“Entranhas”, de Lucas Procópio, é premiado no Fantastic:Brasil

Foto © Davi Campana

O longa-metragem “Entranhas”, dirigido por Lucas Procópio e produzido pela Fourfé Filmes, foi o vencedor do Fantastic Round Robin Award, na seção Monstra – Fantastic Queer Lab, durante a primeira edição do Fantastic realizada no Festival do Rio e no RioMarket.

O reconhecimento levará o projeto em 2027 ao Fantastic Pavilion, dentro do Marché du Film de Cannes, espaço internacional dedicado ao cinema fantástico, horror, fantasia e ficção científica. “Entranhas” recebeu ainda um segundo prêmio durante o evento: o estúdio brasileiro Mistika realizará a pós-produção de seu teaser.

A trajetória começou entre 198 projetos inscritos no Fantastic. O longa avançou pelo Monstra – Fantastic Queer Lab e pelas diferentes etapas de apresentação e desenvolvimento da plataforma até chegar à premiação final.

Criado para aproximar a produção fantástica latino-americana do circuito internacional, o Fantastic estabelece conexões com mercados e festivais como Cannes, Berlim, Cartagena e Mórbido, no México.

A primeira edição do Fantastic também premiou projetos de diferentes vertentes do cinema fantástico brasileiro. Ao lado de “Entranhas”, “Fotograma”, de Fernanda Pessoa, foi o projeto do WomanInFan Brasil, sendo também contemplado com o Fantastic Round Robin Award, que leva os dois projetos ao Fantastic Pavilion, no Marché du Film de Cannes. “Chupacu”, de Antonia Baudouin Andrade, foi selecionado para o Mórbido Lab no SANFIC, em Santiago, enquanto “O que Acontece Quando a Coisa Acaba”, de Gabriela Amaral Almeida, e “Unclaimed Copper”, de Guenia Reichmann Lemos, avançam para a próxima etapa do WomanInFan em Cartagena. Nos prêmios de pós-produção de teaser, “Phantasmas Anonymas”, de Giovanna Patané Giovanini, foi contemplado pela Acau.

Em “Entranhas”, a investigadora de true crime Vivian Duvall acorda amarrada diante de Anorma, uma drag queen que passa a reconstruir diferentes crimes que marcaram sua carreira. As histórias atravessam personagens, períodos históricos e cidades distintas do interior paulista, mas escondem uma conexão: todas aconteceram sobre a mesma terra. As casas mudam. Os donos mudam. Os monstros mudam. Mas a terra se lembra.

O longa integra aquilo que Lucas Procópio chama de Cinema Queerpira, expressão criada para definir um cinema queer profundamente enraizado no interior brasileiro. A proposta coloca no centro da narrativa elementos como a cultura caipira, os canaviais, a religiosidade, a memória, o desejo, a violência histórica, o folclore e os imaginários do horror, deslocando histórias e personagens queer dos grandes centros urbanos para paisagens ainda pouco exploradas pelo cinema brasileiro contemporâneo.

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