Almanaque da Rosário — 10 maio 2016

Argentino de origem árabe, Fuad Jorge Jury (1938-2012), que transformou-se no famoso ator, cantor e cineasta Leonardo Fávio, ocupou, na história do cinema argentino, espaço único. Sua obra, que lembra a do brasileiro Ozualdo Candeias, deu origem a poderoso documentário venezuelano, dirigido por dois irmãos, Luis e André Rodríguez.

Produzido pela Villa del Cine, projeto audiovisual implantado pelo governo Hugo Chávez, “Fávio, a Estética da Ternura”, soma ótimos depoimentos de seu irmão e roteirista Jorge Zuhair Jury, de atores, como Federico Luppi e Graciela Borges, e de estudiosos de sua criação fílmica arisca a rótulos.

Oriundo das camadas periféricas da Argentina e dono de bela estampa, Fávio começou no cinema como ator (trabalhou com Leopoldo Torre-Nilsson, inclusive no festejado “La Mano em la Trampa”). Iniciou-se na direção com três curtas (um deles inacabado) e causou espanto com a densa poesia de seu primeiro longa, o perturbador “Crónica de un Niño Solo”, filme que evoca uma das obras-primas buñuelinas, “Los Olvidados”, 1950. Fávio assinou, depois, mais um belo longa, “Este Es el Romance del Aniceto y la Francisca”, protagonizado por dois atores que fariam história no cinema argentino: Federico Luppi (com carreira também na Espanha) e Graciela Borges (a perturbada matriarca de “O Pântano”, de Lucrécia Martel). O olhar de Fávio para os marginais das periferias das grandes cidades marcou profundamente seu cinema.

Os filmes que se seguiram – “El Dependiente”, “Juan Moreira”, “Nazareno Cruz y el Lobo”, “Soñar, Soñar” e “Gatica, el Mono” – somaram-se a um monumental documentário de 340 minutos sobre Juan Domingo Perón, paixão política que alimentou toda a vida do cidadão Fávio. O artista conheceu a fama, também, como cantor de voz potente e sucessos românticos.

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