“Honestino” estreia em 18 cidades braslieiras
Foto © Luciana Melo
A história de Honestino Guimarães, líder estudantil, ex-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) e um dos mais importantes desaparecidos políticos da Ditadura Militar, chega aos cinemas brasileiros. “Honestino”, novo longa-metragem dirigido por Aurélio Michiles, estreia no dia 13 de agosto, em 18 cidades, com uma pré-estreia em Recife. O filme será exibido em São Paulo, Rio de Janeiro, Niterói, Florianópolis, Belo Horizonte, Brasília, Goiânia, Porto Alegre, Salvador, João Pessoa, Maceió, Aracaju, São Luís, Manaus, Caxias do Sul, Ilhabela, Ribeirão Preto e Ananindeua, além da sessão antecipada na capital pernambucana.
Fusão entre documentário e ficção, “Honestino” reconstitui a trajetória do líder estudantil da geração de 1968, presidente da UNE e aluno da Universidade de Brasília (UnB). Preso cinco vezes por sua militância política, Honestino foi sequestrado pela Ditadura Militar em 1973, aos 26 anos, e nunca mais foi visto. Seu desaparecimento tornou-se um dos casos mais emblemáticos da violência de Estado durante o regime militar brasileiro.
A narrativa é construída a partir de cartas, poemas, imagens de arquivo e depoimentos de familiares, amigos e companheiros de militância, recuperando não apenas a trajetória política de Honestino, mas também a dimensão humana de um jovem que se tornou símbolo da resistência. Entre os depoentes estão Almino Afonso, Jorge Bodanzky, Franklin Martins e Betty Almeida, biógrafa do líder estudantil.
As cenas ficcionais são interpretadas por Bruno Gagliasso, que dá vida a Honestino em momentos reconstruídos a partir dos registros e relatos reunidos pelo filme. A combinação entre documentos históricos, testemunhos e dramatização busca aproximar o público da trajetória de um personagem cuja história foi interrompida pela repressão e cujo paradeiro permanece desconhecido.
Ao recuperar a história de Honestino, o longa também lança um olhar sobre os mecanismos de apagamento utilizados pela Ditadura Militar para silenciar opositores e interferir na memória pública. Sua trajetória é colocada em diálogo com a de outras vítimas da violência de Estado, como Rubens Paiva, Vladimir Herzog e José Carlos da Mata Machado.
A estreia nacional acontece após uma trajetória de destaque no circuito de festivais, além de sessões especiais pelo país. “Honestino” recebeu o Troféu Redentor de Melhor Montagem no Festival do Rio e foi selecionado para a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo e para o DH Fest – Festival de Cultura em Direitos Humanos, além de ter sido premiado no Fest Aruanda.
Com roteiro de Aurélio Michiles e André Finotti e produção de Nilson Rodrigues, o longa tem distribuição da Pandora Filmes e chega às salas brasileiras em um momento em que revisitar as histórias de quem lutou contra o autoritarismo permanece fundamental para compreender o presente.
