O documentário “Nossa Bandeira Jamais Será Vermelha”, de Pablo Lopes Guelli, foi o grande vencedor da quinta edição do Santos Film Festival, encerrada na noite de terça-feira, seis de outubro, na Baixada Santista. O júri oficial elegeu o filme como o melhor da competição de longas-metragens. Para reafirmar a opção pelo trabalho do jovem realizador paulistano, que enfrentou nove concorrentes, Guelli foi premiado, também, pela melhor direção.

O público, porém, preferiu “O Samba é Primo do Jazz”, da Angela Zoé, documentário que acompanha a carreira da cantora Alcione, tendo como ponto de partida o show-festa de seus 70 anos. O espetáculo, realizado em São Luís do Maranhão, terra natal da artista, reuniu seus maiores sucessos e mobilizou os fãs mais fieis e ardorosos. O filme participou, mês passado, da seleção oficial do Festival de Gramado.

O Santos Film Festival premiou, ainda, curtas brasileiros e regionais (no caso, a produção da Baixada Santista). Os escolhidos foram “Ângela”, prêmio de melhor direção para Marília Nogueira, e “Vila dos Pescadores”, dos santistas Cintia da Silva Inácio e Geovanne Rafael, como melhor filme da Baixada Santista. “Projeção”, vindo da Praia Grande, rendeu o troféu de melhor diretor a Thomas Aguina.

O melhor curta da quinta edição do festival santista foi “Sofia”, dos portugueses Filipe Ruffato e Gonçalo Viana, única produção europeia entre os concorrentes nessa categoria.

O documentarista Pablo Lopes Guelli escolheu para seu filme, o grande vencedor, título marcado pela provocação: “Nossa Bandeira Jamais Será Vermelha”. O slogan, um dos mais recorrentes mantras dos eleitores de Jair Bolsonaro, nomeia narrativa que tem a imprensa brasileira (eletrônica e impressa) como foco.

O ponto de partida de Guelli é a constatação de que “no Brasil, seis conglomerados controlam 90% da informação que circula pelos diferentes tipos de mídia”. Para dar conta de tema tão vasto e complexo, o realizador entrevista personalidades brasileiras e estrangeiras, vindas do jornalismo e de importantes instituições de ensino (caso de Noam Chomsky, do MIT – Massachusetts Institute of Technology). Muitas vozes se somam ao badalado linguista e filósofo para emitir duros questionamentos à mídia hegemônica”: o sociólogo Jessé Souza e o professor Igor Fuser, ambos da UFABC (Universidade Federal do ABC), José Arbex (professor da PUC-SP), o psicanalista Tales Ab’ Saber, os jornalistas Glenn Greewald, Lúcio Flávio Pinto, Joaquim de Carvalho, Ricardo Melo, Rodrigo Vianna, Laura Capriglione, Xico Sá, Kiko Nogueira, Ana Magalhães, Emmanuel Colombié, André Pasti e Luis Nassif.

Cabe, aliás, a Nassif, do site GGN e do programa “Brasilianas”, tentar matizar o tema em discussão. Mas o filme não está preocupado em aprofundar o debate, nem em confrontar opiniões. Com agilidade e boas imagens, Guelli e equipe seguem em frente.

O depoimento mais surpreendente e inesperado de “Nossa Bandeira Jamais Será Vermelha” vem do jornalista mineiro Marco Aurélio Carone, do Novo Jornal. Ele conta que foi preso “por publicar denúncias contra Aécio Neves”. Sua fala traz revelações explosivas, que também não são aprofundadas.

O documentarista Pablo Lopes Guelli, em seu sintético filme (apenas 62 minutos), abre outra discussão complexa e difícil: a enorme “descrença do povo brasileiro com a mídia tradicional”. Ele acredita que “a narrativa fornecida ao povo brasileiro, desde as manifestações de 2013 (até as eleições presidenciais de 2018), levou o país a flertar com o fascismo”.

Confira os premiados:

. “Nossa Bandeira Jamais Será Vermelha”(SP) – melhor longa-metragem, melhor diretor (Pablo Lopes Guelli)
. “Sofia” (Portugal), de Filipe Ruffato e Gonçalo Viana – melhor curta
. “Ângela” – melhor direção de curta ( Marília Nogueira)
.  “Vila dos Pescadores” (Santos), de Cintia da Silva Inácio e Geovanne Rafael – melhor filme da Baixada Santista
. “Projeção” (Praia Grande) – melhor diretor da Mostra Baixada Santista (Thomas Aguina)
. “O Samba é Primo do Jazz” (RJ), de Angela Zoé – melhor longa do Júri Popular
.  “Um Dia Frio” (PR) – de Victor Percy – melhor curta pelo Júri Popular
. “Blandina” (Santos), de Arthur Micheloto – Júri Popular

Outros prêmios

. Menção Honrosa Filme de Caráter Humanitário – “Selvagem”, SP, de Diego da Costa
. Menção Honrosa Filme de Caráter Humanitário – Voto Popular – “Tranças” (BA), de Livia Sampaio
. Melhor Filme de Rock (voto popular do Blog n Roll) – “A Plebe é Rude”, de Hiro Ishikawa e Diego da Costa
. Menção Honrosa Melhor Filme Estrangeiro – “A Canção do Tempo” (Argentina, El Canto Del Tiempo, longa, documentário, de Mana García)
. Menção Honrosa Melhor Filme Estrangeiro – Voto Popular - “Sofia” (Portugal), de Filipe Ruffato e Gonçalo Viana

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