Sucesso de série sobre Nara Leão movimenta projetos sobre astros da MPB
“O Canto Livre de Nara Leão”, de Renato Terra

Por Maria do Rosário Caetano

O imenso sucesso da série “O Canto Livre de Nara Leão”, dirigida por Renato Terra e apresentada pela Globoplay, serviu, mais uma vez, para confirmar que se há tema capaz de atrair o público brasileiro – além das telenovelas e do Big Brother – esse tema é a música popular brasileira e seus astros.

O país, em especial as redes sociais, continua em sintonia fina com os “bebebês”, mas a parcela mais exigente só fala de Nara Leão, “uma mulher à frente de seu tempo”. E, para completar, surgiu – de um dos cinco capítulos do documentário de Renato Terra – subtema que vem dando pano para manga: deve-se cancelar ou não a “submissa” canção “Com Açúcar, com Afeto”, composta por Chico Buarque, por encomenda da própria Nara?

No Facebook, o assunto transformou-se no que Artur Xexeo chama de “fita banana”. Rendeu posts e mais posts. E foi parar nas páginas nobres dos cadernos culturais. A série, aliás, teve cobertura de mídia, há muito não vista por uma produção documental brasileira.

“O Canto Livre de Nara” só perdeu centralidade (temporária, registre-se) na semana da morte de Elza Soares. A “Mulher do Fim do Mundo” partiu, para tristeza de milhões de admiradores, no dia 20 de janeiro, exatos 39 anos depois de seu mais famoso companheiro, o jogador Mané Garrincha (1933-1973). Ela tinha 91 anos. Eleita “a voz do milênio” pela BBC, Elza Soares deixou rico patrimônio musical e audiovisual.

Em 1960, já aos 29 anos, deu-se sua estreia no disco, seguida de participação em filmes de Mazzaropi e, também, em chanchadas tardias. Cantou em blockbusters do caipira paulista (“O Vendedor de Linguiças”, “O Puritano da Rua Augusta”, “Um Caipira em Bariloche”) e contou ao jornalista Duda Leite (depoimento disponível no YouTube), que ela e Garrincha eram grandes amigos de Amácio Mazzaropi (1912-1981), que recebia o casal, com imenso carinho, em sua fazenda-estúdio. Trabalhou, também, em “Briga, Mulher & Samba” (Sanin Cherques, 1961), “Rio à Noite” (Aluízio T. Carvalho, 1962), no inacabado “Marafa”, em “Morte em Três Tempos” (Fernando Coni Campos, 1964), em “Cinema Falado” (Caetano Veloso, 1986), “Chega de Saudade” (Laís Bodanzky, 2007). E foi tema do documentário “My Name is Now”, de Elizabete Martins Campos (2014), e participou de muitos outros, dois deles, produções internacionais – “Brasileirinho”, do finlandês Mika Kaurismaki, e “Brasil Bam Bam Bam: The Story of Sonzeira”, de Gilles Petersen.

A morte de Elza no momento em que o país revisitava, na TV, a trajetória de Nara Leão (1942-1989), fez com que os jornais dessem como certa a realização de série similar sobre a tumultuada vida da cantora de “Se Acaso Você Chegasse”, “Mulata Assanhada” e do poderoso verso “a carne negra é a carne mais barata do mercado” (“A Carne”, Marcelo Yuka, Seu Jorge e Capellette). Tal série estaria em fase de produção pela mesma Globoplay.

A Revista de CINEMA procurou informações sobre a série com diversas fontes. Inclusive com a Globoplay, Canal Brasil e outros parceiros tradicionais de produções do gênero. Nenhuma delas confirmou parceria firmada, até o momento.

Claro que o interesse em contar a vibrante história da cantora existe. Material audiovisual farto, de Elza desde a mocidade (e principalmente na Mocidade Independente de Padre Miguel) existe. As participações dela nos filmes de Mazzaropi e nas neo-chanchadas estão impressas em 35 milímetros. Basta pagar pelo direito de uso.

A vida de Elza Soares resultaria em um romance de Zola ou de Dickens. Menina pobre da favela foi mãe cedo. Como gostava de dizer, vinha do “Planeta Fome”. Garantia ter ganho seu primeiro cachê (no Programa de Ary Barroso) aos 13 anos, para alimentar filho faminto (Ruy Castro prova que ela já contava 23 anos nesta ocasião). Foi criticada por separar o craque Garrincha da esposa Nair e de suas oito filhas. A cantora tomou birra de Nilton Santos, o craque botafoguense, protetor de Garrincha e defensor de Dona Nair. Conviveu com a bebedeiras e com o ostracismo do craque. Foi mãe de oito filhos. Quatro estão vivos. Deixou oito netos e seis bisnetos. Portanto, 18 herdeiros.

Quem for realizar a série de TV sobre a vida de Elza terá que se entender com este grande número de herdeiros. Se não houver pleno entendimento, algo semelhante ao que aconteceu com Ruy Castro e a biografia “Garrincha, a Estrela Solitária” poderá se dar. O livro foi recolhido por causa de processo judicial movido pelas herdeiras de Mané. Tudo foi contornado, mas o autor passou por grandes aborrecimentos.

No terreno do audiovisual, fato semelhante se passa com série sobre Renato Russo (1960-1996), o legionário urbano. Dirigida por André Barcinski, Paulo Fontenelle e Arthur Dapieve (para a Globoplay), o documentário está engavetado. Como noticiou o jornal O Globo (22/01/2022), Giuliano Manfredini, herdeiro de Renato, não autorizou uso da imagem, nem das músicas do pai. Os três diretores trabalharam com autorização dos legionários Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá. Na série arquivada, Elza Soares canta “Que País é Esse?”.

Os fãs de Russo poderão, além de assistir ao filme “Eduardo e Mônica”, obra ficcional em cartaz nos cinemas, aguardar o fecho de trilogia iniciada com “Faroeste Caboclo”, prometida por René Sampaio. Deverá aguardar, também, longa documental sobre a trajetória do artista carioca-brasiliense, dirigido por Susanna Lira e produzida por Bianca De Felippe. Com a devida autorização de Giuliano Manfredini.

Os amantes da música popular brasileira podem esperar, ainda, muitos e novos longas documentais e séries de TV nos próximos anos. A Revista de CINEMA realizou levantamento com realizadores e produtoras e destaca alguns dos que estão em produção ou já prontos para lançamento.

O mais aguardado, claro, é “Elis & Tom”, documentário que registra a histórica gravação de obra de antologia que uniu, em Los Angeles, em 1972, a cantora Elis Regina ao maestro soberano, Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim. O material bruto, com 3h30′ de imagens e quatro horas de som, foi editado e resultará no longa-metragem “Elis & Tom – Só Tinha de Ser com Você”, assinado por Roberto Oliveira, em parceria com Jom Tob Azulay. O Canal Arte 1 será o responsável pela difusão dessa relíquia de nossa história audiovisual.

“Elis & Tom – Só Tinha de Ser com Você”, de Roberto Oliveira

Para relembrar esta gravação, realizada, portanto, há 50 anos (o disco chegou ao público em 1974), a Revista de CINEMA solicitou depoimento ao cineasta e diplomata Jom Tob Azulay, o Jomico, diretor de filmes como “Corações a Mil”, “Doces Bárbaros” e “O Judeu”.

– “Em 1972, eu vivia em Los Angeles trabalhando como cônsul do Brasil (nas horas vagas estudava Cinema), quando chegam Elis Regina, acompanhada do marido e músico Cesar Camargo Mariano, do filho João Marcelo Bôscoli e do empresário e produtor Roberto de Oliveira, para gravar um disco com o Tom Jobim, que vivia na cidade, com produção do Aloizio de Oliveira. Por coincidência, o (diretor de fotografia) Fernando Duarte também estava lá levado pelo Davi Neves e pelo Fernando Sabino (eles faziam um curta sobre o Sabino). Daí que todo mundo se encontra e o Fernando propôs ao Roberto filmarmos a gravação e os ensaios. Eu tinha uma câmera 16 milímetros e um gravador Nagra para filmagens em cinema-direto e, assim, durante uns 15 dias filmamos o Tom e a Elis ensaiando nos encontros sociais, passeando pela cidade e principalmente os trabalhos de gravação no estúdio. O Fernando Duarte fotografava e eu dirigia, fazia o som-direto e assistência de câmera. As canções se tornaram todas clássicas, com destaque para o dueto, ‘Águas de Março’, que o Nelson Pereira incluiu no filme dele sobre o Tom (‘A Música Segundo Tom Jobim’, 2012). O frescor e a intimidade dos ensaios, a espontaneidade das gravações, que incluíam os preparativos e a reação dos artistas e dos demais presentes, o carisma transbordante do Tom e da Elis explodiram na tela. Era a magia da interface da música brasileira com o cinema-direto que estávamos descobrindo. No Brasil, o Roberto fez um especial de TV para a Bandeirantes, que foi líder de audiência em São Paulo e no Rio, com crítica elogiosa do Artur da Távola. Para mim, além da honrosa iniciação, foi o aprendizado que me levou a ‘Os Doces Bárbaros’ e a outros musicais”.

Além do filme de Oliveira e Jomico, Elis Regina estará no centro de “Elis por João”, série documental em três episódios, que terá João Marcelo Bôscoli como narrador, Lea Van Steen como diretora e Marcelo Braga como produtor. A HBO apresentará o material, que tem sua força em imagens de Elis colhidas em gravações de emissoras de TV da França, Alemanha, Bélgica, México e Portugal.

O Canal Brasil, tradicional parceiro de produtoras brasileiras, está coproduzindo, nesse momento, dois longas documentais.“Apopcalipse Segundo Baby”, de Rafael Saar. O filme se propõe a revelar “a personagem Baby do Brasil, ícone da contracultura e do movimento hippie brasileiro”, a partir da “pluralidade de estéticas e originalidade que caracteriza sua obra musical”. O documentário “resgatará sua trajetória, seja em sua banda de formação, os Novos Baianos, seja em sua carreira solo, do hippie ao pop multicolorido, de Janis Joplin a Ademilde Fonseca, compondo a versatilidade e riqueza rítmica e musical, transfiguradas em cinema”. Para construir “Apopcalipse Segundo Baby”, Rafael Saar irá do documental ao ficcional, recorrendo a animações, musicais e ao extenso acervo de imagens da cantora.

A cineasta e atriz gaúcha Rejane Zilles assina “London 70”, longa documental que vai explorar a cena cultural brasileira em Londres nos anos 1970. Enquanto o Brasil vivia um dos momentos mais obscuros da ditadura militar, artistas exilados na capital inglesa se dedicavam à gravação do lendário disco “Transa”, de Caetano Veloso. O artista baiano será o fio condutor do novo longa de Rejane. Vale lembrar que a cineasta contará com a milionária colaboração do companheiro, o cantor, compositor e ator carioca-flamenguista Jards Macalé, integrante do grupo “londrino”.

Belchior (1946-2017) será tema de série documental baseada no livro de Jotabê Medeiros (“Apenas um Rapaz Latino-Americano”), produzida pela Urca Filmes e dirigida por Eduardo Albergaria, e de um longa-metragem de Renato Terra, “Alucinação”, sobre o disco de mesmo nome, lançado em 1976. Ele estará presente, ainda, no documentário “Pessoal do Ceará – Lado A Lado B”, de seu conterrâneo Nirton Venâncio.

O cineasta contou à Revista de CINEMA que, “depois de 10 anos de pesquisa, elaboração do projeto, tentativas de financiamento e filmagens, que ainda estão em processo em meio aos cuidados e perplexidade de uma pandemia”, o filme – contemplado pelo edital da Lei Aldir Blanc de Audiovisual da Secult-Ceará – “deslanchou”. Deve ficar pronto no final de outubro.

Nirton esclarece que “o Belchior que interessa ao filme é aquele que participou do coletivo musical conhecido como Pessoal do Ceará”. Por causa de sua morte – pondera – “pessoas que conviveram de perto com ele (como o cantor e compositor Jorge Mello, seu sócio no selo Paraíso Disco) até fazem referência aos dez anos do sumiço do amigo”. Mas este não é o foco do filme.

“Pessoal do Ceará Lado A Lado B” trará imagens do autor de “Como Nosso Pais” na década de 1970, trechos de entrevistas do período e uma fala de Jorge Cabral, advogado e fã do cantor, que o acolheu por três meses em sua casa no interior do Rio do Grande do Sul, durante o exílio voluntário. Isto “porque a morte do artista aconteceu em pleno processo de filmagem e acabou mobilizando o Pessoal do Ceará, que teve intensa e fraterna convivência com Belchior, em Fortaleza”.

No centro da narrativa está o elepê “Pessoal do Ceará – Meu Corpo minha Embalagem” (Continental, 1973). Ednardo, Fagner, Fausto Nilo, Rodger Rogério, Teti, Amelinha, Brandão, Petrúcio Maia, Stelio Valle, Jorge Mello, Augusto Pontes, Manassés de Sousa, Pekin, Claudio Pereira, Ricardo Bezerra, entre outros participam (ou são lembrados) do filme.

“O meu interesse” – conta Nirton Venâncio – “é não reduzir ‘Pessoal do Ceará Lado A Lado B’ a um lançamento convencional, mas sim, realizar um grande evento, complementado com seminário sobre coletivo musical setentista (Pessoal do Ceará) e o Massafeira, com palestras, debates e apresentações musicais”.

Outro diretor (e produtor) com importantes projetos musicais em processo de realização é Marcus Fernando, correalizador de “Torquato Neto – Todas as Horas do Fim” (parceria com Eduardo Ades). Nesse momento, ele está ocupado com o longa documental “Aldir Blanc – Ourives do Palavreado” e com três séries para TV – “Nei Lopes – No Fundo do Rio” (em 10 episódios), “Elas por Elas” (13 episódios) e “Bossa SP” (em quatro episódios). Todas documentais.

Marcus Fernando, que dirigiu a série “Cale-se – A Censura Musical” – sobre os tempos em que a música brasileira era submetida ao rigor da DCDP (Divisão de Censura de Diversões Públicas), da Polícia Federal – assinará o filme e as três novas séries, sozinho ou com parceiros.

O longa “Aldir Blanc – Ourives do Palavreado”, produção da Girândola (coprodução do Canal Brasil) será dirigido por ele e por Hugo Sukman. Marcus explica que “o filme pretende revelar ao público o universo criativo do compositor carioca, que gerou, ao longo de cinco décadas, textos e canções antológicos”. Mais que “um filme sobre a vida ou sobre a obra do artista” – promete – “ nos propomos, Hugo e eu, a mergulhar no universo de Aldir Blanc, suas fontes de inspiração e personagens, sua geografia muito própria na Zona Norte e subúrbios do Rio, seu jeito muito pessoal de contar histórias, sejam elas conversas de botequim, textos literários ou canções”. O filme está em processo de produção, mas depende de aportes financeiros para novas etapas de filmagem e finalização.

Já a série “Nei Lopes – No Fundo do Rio”, que Marcus Fernando realiza com PH Souza (diretor de “Cacaso Na Corda Bamba”) está bem adiantada e sua estreia prevista para o segundo semestre deste ano, no canal Music Box.

“Nessa série documental de 10 episódios” – detalha Marcus –, “PH e eu retratamos vida e obra do compositor e escritor carioca Nei Lopes relacionando sua trajetória com aspectos da história recente do subúrbio do Rio de Janeiro”. Pelo olhar do artista, os dois diretores fizeram questão de “resgatar a importância dessas áreas urbanas relacionadas à herança afro-brasileira carioca, recuperando, assim, – através da história, da música e da poesia de Nei – o protagonismo negro na construção da identidade da cidade do Rio”.

O roteiro foi escrito por Marcelo Esteves em parceria com Marcus Fernando, grande amigo do autor de “Senhora Liberdade”, “Gostoso Veneno” e “No Tempo de Don-Don”. Sem esquecer a deliciosa “Malandro JB”, imortalizada por João Nogueira.

Para o mesmo Canal Musical Box, Marcus Fernando prepara a série “Elas por Elas”, em 13 episódios, que ele vai dirigir sozinho. O documentarista contextualiza a gênese desse projeto: “Nesse momento em que o empoderamento feminino é conquistado por diversas artistas, é bom lembrar nomes que contribuíram decisivamente para que as mulheres tivessem voz no mundo da música”. Por isso, “nossa intenção é destacar compositoras e cantoras que desafiaram a supremacia machista no exercício de ofício tradicionalmente dominado por homens desde antes de o samba ser samba”.

“Elas por Elas” destacará em cada episódio uma figura feminina da música brasileira falando de seu papel e reverenciando outro grande nome. A cantora Leila Pinheiro receberá cada convidada em seu estúdio para um bate-papo e muita música. Entre os nomes reverenciados estão Chiquinha Gonzaga, Dolores Duran, Maysa, Elizeth Cardoso, Nara Leão, Dona Ivone Lara, Aracy de Almeida, Inezita Barroso, Elis Regina, entre outras. A série tem produção da Attack Estúdio e coprodução da Girandola.

A Bossa Nova ganhou fama como o mais carioca dos movimentos musicais do país. Virou sinônimo de sol, sal, mar. Em recente entrevista à Rádio Bandeirantes (Band FM), a cantora Claudette Soares fez a seu interlocutor duas revelações: 1 – Ruy Castro a descrevera, no livro “Chega de Saudade”, como “uma destruidora de lares, coisa que ela jamais foi”. Só não o desmentiu, porque “o empresário a convenceu que a informação não era prejudicial à carreira dela”. 2 – Ouviu de Ronaldo Bôscoli: “vá para São Paulo, lá você conseguirá espaço nobre e ajudará a difundir a Bossa Nova, aqui no Rio, será ofuscada por Elis Regina, que estourou”. Ela seguiu o conselho do compositor e produtor e acha que foi o melhor passo que deu em sua carreira.

Como Claudette, alguns pré-bossa novistas e bossa novistas permanceram em São Paulo (caso de Johnny Alf). Pois é a esse time que Marcus Fernando, dedicará “Bossa SP”, série documental em quatro episódios. Ele já escreveu o roteiro em parceria com Hugo Sukman, mas a dupla está aberta às surpresas que todo documentário oferece a seus criadores em seus processos de produção.

“A Bossa Nova nasceu no Rio de Janeiro”, mas – arrisca-se o diretor-roteirista – “ao mudar-se para São Paulo conquistaria a juventude de todo o Brasil e se transformaria em MPB”. Por isso, “a série documental ‘Bossa SP’ vai contar essa história fascinante e pouco conhecida, através de entrevistas exclusivas, material de arquivo e números musicais”.

“Nossa intenção” – detalha Marcus Fernando – “é abordar quatro temas centrais dessa história: ‘As Vozes’, com o qual apresentaremos os artistas responsáveis pela divulgação do gênero na cidade; ‘Os Bares’, traçando perfil da agitada e criativa noite paulistana; “Os Trios”, abordando a bossa instrumental desenvolvida na capital paulista, reveladora de músicos excepcionais, e com “Do Paramount aos Festivais” mostraremos no que resultou a Bossa Nova paulista”. A produção trará a assinatura da Mistika, em coprodução com a Girandola. O projeto foi contemplado pelo ProAC 2021 da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo.

Confiram outros projetos já concluídos, em produção ou pré-produção:

. “Cafi” – Longa documental de Lírio Ferreira e Natara Ney sobre o fotógrafo recifense Carlos da Silva Assunção Filho, o Cafi (1950-2019), que durante 40 anos dedicou-se a registrar shows e artistas da MPB (e também do teatro e da dança). Por suas lentes passaram gravações de discos, espetáculos, turnês e ensaios de importantes nomes de nossa música popular. O nome dele aparece em 300 capas de discos e encartes, incluindo a foto que embalou o elepê “Clube da Esquina” (1972), na qual são vistas duas crianças, uma branca descalça, e uma negra de tênis, numa paisagem rural. Fotografia de Beto Martins. Duração: 75 minutos.

. “Jackson – Na Batida do Pandeiro”, de Marcus Vilar e Cacá Teixeira – Longa documental sobre a trajetória de Jackson do Pandeiro (1919-1982), com depoimentos de Almira Castilho, Gilberto Gil, Gal Costa, Elba Ramalho, Alceu Valença, Cecéu, Bráulio Tavares, Lenine, entre outros. Lançamento previsto para este ano.

. “Meu Nome é Gal” – Cinebiografia ficcional da cantora baiana Gal Costa, direção de Dandara Ferreira e Lô Politi. Produção da Paris Entretenimento. Com Sophie Charlotte no papel principal e grande elenco. Em filmagem. Distribuição: Downtown e Paris.

. “Agostinho dos Santos” – Longa documental de Ney Inácio. Em filmagem. Depoimentos de Zuza Homem de Mello, Martinho da Vila, Sérgio Mendes, Aguinaldo Timóteo, entre outros. Com material guardado pela filha do cantor nascido em São Paulo, em 1932, e morto em acidente de avião, na França, em 1973, aos 41 anos de idade. Agostinho, que foi diretor artístico do selo Codil, está na origem da carreira discográfica do cantor Milton Nascimento.

. “Milton Nascimento” – A Gullane Filmes produzirá, ano que vem, longa-metragem sobre a trajetória de Milton Nascimento, que este ano comemora 80 anos. A ideia é começar em Três Pontas (MG), onde ele viveu sua infância, até chegar à gravação e lançamento do álbum “Clube da Esquina”, em 1972. O filme encontra-se em fase de roteirização e tem como fonte a biografia “Travessia: A Vida de Milton Nascimento”, de Maria Dolores (Ed. Record, 2006, que ganhará edição atualizada).

. “O Canto Livre de Nara”, de Renato Terra. Série em cinco episódios. Disponível na Globoplay, desde 7 de janeiro. Episódio 1: as reuniões inaugurais da Bossa Nova são reconstituídas, com auxílio de fotos raras (e colorizadas), no mítico apartamento da família de Nara em Copacabana. O segundo traz a ligação da cantora com sambistas do morro e culmina com o show Opinião (traz, ainda, documentos inéditos da ditadura sobre a Nara). O terceiro destina-se, em especial, aos fãs da cantora e de Chico Buarque, pois registra a parceria de Nara com o autor de muitas das músicas gravadas por ela, a começar por ‘A Banda’ (Chico Buarque deu depoimento exclusivo à série e contou que compôs, a pedido de Nara, “Com Açúcar, com Afeto”, que hoje não agrada às feministas e que ele retirou de seu repertório). No quarto episódio, Nara rompe preconceitos no campo da música e dos costumes, ao participar do Tropicalismo e depois gravar um disco inteiro só com músicas do Roberto e Erasmo, quando parte da MPB os definia como autores de “música de motel”. No episódio final, há informações sobre a vida familiar de Nara e mostra-se sua casa na Serra, que ela amava e decorava com muito empenho.

 

BILHETERIAS DE DOCUMENTÁRIO MUSICAIS

OS MAIS VISTOS:

. Vinícius ……………………………………………..266.000
. Raul Seixas (Início, o Fim e o Meio)………170.000
. Chico, Artista Brasileiro……………………….128.000
. Uma Noite em 67………………………………….80.000
. Tropicália……………………………………………..79.000
. Música Segundo Tom Jobim…………………..75.000
. Simonal………………………………………………..72.000
. Cartola…………………………………………………68.000
. Nelson Freire………………………………………..61.000
. Paulinho da Viola, Meu Tempo é Hoje…….55.000
. Coisa Mais Linda…………………………………..36.000
. Rock Brasília…………………………………………35.000
. O Homem Que Engarrafava Nuvens………..24.000
. Fevereiros……………………………………………..20.000

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