoafetiva, no caso de duas jovens assentadas), sonhos (ver os filhos em condições melhores que a deles), e de seus gostos (musicais são os mais evocados). Um estrado de madeira colocado em ponto estratégico da Ocupação serve de palco para pequenos shows.

A câmara registra as reivindicações e projetos políticos dos moradores em momento crucial: as Eleições presidenciais de 2018, vencidas por Jair Bolsonaro. Em maioria, os ocupantes (“não somos invasores”, reafirmam) parecem apoiar o candidato Fernando Haddad. Mas há quem esteja do lado do capitão reformado.

“Espero que Esta te Encontre e que Estejas Bem”, de Natara Ney, resulta em um tipo de filme pouco visto na história do documentário brasileiro. Ao tomar como ponto de partida conjunto de 110 cartas de amor trocadas entre namorados-noivos (ela, matogrossense, ele, cearense-carioca), na década de 1950, a cineasta constrói um simpático documentário romântico, com direito a final feliz.

“Longe do Paraíso”, a ficção dirigida por Orlando Senna, recria a histórica bíblica de Caim e Abel, na Bahia de nossos dias. Um pistoleiro Kim (Ícaro Bittencourt) se vê obrigado a matar a irmã, Bel (Emanuelle Araújo). Terá ele coragem de executar tal missão?

A Mostra Brasília apresentou, em sua competição de longas-metragens, quatro documentários, todos com temas profundamente fincados na história ou no presente da sexagenária capital brasileira.

“Candango: Memórias do Festival”, de Lino Meireles, revê a trajetória do próprio festival, e por extensão, do cinema brasileiro. Em “Utopia Distopia”, Jorge Bodanzky mergulha em memórias da UnB, a Universidade criada por Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro. Já “Cadê Edson?”, de Dácia Ibiapina, e “O Mergulho na Piscina Vazia”, de Edson Fogaça, enfrentaram temas do momento presente. No caso de Dácia, a luta coletiva dos Sem-Teto por moradia. No de Fogaça, a luta individual de Derly Silva. O rapaz viveu seu auge como cabeleireiro da primeira dama Ruth Cardoso e, depois, mergulhou no consumo de crack.

“Candango – Memórias do Festival” tinha tudo para ser um enfadonho “talking heads”, aquele filmes em que dezenas de pessoas dão suas opiniões (muitas vezes superficiais) sobre o tema em foco. Seu diretor, o estreante Lino Meirelles, não tinha experiência cinematográfica. Entusiasmado com o festival, que festejaria seu cinquentenário, ele saiu colhendo depoimento de diretores, atores, técnicos, organizadores, críticos e espectadores. Chegou a quase uma centena de entrevistados (71 estão no filme).

Por sorte, o jovem Lino soube cercar-se de profissionais experientes (como os montadores Umberto Martins e Bernardo Serpa) e pôde contar com a colaboração de três “caçadores de imagens” (o mais importante deles: o carioca Antonio Venancio). Soube, ainda, temperar um imenso leque de assuntos. Abriu espaço generoso para temas mundanos, mas não descuidou-se do essencial: os filmes e seus realizadores, a censura que atormentou a vida do país e suspendeu o festival por três anos (1972 a 1974), vaias e aplausos, períodos de produção farta e, em especial, aqueles em que a produção caíra a índices alarmantes.

Ao invés de uma mal-costurada colcha de retalhos, Lino conseguiu reger a construção de um filme polifônico, com espaço garantido a alguns dos principais artífices do mais antigo festival do país: Jean-Claude Bernardet (do núcleo pauloemiliano que fundou o certame, em 1965), Ismail Xavier, Domingos Oliveira, Helena Ignez, Rogério Sganzerla, Jorge Bodanzky, Edna de Cássia, Suzana Amaral, José Eduardo Belmonte, Adirley Queirós, Walter Mello & Geraldo Sobral, Fernando Adolfo, José Damata, Berê Bahia, André Luiz Oliveira, Murilo Salles, os pernambucanos Lírio Ferreira, Paulo Caldas e Cláudio “do caralho” Assis. O baiano Edgard Navarro merecia espaço mais significativo.

Lançado inicialmente na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, “Candango, Memórias do Festival” resultou em um documentário cinematográfico, não em mera reportagem jornalística de longa duração. Ganhou bom ritmo (embora ganhasse muito se enxugasse alguns de seus 120 minutos), escorado em poderoso material imagético.

“Utopia Distopia” traz o experiente Jorge Bodanzky envolto em suas ricas lembranças dos tempos de estudante de Arquitetura na UnB, fotógrafo (de fotos fixas) e aspirante a cineasta. Quando a situação da Universidade, nascida como utopia, transformou-se em distopia (com a desastrada autodemissão de 200 professores, os mais estrelados da instituição), Bodanzky, com 21, 22 anos, ficou sem rumo. Paulo Emilio, para ajudar o promissor estudante, recomendou-o a Walter Lima Jr, que filmava “Menino de Engenho”, na Paraíba. O desnorteado aprendiz aproveitou cada segundo das filmagens para conhecer o ofício que o apaixonava. Ele se tornaria, ainda na década de 1960, um grande diretor de fotografia (“O Profeta da Fome”, “Compasso de Espera”) e, depois realizador de muitos documentários (incluindo “Operário da Volkswagen”, parceria com Wolf Gauer), além de diretor (junto com Orlando Senna) do seminal “Iracema, uma Transa Amazônica” (1975). Bodanzky jamais esqueceria o papel que a UnB e seus professores desempenharam em sua vida. “Utopia Distopia” registra esse percurso.

“Cadê Edson?”, de Dácia Ibiapina, é um filme de grande força narrativa e temática marcada pela urgência. Um grupo de militante do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto) mobiliza moradores de precários e provisórios barracos, que sonham com a casa própria para nela criar seus filhos. Entre os líderes do movimento, está Edson Francisco da Silva, rapaz analfabeto, que se envolve, visceralmente, com o MTST e passa a liderar ocupações em cidades-satélites (Brazlândia, Taguatinga) e no Plano Piloto (em especial no Torre Palace Hotel). Na abertura do filme, vemos imagens contundentes (embora precárias do ponto de vista técnico) das bombas da polícia que evacuaram os ocupantes do hotel plantado no Eixo Monumental de Brasília (depois, com a alta tecnologia, teremos o ponto-de-vista registrado pelas câmaras dos helicópteros da Polícia).

O que se verá após este prólogo, serão imagens de alta qualidade da equipe comandada por Dácia. Ela dará espaço e voz aos integrantes do MTST (e sua dissidência, o MRP – Movimento de Resistência Popular), sempre com destaque para Edson. Pena que – como é comum em filmes brasileiros dedicados aos deserdados da riqueza nacional – a cineasta passe por cima de questões que mereciam aprofundamento. Por que Edson deixou o MTST? Por que este apoiava a reeleição de Dilma Roussef? E ele, a quem apoiava? Quantos seguiram com ele no movimento dissidente? Quantas moradias conseguiram viabilizar?

O documentarista Edson Fogaça uniu, para construir a narrativa de “O Mergulho na Piscina Vazia”, três bons “contadores” de história – o cabeleireiro Derly Silva, a ex-modelo e apresentadora de TV, Lilian Fernandes, e um psicólogo, especializado em tratamento de viciados em droga.

Além de experiência de vida singular (do glamour da alta sociedade ao submundo do crack), Derly é corajoso, articulado, dono de fina ironia. Homossexual assumido, ele relembra perdas amorosas, as vaidades e o glamour que o levaram à cocaína. Relembra, também, a decadência profissional e existencial que se seguiriam e o mergulho na pedra que “possibilita apenas dois segundos de intenso prazer e é muito barata”, mas exige quantias industriais para satisfazer desejos incontroláveis.

Boa narradora é também Lilian, amiga dos tempos de glamour, que foi perdendo contato com Derly, talento das tesouras. E o psicólogo que serviu de apoio terapêutico ao filme, sabe resumir, com rara síntese, a complexidade do tratamento de um viciado. Seu tom de voz é sereno, seus enunciados didáticos e necessários. O que atrapalha a fruição do filme é o excesso de cartões postais de Brasília, de pores-do-sol, de paisagens de beleza anestesiante. Tal opção dificulta nosso mergulho no terrível mundo de sombras em que Derly se meteu. O máximo que nos é oferecido, visualmente, do pesadelo de Derly é uma piscina vazia (a outrora badalada Piscina de Ondas), passagem subterrânea no Eixão Rodoviário, com intrincadas pichações, e um colchão usado pelo cabeleireiro para, clandestinamente, dormir no corredor de um shopping center.

A competição de curtas brasileiros reuniu dois filmes notáveis, que causaram, ao longo do ano, sensação por todos os festivais nos quais foram exibidos: a ficção pernambucana “Inabitável”, de Matheus Faria e Enock Carvalho, selecionada para o Sundance (em janeiro próximo, nos EUA) e o documentário catarinense “A Morte Branca do Feiticeiro Negro”, de Rodrigo Ribeiro. Ambos têm a ver com o universo da gente preta do Brasil. O primeiro fala de uma jovem que desaparece. A mãe (a grande atriz baiana Luciana Souza) busca a filha por todos os cantos periféricos da cidade. O faz com ajuda de uma amiga inseparável. Também com o apoio solidário de uma jovem trans, amiga da desaparecida. O que se vê na tela é uma sinfonia de rostos de sentimentos reveladores, somada a diálogos rarefeitos e potentes. E uma surpresa que levará o filme a dialogar com a ficção científica.

“A Morte Branca do Feiticeiro Negro” é, igualmente, surpreendente. Rodrigo Ribeiro constrói seu filme com fragmentos de outros filmes (“Aitaré da Praia”, “No Paiz das Amazonas”, “De Raízes e Rezas”, “O País de São Saruê”, “Alma do Brasil”, “Triste Trópico”, além de poderosas fotografias de Marc Ferrez – série “Colheitas de Café”). A partir de registro (uma carta de suicídio) deixado na baiana Salvador/1861, por Timóteo, um negro escravizado, Rodrigo engendra perturbadora atmosfera visual, que se completa com a singular escrita timoteana. Um filme que, quanto mais visto e revisto, melhor se torna.

Outras três boas surpresas são o documentário potiguar “A Tradicional Família Brasileira KAT”, de Rodrigo Sena, e as ficções “República”, dirigida e protagonizada pela atriz Grace Passô, e “Vitória”, de Ricardo Alves Jr.

“Família KAT” é um complexo retrato da situação de indígenas aculturados, que vivem nas periferias da grande cidade. Muitos se negam a aceitar-se como indígenas, outros (poucos, muito poucos) aceitam tal condição e buscam religar-se às suas origens e cultura.

Grace Passô e Ricardo Alves Jr, que trabalharam juntos em “Vaga Carne”, média-metragem também protagonizado por Grace, aparecem, agora, em trabalhos solo. Ela, num telefonema perturbador, inserida numa república em tempos de pandemia e autoritarismo. Ele, em sensível mergulho no universo operário, ou melhor de operárias, vistas em suas lides, momentos difíceis e momentos de decisão, em que lutar coletivamente é preciso.

Outro documentário – “Ouro para o Bem do Brasil”, de Gregório Baltz –, embora seja um filme de recorte clássico, se faz notável pela polifonia de vozes que conseguiu reunir, do filósofo Renato Janine Ribeiro e a um cínico Delfim Neto, passando por um cruzado do patriotismo, daqueles que acham que os militares – os que triunfaram com o Golpe de 1964 – sempre souberam o que fazer. Por isso teriam dado ao ouro recolhido em campanha comandada pelo esperto Chatô (Assis Chateaubriand), o melhor e mais justo dos destinos.

O nativismo marcou boa parte da produção em curta-metragem brasiliense. Pelo menos três dos títulos exibidos têm a cidade e sua história como razão de ser. Claro que, para tanto, contribui o sexagésimo aniversário da capital brasileira (1960-2020)

O documentário “Questão de Bom Senso”, de Petérson Paim – na verdade um média-metragem (30 minutos) – abriu generoso espaço para Tonikinho JK, o jovem cidadão goiano (hoje já octogenário), que perguntou ao candidato Juscelino Kubitscheck, em comício inaugural na goiana Jataí, se, eleito, faria cumprir a Constituição transferindo a capital para o Planalto Central. O filme é curioso, mas redundante. E excessivamente comprometido com seu personagem. A ponto de, no final, acrescentar uma coda, para mostrá-lo sorridente, ao lado da esposa.

“Delfini Brasília, Olhar Operário”, de Maria do Socorro Madeira, registra depoimento do marceneiro João Batista Delfini, de 98 anos, visto ao lado do discípulo Profírio. Embora perto de tornar-se centenário, o operário segue cuidando de suas tarefas domésticas e preservando lembranças do tempo em que ajudou a construir a nova capital federal.

A animação “Brasília 60 + 60: Do Sonho ao Futuro”, de Raquel Piantino, divide-se em seis partes (Os Sonhadores, O Plano, Cidade Livre, Politicolândia, Chão de Estrelas e Escolha do Futuro). Com texto divertido e imagens singelas, o curta acaba cativando o espectador. Em especial o brasiliense, que terá a história de sua cidade resumida em sintéticos 13 minutos. No capítulo “Politicolândia”, a realizadora lembrará que “Brasília foi construída para ser o lar da política brasileira, mas acabou tornando-se a terra natal de várias famílias aqui nascidas”. Ou seja, não merece ser condenada pela ação de parte dos mil políticos que abriga, quando conta com população de quase 3 milhões de cidadãos.

“Rosas do Asfalto”, de Daiane Cortes, mostra, com coragem e bons testemunhos, a mais antiga profissão do mundo – a de prostituta.

 

Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (Edição 53)
Hoje, segunda-feira (21 de dezembro)
Horário: 15h
Entrega dos troféus Candango aos filmes vencedores
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