Longa de estreia de Natália Maia entra na última semana de filmagens no Ceará
Foto © Jamille Queiroz
Vencedora do Prêmio Grande Otelo pelo roteiro de “Pacarrete”, do qual foi corroteirista, Natália Maia fará sua estreia na direção de longas-metragens com o thriller político “A Estranha Familiar”. O longa, cujas filmagens terminam no próximo dia 8 de fevereiro, narra a história de Lavínia, uma mulher que retorna à sua cidade natal, no interior do Ceará, para assumir o cargo de primeira juíza do lugar. Lá, ela se vê no centro de um conflito entre sua irmã, uma radialista que desafia poderosos, e a família da prefeita, com quem tem uma dívida de gratidão.
Natália explica que o roteiro, escrito em parceria com Camila Chaves, investiga esse jogo de poder no interior do Brasil por uma perspectiva feminina, dialogando também com códigos do suspense e do faroeste. As três personagens centrais são mulheres: Georgina Castro — revelada em “O Céu de Suely” e atriz do inédito “Feito Pipa”, que estreia na próxima Berlinale — vive a juíza Lavínia. Geane Albuquerque, vista recentemente em “O Agente Secreto”, interpreta sua irmã, a radialista Lina, enquanto Loreta Dialla, de “Resumo da Ópera”, é a prefeita Suelen.
Integram ainda o elenco Fátima Macêdo, Nataly Rocha, Dipas, Ana Luiza Rios, David Santos, Demick Lopes, além de Robério Diógenes e Buda Lira.
“A Estranha Familiar” é o primeiro longa-metragem da produtora independente cearense Bordo Filmes, fundada por Natália Maia e Samuel Brasileiro. O projeto teve uma trajetória consistente de desenvolvimento e reconhecimento antes de chegar ao set. Deu seus primeiros passos no Laboratório de Cinema da Escola Porto Iracema das Artes, em 2018, onde permaneceu em desenvolvimento por sete meses e foi vencedor dos prêmios de Melhor Pitching, concedidos tanto pelo júri oficial quanto pelo júri popular. Durante o laboratório, o projeto recebeu tutorias de Karim Aïnouz, Sérgio Machado, Marcelo Gomes e Nina Kopko, além de consultorias de Luciana Vieira e Pablo Arellano.
Na sequência, o roteiro foi contemplado pelo edital Aldir Blanc da Secretaria de Cultura do Ceará, com consultoria de roteiro de Nina Kopko e produção de desenvolvimento de Luciana Vieira. O projeto foi ainda semifinalista do Prêmio Cabíria 2021, venceu o prêmio Encuentros BioBioCine no 12º Brasil CineMundi (2021) e foi selecionado para o Workshop Produire au Sud Recife (2022), parceria entre o Festival des 3 Continents, o Projeto Paradiso e a Embaixada da França no Brasil. Mais recentemente, integrou as mentorias do Festival Internacional de Mulheres no Cinema (FIM), com acompanhamento de Vânia Lima e Viviane Santos.
A produção do filme foi viabilizada por meio edital Ruth de Souza de Audiovisual, chamada do Ministério da Cultura para diretoras estreantes, no qual foram selecionados 18 projetos, entre 187 inscritos.
