Série “Lei da Selva – A História do Jogo do Bicho” estreia no Canal Brasil
Marcelo Freixo

Criado em 1892, pelo barão João Batista Viana Drummond, para impedir o fechamento do Jardim Zoológico do Rio de Janeiro, em Vila Isabel, o jogo do bicho era uma rifa de apostas em números que representavam animais. Cento e trinta anos depois, transformou-se em um império do crime, que movimenta bilhões. A série documental “Lei da Selva – A História do Jogo do Bicho”, de Pedro Asbeg, mostra que a prática está intimamente ligada ao crime organizado, ajudando a financiar tráfico de drogas, milícia e corrupção. Dividida em quatro episódios, a produção da Kromaki e Canal Brasil estreia dia 29 de abril, às 22h30, no Canal Brasil e nos serviços de streaming Canais Globo e Globoplay + Canais ao Vivo.

Com roteiro de Arthur Muhlenberg e Tiago Peregrino, direção de fotografia de Pedro Von Krüger, produção executiva de Anna Júlia Werneck e Roberta Oliveira e produção de Rodrigo Letier, a série é narrada pelo ator Marcelo Adnet. A narração costura, com fatos históricos, depoimentos de jornalista, historiadores, urbanistas, sociólogos, policiais, carnavalescos, promotores de justiça. Entre os entrevistados, estão nomes como Tainá de Paula, Marcelo Freixo, Milton Cunha, Luiz Antônio Simas, Bruno Paes Manso, Octavio Guedes, Chico Otávio, Antônio Carlos Biscaia, Aydano André Motta e Juliana Dal Piva.

No primeiro episódio, a série mostra como o Jogo do Bicho surgiu, no final do século XIX, em Vila Isabel, e como rapidamente se espalhou pela cidade e caiu na ilegalidade. Fala também sobre a entrada de grandes contraventores na trama, como Castor de Andrade e Anísio Abraão David, e a ligação deles com a máfia italiana e com a corrupção policial. Trata do início das disputas territoriais entre os bicheiros na década de 60, o que coincidiu com o aumento dos assassinatos no Rio de Janeiro, e está associado ao surgimento de grupos de extermínio como o Esquadrão da Morte. Mostra ainda a relação do Bicho com o poder constituído durante a Ditadura Militar, que o transformou em uma verdadeira empresa criminal na década de 70.

No segundo episódio, intitulado “O Bicho É Pop”, a série mostra como as escolas de samba em ascensão na década de 80 se articulavam com o Jogo do Bicho, o que levou à criação da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) e à construção do sambódromo. Fala também sobre como foi necessário refazer as conexões políticas durante a redemocratização e como a eleição de Leonel Brizola foi conveniente aos bicheiros. O episódio mostra a ligação de Castor de Andrade com o Bangu Futebol Clube, o que fez com que o time fizesse uma excelente campanha no campeonato estadual de 1985. O envolvimento do Jogo do Bicho com o carnaval, o futebol e a política carioca fez com que, na década de 80, os grandes bicheiros ganhassem a simpatia da população e perdessem a aura de bandidos e, com isso, figurassem constantemente na mídia entre os poderosos da cidade.

A morte de Castor de Andrade dá início a uma partilha de bens e negócios que gerou um banho de sangue no Rio de Janeiro, no final da década de 90. É mostrando esse cenário que começa o quarto e último episódio, que tem o título de “Pátria Armada”. O episódio mostra ainda o crescimento das milícias, durante a primeira década dos anos 2000, e seu projeto de poder que envolvia o poder político e o judiciário e ameaçava a democracia. Fala também que, neste cenário, surge o que ficou conhecido como Escritório do Crime – grupo de matadores, que tem Adriano da Nóbrega como um dos principais membros, que atua por contratação, independentemente das disputas territoriais que aconteciam na cidade. A série mostra ainda a prisão dos ex-policiais Ronnie Lessa e Élcio Vieira de Queiroz, ambos ligados ao Escritório do Crime, às milícias e ao Jogo do Bicho, pelo assassinado da vereadora Marielle Franco.

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