Brasil fora da competição pelos Prêmios Platino 2016
O guatemalteco Jayro Bustamante © Maria R.Caetano

Pela primeira vez, em três anos de história dos Prêmios Platino, a Egeda e Fipca, instituições ibero-americanas, que representam o audiovisual da Península Ibérica e América Latina, não indicaram nenhum filme, intérprete ou técnico brasileiro para a competição.

A lista de finalistas foi divulgada na tarde desta quinta-feira, 25 de maio, em Buenos Aires, Argentina (ver tabela abaixo, com os selecionados em 13 categorias). Um filme colombiano (“O Abraço da Serpente”) e um guatemalteco (“Excanul”), com oito indicações cada, lideram a lista. Chile, com “O Clube”, e Argentina, com “O Clã”, estão empatados com seis indicações cada. A Espanha ocupa o terceiro lugar, com cinco indicações para “Truman”, empatada com o Peru (com “Magallanes”, estreia na direção do ator Salvador del Solar, o militar Pantaleão, de “Pantaleão e as Visitadoras”).

Os prêmios serão entregues dia 24 de julho, no balneário de Punta del Este, no Uruguai, em noite de gala.

A seleção deste ano reafirma a força do Chile (vencedor da primeira edição, com “Glória), da Argentina (vencedora com “Relatos Selvagens) e da Espanha, maior parceira do cinema hispano-americano. A Colômbia, cuja cinematografia vive sua primavera, brilha com “O Abraço da Serpente”, único filme da América Latina indicado, este ano, ao Oscar da Academia de Hollywood (perdeu para o húngaro “O Filho de Saul”). Um país de cinematografia desconhecida – a Guatemala – também tem presença das mais esfusiantes, graças ao sucesso de “Ixcanul”, iniciado ano passado no Festival de Berlim.

O México chega com força total na categoria cinema de animação, área em que o Brasil sagrou-se vencedor ano passado (com “O Menino e o Mundo”, de Alê Abreu). O Chile, além das seis indicações do ficcional “O Clube”, marca presença com três fortes candidatos a melhor documentário (sendo um deles o franco favorito: ”O Botão de Pérola”, de Patricio Guzmán, poderosa soma de poesia e mergulho na História do país andino).

Os candidatos a melhor filme – o colombiano ”O Abraço da Serpente”, o chileno “O Clube”, o argentino “O Clã”, o guatemalteco “Ixcanul” e o espanhol “Truman” – escantearam “Que Horas Ela Volta?”, de Anna Muylaert). Espantosamente, também, Regina Casé, a maior força do filme, não foi indicada a melhor atriz. O colegiado, formado com espanhóis, hispano-americanos, portugueses e brasileiros (os de fala lusitana são minoria) preferiram Antonia Zeghers (que interpreta papel de médio porte em “O Clube”), as espanholas Imma Cuesta (“A Noiva”), Penélope Cruz (“Ma Ma”) e Elena Anaya (“Memorias del Água”) e a argentina Dolores Fonzi (“Paulina”). Este filme, embora seja 100% argentino em temática e equipe artística e técnica, tem coprodução da Videofilmes dos irmãos João e Walter Salles.

Na categoria ”opera prima” (filme de diretor estreante), o Brasil tinha um forte concorrente: “A História da Eternidade”, do pernambucano Camilo Cavalcante. O colegiado de votantes, porém, preferiu “Ixcanul” (Guatemala), “Magallanes” (Peru), “600 Millas” (México), “El Desconocido” (Espanha) e – prestem atenção neste filme, um drama social denso e corajoso – ”El Patrón, Radiografia de un Crímen” (Argentina).

Na categoria melhor documentário, o Brasil tinha um semi-finalista forte: “Jia Zhangke, Um Rapaz de Fenyang”, de Walter Salles. Mas quem brilhou, mesmo, na lista de favoritos foram o Chile  (com “O Botão de Pérola”, “Mi Abuello Allende” e “La Once”), e a Espanha, com “Chicas Nuevas 24 Horas” (sobre prostituição”) e “The Propaganda Game”, sobre a Coréia do Norte, tida como “o país mais autoritário e isolado do mundo”.

Em 2014, na primeira edição dos Prêmios Platino, o Brasil marcou presença com  Sônia Braga, que fez jus a um Platino de Honor, Leandra Leal, que foi ao Panamá, primeiro palco da festa do audiovisual ibero-americano, e entregou prêmio, e os candidatos Luiz Bolognesi (finalista a melhor animação, com “Uma História de Amor e Fúria”) e Camilo Tavares (finalista a melhor documentário com “O Dia que Durou 21 Anos”).

Ano passado, na segunda edição dos Prêmios Platino, o Brasil se fez representar, na Espanha, por Leandra Leal (indicada a melhor atriz por “O Lobo Atrás da Porta”) e pelo bem-humorado Fernando Coimbra (criador do “Lobo”), que entregou prêmio e deu um show em gigantesco palco, encravado numa pedreira chamada Cantera de Nagüeles), em Marbella, na Andaluzia espanhola. O cinema se fez representar também por Otto Guerra (finalista a melhor animação com “Até que a Sbórnia nos Separe”)  e pelos produtores Tita Tessler, de ”O Menino e o Mundo”, e David Rosier, de “O Sal da Terra”, de Wim Wenders e Juliano Salgado, bem sucedida parceria franco-brasileira. Estes dois, animação e documentário, foram os vencedores, em suas respectivas categorias, do Platino.

O Platino de Honor 2015 foi, então, entregue ao astro malaguenho, Antonio Banderas. Ao contrário de Sônia Braga – em Ciudad Panamá, abalada pela morte do grande amigo, o ator José Wilker, seu parceiro em “O Casal” e “Dona Flor e seus Dois Maridos”, ela  não quis dar entrevistas à imprensa e foi concisa em seus agradecimentos à homenagem – o ator espanhol (que estava em casa e com esposa louro-escultural-novíssima ao lado) se alongou em animada coletiva de imprensa, recheou coloridas páginas de jornais sérios e mundanos e fez discurso inesquecível. Encantou o público que viu a festa ao vivo (ou pela TV) com fala arrebatadora, resumida em potentes 45 linhas. Aproveitou a presença de dois mil convidados para enaltecer o cinema feito na língua de Cervantes e cantar sua Málaga natal, terra de Pablo Picasso, personagem que planeja interpretar em um longa-metragem. O nome da personalidade ibero-americana que, este ano, fará jus ao Platino de Honor ainda não foi divulgado pela Egeda-Fipca.

VEJA ABAIXO, A LISTA COMPLETA DE INDICADOS:

MELHOR FILME (FICÇÃO) 

O Abraço da Serpente (Colômbia) – Ciro Guerra
O Clube (Chile) – Pablo Larraín
O Clã (Argentina) – Pablo Trapero
Ixcanul (Guatemala) – Jayro Bustamante
Truman (Espanha) – Cesc Gay

MELHOR DOCUMENTARIO:

O Botão de Pérola (Chile)
Mi Abuelo Allende (Chile)
La Once (Chile)
Chicas Nuevas 24 Horas (Espanha)
The Propaganda Games (Espanha)

MELHOR ANIMAÇÃO:

Un Gallo con Muchos Huevos (México)
El Americano (México)
Don Gato 2: El Inicio de la Pandilla
El Secreto de Anilla (Espanha)
Atrapa la Bandera (Espanha)

MELHOR FILME DE DIRETOR ESTREANTE (OPERA-PRIMA):

El Patrón: Radiografia de un Crímen (Argentina) – Sebastián Schindel
Excanul (Guatemala) – Jayro Bustamante
Magallanes (Peru) – Salvador del Solar
El Desconecido (Espanha) – Daniel de la Torre
600 Millas (México), Gabrile Ripstein 

MELHOR DIRETOR:

Alonso Ruizpalacios (Güeros, México)
Ciro Guerra (O Abraço da Serpente, Colômbia)
Pablo Larraín (O Clube, Chile)
Pablo Trapero (O Clã, Argentina)
Cesc Gay (Truman, Espanha)

MELHOR ATRIZ:

Imma Cuesta (La Novia, Espanha)
Penélope Cruz (Ma Ma, Espanha)
Elena Anaya (Memoria del Agua, Espanha)
Dolores Fonzi (Paulina, Argentina)
Antonia Zegers (O Clube, Chile)  

MELHOR ATOR: 

Ricardo Darín (Truman, Espanha)
Javier Cámara (Truman, Espanha)
Guillermo Francela (O Clã, Argentina)
Damian Alcázar (Magallanes, Peru)
Alfredo Castro (O Clube, Chile) 

MELHOR ROTEIRO:

Ciro Guerra e Jacques Toulemonde (Abraço da Serpente)
Salvador del Solar (Magallanes)
Jayro Bustamante (Excanul)
Cesc Gay (Truman)
Pablo Larraín, Guillermo Calderon e Daniel Villalobos (O Clube) 

MELHOR FOTOGRAFIA:

David Gallego (Abraço da Serpente)
Miguel Angel Amoedo (La Novia)
Sergio Armstrong (O Clube)
Luis Armando Arteaga (Ixcanul)
Arnaldo Rodríguez (La Memoria del Agua) 

MELHOR MONTAGEM:

Pablo Trapero e Alejandro Penovi (O Clã)
Etienne Boussac e Cristina Gallego (Abraço da Serpente)
Jorge Coira (El Desconocido)
César Diaz (Ixcanul)
Eric Williams (Magallanes) 

MELHOR MUSICA ORIGINAL:

Alberto Iglesias (Ma Ma)
Federico Jusid (Magallanes)
Lucas Vidal (Nadie Quiere la Noche)
Nascuy Linares (Abraço da Serpente)
Pascual Reys (Ixcanul) 

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE:

Angelica Perea (Abraço da Serpente)
Bruno Duarte e Artur Pinheiro (1001 Noites – Parte II – O Desoaldo) – Portugal
Jesús Bosqued Maté e Pilar Quintana (La Novia)
Pilar Peredo (Ixcanul)
Sebastián Orgambide (O Clã)

MELHOR SOM:

Carlos García, Marco Salavarria (Abraço da Serpente)
David Machado, Jaime Fernández, Nacho Arenas (El Desconocido)
Eduardo Cáceres, Julien Cloquet (Ixcanul)
Vicente D’Elia, Leandro Loredano (O Clã)
Federico Esquerro, Santiago Fumagalli, Edson Secco (Paulina)

 

Por Maria do Rosário Caetano

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