Mostra de filmes no site do Itaú Cultural apresenta animações brasileiras dos anos 80 e atuais
"Meow!", de Marcos Magalhães

De 11 a 30 de julho, o Itaú Cultural apresenta, em seu site www.itaucultural.org.br, programação cinematográfica para adultos e crianças em um breve percurso pela animação brasileira desde os anos de 1980. Inspirada no conceito literário antigo do bestiário que descreve o mundo animal, muitas vezes sobrenatural, a mostra Álbum Animado de Bestiários exibe 10 filmes, entre curtas e longas-metragens. Os seus personagens são criaturas diferentes, animais reais ou fantásticos, com atitudes humanas, que mesclam realidade e onirismo, zombam dos arrogantes ou, ainda, fazem um exercício de poética metalinguística, além de estudos de linguagens com variadas técnicas de animação, tais como o tradicional 2D, stop motion e 3D.

Produzido por Marcos Magalhães, em 1981, Meow! é considerado uma das principais produções a levarem a animação brasileira para importantes festivais do mundo. Conquistou diversos prêmios, naquela década: o Especial do Júri em Cannes, França; de Melhor Roteiro e Melhor Filme, pelo Júri Popular, no Festival de Brasília; o 3º Prêmio de Animação no Festival de Havana, Cuba; e o São Saruê, da Federação de Cineclubes do Rio de Janeiro. Assim, abriu caminho para o reconhecimento conquistado pela animação realizada no país desde então.

O filme mostra um gato esfomeado que fica sem leite e é convencido a tomar um refrigerante esquisito. Em suas peripécias, que se esparram pelos oito minutos desta produção, o animal tece uma crítica à globalização e aos padrões de consumo. A ironia e o humor da obra oferecem diferentes profundidades de leitura e garantem diversão para crianças e adultos.

Boi Aruá é de 1985. Trata-se do primeiro filme de longa duração do cineasta e artista visual Chico Liberato e é considerado um dos pioneiros da animação da região do centro-oeste e nordeste do país. Inspirada no imaginário nordestino, a obra conta a história de um fazendeiro arrogante e egoísta obcecado pela figura misteriosa de um enorme boi negro que, além de zombar dele, parece desafiá-lo. Inúmeras vezes, o homem tenta capturá-lo, mas falha, fazendo com que ele se sinta cada vez mais humilhado.

Em um pulo para a produção de 2006, Tyger, do diretor Guilherme Marcondes, faz uma crítica ao modelo de vida contemporâneo e ao desenvolvimento humano das megalópoles, para valorizar o triunfo das forças da natureza. Nele, um enorme tigre aparece misteriosamente em uma grande cidade. Nos cinco minutos desta produção, o felino se espraia pelas ruas durante uma noite, revelando a realidade escondida.

Com um pássaro e sua gaiola, o filme Passo, de 2007, representa um exercício poético metalinguístico utilizado, também, em outras obras de animação brasileiras. Nesta produção de quatro minutos, o diretor Alê Abreu apresenta o processo criativo do criador se colocando dentro da obra. Nesta narrativa, um pássaro ganha formas e desejos de liberdade, que, ao mesmo tempo, podem ser apenas as vontades de quem lhe deu asas no papel. Vale ressaltar que o diretor é um dos nomes mais reconhecidos na animação mundial, tendo conquistado, em 2015, o prêmio de melhor longa-metragem pelo público e pelo júri do Festival de Annecy, na França, considerado pelos profissionais da animação como o Cannes do desenho animado.

Brasil Animado, primeiro longa-metragem de animação dirigido por uma mulher no país, Mariana Caltabiano, é de 2011 e é pioneiro na utilização da técnica da animação em 3D. O enredo traz a história dos cães Stress e Relax, na pele de um empresário que só pensa em dinheiro e de um diretor de cinema que vive insistindo para que este invista em seus projetos. Desta vez, o “projeto” deles é procurar a árvore mais antiga do país. A sua viagem por diversas regiões, nesta busca, reúne curiosidades locais, danças, músicas e saborosas comidas.

De 2013, o curta-metragem Castillo y El Armado, dirigido, roteirizado e produzido por Pedro Harres, é baseado na história do animador uruguaio Ruben Castillo. Ele próprio é o diretor de arte e protagonista do filme, no papel de um jovem estivador que divide seu tempo entre os tapetes que tem de carregar, a sua família e uma vara de pesca. Em uma noite de ventania, este atormentado e passivo personagem encontra a sua própria brutalidade na linha do anzol. Toda feita a mão, esta obra rompe com o desenho da animação tradicional, o que lhe valeu 55 prêmios e menções desde o seu lançamento e a seleção em mais de 200 festivais – entre os quais o 71º Festival de Veneza. Entras as premiações, está a de melhor curta no FICG30 Guadalajara, México, e de direção de arte no Anima Mundi Brasil.

Em 2015, Cesar Cabral dirigiu o curta-metragem de 10 minutos, Giz. Neste pequeno espaço de tempo, ele leva o espectador a confundir o real e o onírico, acompanhando um homem cuja rotina em uma imensa corporação não tem descanso. Incapaz de se relacionar com sua colega de trabalho, ele acaba tomado por um sonho hipnótico, até o ponto em que não pode mais perceber se está realmente acordado.

Projeto de Joseph Specker, selecionado pelo Rumos Itaú Cultural em 2014, Almofada de Penas foi concluído em 2018. Em 12 minutos, ele tece uma metáfora do sentimento humano, ao contar a história de Alicia e Jordão. Ela contrai uma doença inexplicável, enquanto ele, seu marido, se demonstra indiferente. Porém, algum mistério oculto enlouquece a mulher, que passa a mesclar realidade e alucinações monstruosas.

Este filme também foi indicado para participar do prestigiado Festival de Annecy. Em sua carreira de dois anos, acumulou diversas premiações. Entre elas, o Best Independent Short Film, como melhor curta-metragem independente; o Stop Motion MX International Festival e o Best Developed Market Projects Oaxaca Film Fest, ambos do México. Na Grã Bretanha, conquistou o Award Nominee UVFF 2019 (Unrestricted View Film Festival) pela melhor animação. No Brasil, recebeu o prêmio Melhor Técnica de Animação no Festival Internacional de Animação Lanterna Mágica; uma menção honrosa na Mostra Sesc de Cinema 2019 e outros.

Dirigido por Gabriel Bitar, Gustavo Steinberg e André Catoto, o longa-metragem Tito e os Pássaros, de 2019, utiliza-se de aves alegóricas para apresentar uma narrativa atual e crítica sobre uma espécie de epidemia de medo que assola o mundo. Na obra, um menino e seus dois amigos partem para encontrar a pesquisa perdida do seu pai sobre canções de pássaros, que pode salvar seu mundo de uma peste na qual o medo adoece as pessoas.

Baseado no trabalho de ceramistas mineiras e com trilha original composta por instrumentos desta mesma matéria-prima, o curta-metragem de Giuliana Danza, Poética de Barro, também realizado em 2019, retrata a saga de uma pequena criatura que precisa sobreviver às adversidades da vida. Bucólico, delicado e sensível, o filme foi animado em stop motion com argilas do Vale das Viúvas de Maridos Vivos (Jequitinhonha).

 

Mostra online de cinema Álbum animado de bestiários
Data:
11 a 30 de julho
Local: www.itaucultural.org.br

 

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